
O Kilauea, no Havaí, entra em erupção quase sem parar há cerca de 200 anos, e os vulcanólogos já viram muitas faces dele. Desde o fim de 2024, porém, o vulcão passou a fazer algo novo: lançar chafarizes de lava repetidos, um atrás do outro. Até setembro de 2026, foram 54 episódios, alguns com jatos de até 457 metros de altura, mais que a altura de muitos arranha-céus.
Um estudo publicado em 8 de outubro na revista científica Science começa a explicar o que está por trás do espetáculo.
Um fenômeno raro
A fase atual começou ao amanhecer de 23 de dezembro de 2024, com uma erupção dentro da cratera Halema’uma’u, no cume do vulcão. Durante uma erupção, que pode durar horas ou anos, uma fonte de lava ocasional não é incomum. O raro é ver fontes repetidas e separadas, com intervalos de minutos a semanas, na mesma erupção. No Kilauea, isso só tinha acontecido três vezes desde 1823, e nunca com essa frequência.
Por ser tão raro, pouco se sabia sobre o que inicia, sustenta e encerra esses episódios, explica o geofísico Ashton Flinders, do Observatório de Vulcões do Havaí, ligado ao Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), um dos autores.
Água ou espuma de gás?
Havia duas hipóteses principais. Na primeira, a água dissolvida no magma que sobe das profundezas escaparia de repente quando a pressão muda, provocando a explosão de lava. Na segunda, uma espuma rica em dióxido de carbono, acumulada sobre o magma preso, se expandiria violentamente, como a espuma de um refrigerante sacudido quando se abre a garrafa.
O Kilauea é o laboratório perfeito para testar as ideias. É um dos vulcões mais monitorados do mundo, com medições contínuas de tremores, temperatura, sons de baixa frequência, deformação do solo e gases.
O que os sensores mostraram
Antes de cada chafariz, o fundo da caldeira inchava e se inclinava, sinal de que o magma se acumulava embaixo. Com o tempo, apareceu um padrão a partir do 14º episódio: pouco antes da erupção, os instrumentos registravam uma sequência repetitiva de pulsos de energia sísmica e sons de baixa frequência, cada um com alguns minutos.
Segundo os pesquisadores, esses sinais estão ligados ao acúmulo e à liberação de gases presos no magma, que sobe e desce por condutos estreitos na rocha como um pistão de motor. O vulcão liberou algum dióxido de enxofre, mas relativamente pouco dióxido de carbono, o que enfraquece a hipótese da espuma.
Ainda há perguntas
Os autores ressaltam que o estudo é uma primeira olhada no fenômeno e que muitas questões continuam abertas, como por quanto tempo a sequência pode continuar e o que determina a altura de cada jato. Entender o mecanismo ajuda a prever episódios e a proteger quem vive e trabalha perto do vulcão.
Turismo e segurança
O Kilauea fica no Parque Nacional dos Vulcões do Havaí, um dos destinos turísticos mais procurados do arquipélago. Os chafarizes atraíram multidões, mas trazem riscos: cinzas, fragmentos de rocha vulcânica e gases tóxicos podem ser carregados pelo vento. As autoridades fecham áreas do parque durante os episódios mais fortes.
Perguntas frequentes
Qual a altura dos chafarizes do Kilauea?
Alguns chegaram a 457 metros, segundo o estudo.
O Kilauea está em erupção?
A erupção que começou em dezembro de 2024 produziu 54 episódios de chafarizes até setembro de 2026.
Com informações do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) e do estudo publicado na Science.
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