
O coração da Amazônia pulsou com novas ideias nesta terça-feira (7), quando gestores públicos, pesquisadores e representantes da sociedade civil se reuniram no Museu Sacaca para o 4º Encontro Regional Amazônico do ICLEI Brasil. O evento marcou um dos momentos mais vibrantes de troca de experiências sobre clima, biodiversidade e desenvolvimento urbano sustentável da região, abrindo caminho para ações conjuntas rumo à COP30, que será sediada em Belém em 2026.
O painel “Clima e Biodiversidade: Ações Integradas para o Desenvolvimento Urbano Sustentável na Amazônia” reuniu lideranças locais e nacionais que vêm transformando o debate ambiental em políticas concretas. Sob a mediação de Hugo Salomão, Senior Fellow do ICLEI para a COP30, o encontro enfatizou a necessidade de fortalecer a governança local e o protagonismo dos municípios na luta contra as mudanças climáticas.
“Essas discussões dão voz aos governos subnacionais, que são os primeiros a lidar com os impactos da crise climática. É nas cidades que o enfrentamento começa”, afirmou Salomão.
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O painel apresentou uma verdadeira cartografia de experiências inspiradoras. A secretária de Meio Ambiente de Belém, Juliana Nobre, compartilhou os avanços da capital paraense em políticas de arborização e saneamento verde. De Palmas, o presidente da Fundação de Meio Ambiente, Isac Braz da Cunha, destacou os esforços para adaptar a cidade ao calor extremo, investindo em infraestrutura resiliente e educação ambiental.
De Altamira, Rafael Oliveira, secretário municipal de Meio Ambiente, relatou a criação de corredores ecológicos para recuperar áreas degradadas às margens do Xingu. Já Francine Xavier, diretora do Instituto Comida do Amanhã, defendeu que políticas alimentares sustentáveis são fundamentais para enfrentar as mudanças do clima. “A maneira como produzimos e consumimos alimentos na Amazônia pode ser a chave para restaurar ecossistemas e reduzir desigualdades”, destacou.
Também participou Luciano Frontelle, diretor executivo da Plant-for-the-Planet Brasil, que reforçou o papel da educação ambiental e da restauração florestal em larga escala. “Não há futuro sustentável sem cooperação entre governos, empresas e juventude. A troca de experiências entre municípios é o que acelera transformações reais”, disse.

Amapá assume liderança verde na Amazônia Legal
Anfitrião do encontro e um dos principais apoiadores da COP30, o governo do Amapá vem consolidando sua imagem como referência em políticas ambientais. O estado, que detém mais de 70% de seu território em áreas de preservação, tem ampliado investimentos em ciência e inovação climática.
O diretor da Fundação de Amparo à Pesquisa do Amapá (Fapeap), Gutemberg Silva, destacou que o Amapá pretende ser modelo de desenvolvimento sustentável para toda a Amazônia Legal. “A integração regional é essencial para criar políticas baseadas em evidências e resultados. Precisamos transformar pesquisa em ação e ciência em soluções”, afirmou.
Cooperação que transforma
A coordenadora de Relações Institucionais e Advocacy do ICLEI América do Sul, Bianca Cantoni, celebrou a parceria com o governo amapaense e destacou o simbolismo de o evento acontecer em Macapá. “O Amapá tem mostrado que é possível unir conservação e desenvolvimento. Esse encontro é uma prova de que a cooperação entre governos locais pode transformar realidades e preparar a região para o futuro”, declarou.
O encontro, que se estende até esta quarta-feira (8), encerra-se com a consolidação de compromissos e diretrizes que serão levadas à COP30. Entre os temas centrais estão a ampliação das áreas verdes urbanas, a promoção da economia de baixo carbono e a integração das cidades amazônicas em redes globais de sustentabilidade.
Mais do que um debate técnico, o encontro foi um gesto político e simbólico de união regional. Em tempos de emergência climática, as cidades amazônicas mostram que a força da floresta também está em sua capacidade de cooperação.
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