Jacaré ataca gente? O que a ciência sabe sobre os seis jacarés do Brasil e quando o maior deles, o jacaré-açu, pode ser perigoso

Jacaré ataca gente? O que a ciência sabe sobre os seis jacarés do Brasil e quando o maior deles, o jacaré-açu, pode ser perigoso
Jacaré-do-pantanal (Caiman yacare) na margem de rio no Pantanal. Foto: Charles J. Sharp, via Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 4.0.

Quem já viu dezenas de jacarés tomando sol na beira de um rio no Pantanal costuma fazer a mesma pergunta: jacaré ataca gente? A resposta curta é que ataques são raros. Na maioria das vezes, o jacaré prefere fugir para a água quando uma pessoa se aproxima. Mas existem situações em que ele morde, e uma das espécies brasileiras, o jacaré-açu, é grande o bastante para ser realmente perigosa.

Os seis jacarés do Brasil

O Brasil tem seis espécies de jacarés, todas da família dos aligatorídeos, a mesma do aligátor americano. Não há crocodilos verdadeiros vivendo naturalmente no país.

  • Jacaré-açu (Melanosuchus niger): o maior, da Amazônia, pode passar de 5 metros.
  • Jacaretinga (Caiman crocodilus): comum na Amazônia, chega a cerca de 2,5 metros.
  • Jacaré-do-pantanal (Caiman yacare): o mais visto no Pantanal, com até cerca de 3 metros.
  • Jacaré-de-papo-amarelo (Caiman latirostris): vive em rios, lagoas e mangues do Nordeste ao Sul, inclusive perto de cidades.
  • Jacaré-paguá e jacaré-coroa (gênero Paleosuchus): pequenos, de igarapés de floresta, raramente passam de 1,7 metro.

Quando um jacaré pode morder

Os jacarés comem principalmente peixes, crustáceos, moluscos, aves e pequenos mamíferos. Uma pessoa adulta não faz parte da dieta das espécies menores. Os acidentes que acontecem costumam ter uma destas causas:

  • O animal foi alimentado por pessoas e perdeu o medo, associando gente a comida.
  • Alguém tentou pegar, encurralar ou provocar o jacaré.
  • A fêmea estava protegendo o ninho ou os filhotes, comportamento comum em todas as espécies.
  • A pessoa entrou na água à noite, em locais com muitos jacarés, e foi confundida com uma presa.

O caso do jacaré-açu

O jacaré-açu é diferente. Por causa do tamanho, é o único jacaré brasileiro considerado capaz de matar um ser humano. Há registros de ataques na Amazônia, alguns fatais, geralmente envolvendo pescadores e pessoas que entram em lagos e rios onde a espécie é abundante. Mesmo assim, os casos são raros em comparação com o número de pessoas que convivem com o animal em comunidades ribeirinhas.

A espécie quase desapareceu no século 20 por causa da caça para o comércio de couro. Com a proibição e a criação de áreas protegidas, como a Reserva Mamirauá, as populações se recuperaram em muitos lugares, o que aumenta a chance de encontros com pessoas.

E no Pantanal?

O Pantanal tem uma das maiores concentrações de jacarés do mundo, com milhões de animais. Mesmo assim, ataques a pessoas são muito pouco comuns. Moradores e pescadores convivem com os jacarés diariamente, muitas vezes atravessando rios a pé. A regra prática é não incomodar, não alimentar e respeitar a distância, especialmente na época de reprodução, quando as fêmeas ficam perto dos ninhos.

Como evitar acidentes

  • Nunca alimente jacarés, nem jogue restos de peixe na água perto de onde as pessoas nadam.
  • Evite nadar à noite em lagos e rios com muitos jacarés.
  • Não tente pegar, tocar ou tirar fotos muito de perto.
  • Fique longe de ninhos, que costumam ser montes de folhas e galhos perto da água.
  • Se encontrar um jacaré em área urbana, afaste-se e chame a Polícia Ambiental ou os bombeiros.

Jacaré ou crocodilo?

Jacarés e crocodilos são parentes, mas pertencem a famílias diferentes. Uma forma simples de diferenciar é olhar a boca fechada. Nos jacarés, os dentes de baixo ficam escondidos dentro da boca. Nos crocodilos, o quarto dente da mandíbula aparece do lado de fora, mesmo com a boca fechada. Os jacarés também costumam ter o focinho mais largo e arredondado. Crocodilos vivem em outras partes das Américas, como o crocodilo-do-orinoco, mas não ocorrem naturalmente no Brasil.

Um aliado do ecossistema

Jacarés são predadores de topo nos rios e lagoas e ajudam a controlar populações de peixes, incluindo as piranhas. Também reciclam nutrientes e, na seca, abrem poças que viram refúgio para outros animais. Ver um jacaré tomando sol é sinal de um ambiente aquático em funcionamento, e não de perigo, desde que se mantenha o respeito.

Gostou desta reportagem?

Marque Revista Amazônia como fonte preferencial e veja mais conteúdo nosso no Google.

Gostou desta reportagem?
Siga a Revista Amazônia no Google News

⭐ SEGUIR AGORA