Havaí e Ilha de Páscoa estão a 7 mil km de distância, mas o DNA mostra que seus povos são os parentes mais próximos da Polinésia

Havaí e Ilha de Páscoa estão a 7 mil km de distância, mas o DNA mostra que seus povos são os parentes mais próximos da Polinésia
A canoa polinésia Hōkūle'a chega a Honolulu vinda do Taiti, em 1976. Foto: Phil Uhl, via Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 3.0.

O Havaí e a Ilha de Páscoa, chamada pelos nativos de Rapa Nui, estão separados por 7 mil quilômetros de oceano aberto, mais que a distância entre Nova York e Londres. Estão entre os lugares habitados mais isolados do planeta. Mesmo assim, um estudo genético mostra que seus povos originários são mais próximos entre si do que de qualquer outra população remota da Polinésia analisada.

1.050 genomas

Para reconstruir as migrações, os pesquisadores analisaram 1.050 genomas completos de polinésios, com muitas amostras da Polinésia Francesa e dados de havaianos nativos, rapanui, samoanos e tonganeses. Eles buscaram trechos de DNA herdados de ancestrais comuns por pessoas de ilhas diferentes. Esses trechos se quebram em pedaços menores a cada geração, o que permite estimar a história das populações.

Segundo o geneticista e antropólogo Keolu Fox, da Universidade da Califórnia em San Diego, se alguém tivesse de adivinhar quais duas ilhas eram as menos aparentadas, provavelmente escolheria justamente essas.

Testado de vários jeitos

Em 2.500 árvores genéticas reconstruídas, Havaí e Rapa Nui apareceram juntos 61% das vezes. O Havaí se agrupou com Mangareva em cerca de 10% e com as Marquesas em menos de 3%. Distância geográfica, lembram os pesquisadores, não significa necessariamente distância genética, sobretudo quando pequenos grupos fundam novos povoados.

Uma tradição de grandes viagens

Os autores propõem que os ancestrais das duas populações pertenciam a um mesmo grupo de navegadores de longa distância, com raízes em Mangareva e, mais atrás, nas Ilhas Marquesas. Deram a essa tradição o nome de Holomoana Nui, algo como grande navegação oceânica.

Arqueólogos e linguistas já apontavam as Marquesas como um centro importante das migrações polinésias. O DNA sugere que a rota ancestral para o Havaí também passou por Mangareva, o que liga os fundadores havaianos aos de Rapa Nui. O estudo não prova que navegadores viajaram diretamente entre as duas ilhas: mostra ancestralidade comum, e não as rotas exatas.

Navegação sem instrumentos

Os polinésios cruzaram distâncias enormes em canoas de casco duplo, orientando-se pelas estrelas, pelos ventos, pelas correntes e pelo voo das aves. Assim povoaram ilhas espalhadas por milhões de quilômetros quadrados do Pacífico, séculos antes da chegada dos navios europeus. Nos anos 1970, a canoa Hōkūle’a refez a travessia entre o Havaí e o Taiti sem instrumentos modernos, provando que essas viagens eram possíveis.

A ligação com a América do Sul

O estudo se soma a uma pesquisa de 2020, publicada na Nature, que encontrou sinais genéticos de contato entre navegadores polinésios e povos indígenas da América do Sul por volta do ano 1200, séculos antes de Colombo. A batata-doce, planta sul-americana cultivada na Polinésia antes dos europeus, é outra pista desse encontro.

Consequências para a saúde

Quando um grupo pequeno funda uma nova comunidade, leva só parte da diversidade genética da população original, o chamado efeito fundador. Na Polinésia, migrações sucessivas reduziram essa diversidade e tornaram algumas variantes genéticas raras muito mais comuns. Conhecer essa história pode ajudar a entender doenças e respostas a medicamentos nessas populações.

Perguntas frequentes

Qual a distância entre o Havaí e a Ilha de Páscoa?

Cerca de 7 mil quilômetros de oceano aberto.

Os polinésios chegaram à América do Sul?

Estudos genéticos indicam contato entre polinésios e indígenas sul-americanos por volta do ano 1200.

Com informações da Universidade da Califórnia em San Diego.

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