
As iguanas-marinhas de Galápagos são os únicos lagartos do mundo que se alimentam no mar, mergulhando para comer algas nas rochas. Em 2026, elas enfrentam duas ameaças ao mesmo tempo: um super El Niño que está acabando com sua comida e um aumento estranho do tráfico para o mercado de animais exóticos.
O alerta foi feito por cientistas numa carta publicada na revista científica Science.
Amarradas em malas
O El Niño de 2026 e 2027 começou a aquecer as águas do Pacífico equatorial em maio. No mesmo mês, autoridades do Equador encontraram quatro iguanas de Galápagos numa casa perto de Guayaquil. Pouco depois, acharam mais uma dúzia num aeroporto, enfiadas em bolsas com as patas amarradas. No fim de agosto, outras 32 foram descobertas amarradas em pequenos potes plásticos dentro de uma mala. Duas semanas depois, o El Niño atingiu o status de super.
Pelo menos uma iguana apreendida foi encontrada morta e várias outras morreram por causa do contrabando.
Sem comida
Segundo o ecotoxicologista marinho Juan José Alava, da Universidade Simon Fraser, no Canadá, coautor da carta, as iguanas já enfrentam derramamentos químicos e poluição por plástico, e agora o tráfico cresce no mesmo momento em que o super El Niño destrói as algas das áreas entre marés, sua principal comida. Os animais estão encolhendo e morrendo de fome ou de exaustão, nadando cada vez mais longe atrás de alimento.
Licenças falsas
A espécie é classificada como vulnerável pela União Internacional para a Conservação da Natureza, e 10 das 11 subespécies conhecidas são consideradas em perigo ou criticamente em perigo no Equador. O comércio internacional é proibido pela Cites, a convenção que regula o comércio de espécies ameaçadas, e a lei equatoriana protege totalmente a espécie.
Mesmo assim, as redes de tráfico conseguem licenças de exportação declarando falsamente que as iguanas foram criadas em cativeiro em países como Uganda, Suíça, Mali e Japão, onde não existe nenhuma criação autorizada. Os animais são retirados das praias de Galápagos e enviados para mercados na África, na Ásia, na Europa, na América do Norte e no Pacífico.
Alava aponta que comunidades pesqueiras pobres da costa equatoriana, pressionadas pela crise econômica e pela extorsão do crime organizado, podem acabar envolvidas.
A volta para casa
Mesmo as iguanas que sobrevivem enfrentam um longo caminho. Cada subespécie é adaptada a ilhas específicas. Depois de resgatadas e tratadas, elas precisam passar por teste de DNA para descobrir de qual ilha vieram e serem devolvidas ao lugar certo.
Os pesquisadores pedem que a Cites feche as brechas nas licenças, que os países fiscalizem melhor as autorizações e que o Equador combata o crime organizado e ofereça alternativas de renda às comunidades costeiras.
O tráfico no Brasil
O Brasil também sofre com o tráfico de animais silvestres, um dos maiores comércios ilegais do mundo. Aves como papagaios, araras e pássaros canoros estão entre os mais traficados, além de répteis e primatas. Muitos animais morrem no transporte, em condições parecidas com as das iguanas. Denúncias podem ser feitas ao Ibama, pelo telefone 0800 061 8080, ou à Polícia Militar Ambiental.
Perguntas frequentes
O que comem as iguanas-marinhas?
Algas que crescem nas rochas do litoral, que elas buscam mergulhando no mar.
Como o El Niño afeta as iguanas?
A água quente mata as algas que elas comem, e muitas morrem de fome.
Com informações da Universidade Simon Fraser e da carta publicada na Science.
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