
Mais de 17 mil registros foram feitos desde julho, enquanto a espécie amplia sua presença em diferentes regiões alemãs.
O louva-a-deus deixou de ser uma presença rara na Alemanha e passou a ocupar novas áreas do país. Desde o início de julho de 2026, mais de 17 mil avistamentos foram comunicados à NABU, associação ambiental alemã, o dobro de todos os registros feitos durante o ano passado.
Os relatos indicam que o inseto, antes concentrado no sudoeste alemão, agora aparece com frequência ao longo do rio Reno, seus afluentes e em uma segunda área localizada entre Berlim e a Turíngia. A expansão é associada às temperaturas mais altas provocadas pelas mudanças climáticas.
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Durante muito tempo, o louva-a-deus era encontrado principalmente na região de Kaiserstuhl, próxima à cidade de Freiburg, no extremo sudoeste da Alemanha. O local reúne condições mais quentes e secas, favoráveis ao desenvolvimento da espécie.
Nos últimos anos, porém, a distribuição mudou. A população avançou pelo corredor do rio Reno e chegou até a região de Colônia. Outra população, isolada da primeira, está se expandindo em uma faixa situada entre Berlim e a Turíngia.
Segundo a NABU, os registros ainda devem crescer até setembro, quando o inseto continua visível em diferentes áreas. A associação mantém uma plataforma on-line para que moradores enviem fotografias e indiquem onde encontraram a espécie.
Segundo a NABU, mais de 17 mil louva-a-deus foram registrados na Alemanha desde o início de julho de 2026, número equivalente ao dobro do total observado em todo o ano de 2025.
Calor ajuda os ovos a sobreviver
O especialista da NABU Helge May afirma que o aumento das temperaturas é decisivo para a expansão. O motivo está no ciclo de reprodução do inseto: os ovos depositados pelas fêmeas precisam de calor para se desenvolver.
“Neste caso, as mudanças climáticas são o fator decisivo”, afirma Helge May, especialista da NABU.
O louva-a-deus passa boa parte da vida imóvel, camuflado entre plantas, à espera de uma presa. A estratégia reduz o gasto de energia e permite que o inseto ataque de forma repentina quando um animal se aproxima.
A captura é extremamente veloz. O movimento das patas dianteiras dura entre 50 e 60 milissegundos, cerca de seis vezes menos que o tempo necessário para uma piscada humana. A rapidez ajuda o predador a capturar outros insetos antes que eles consigam escapar.
Reprodução termina com a morte dos adultos
A espécie também é conhecida pelo comportamento reprodutivo incomum. Cerca de um terço dos machos morre logo depois do acasalamento, devorado pela fêmea.
Para a NABU, embora o comportamento pareça macabro, ele pode ser compreendido como parte da estratégia de sobrevivência da espécie. Depois do acasalamento, a fêmea precisa acumular energia para produzir os ovos.
Os adultos não sobrevivem ao inverno alemão. No outono, as fêmeas também morrem, mas deixam para trás cápsulas de ovos chamadas ootecas. Essas estruturas permanecem protegidas durante os meses frios e podem dar origem à nova geração quando as condições ficam novamente favoráveis.
Inseto não oferece risco às pessoas
Apesar da aparência marcante e das patas adaptadas para capturar presas, o louva-a-deus não representa perigo para os seres humanos. A espécie se alimenta de outros animais pequenos e não tem comportamento de ataque contra pessoas.
A identificação também costuma ser simples. De acordo com a NABU, 99,9% das fotografias enviadas à plataforma da associação mostram realmente um louva-a-deus. O corpo alongado, a cabeça móvel e as patas dianteiras dobradas ajudam a reconhecer o inseto.
O aumento dos registros não significa apenas que mais pessoas passaram a observar a natureza. Ele também mostra como alterações persistentes no clima podem modificar a distribuição de espécies, permitindo que animais antes restritos a áreas específicas ocupem novos ambientes.
O que o caso alemão revela sobre o clima
A expansão do louva-a-deus é um exemplo visível de uma mudança ecológica que pode passar despercebida em outras espécies. Quando temperaturas mais altas favorecem a reprodução, populações conseguem sobreviver em locais onde antes o frio limitava seu avanço.
O fenômeno interessa também a quem acompanha a biodiversidade na Amazônia. Em uma região marcada por grande diversidade de insetos e por mudanças no regime de chuvas, alterações de temperatura podem afetar ciclos reprodutivos, disponibilidade de alimento e áreas de ocorrência. Cada espécie responde de uma forma, por isso registros contínuos são importantes para identificar transformações.
Na Alemanha, a NABU depende da participação dos moradores para construir esse retrato. As fotografias ajudam a mapear o deslocamento do inseto e a entender quando ele aparece com maior frequência em cada região.
A associação recomenda que novos avistamentos sejam registrados na plataforma on-line, especialmente durante o restante do verão europeu. Os dados poderão ampliar o acompanhamento da espécie e indicar se a expansão continuará nos próximos anos.
Como registrar um avistamento
Moradores que encontrarem um louva-a-deus podem fotografar o animal e enviar a imagem à plataforma de observações mantida pela NABU. O registro deve incluir o local e, quando possível, a data do encontro.
O inseto não deve ser manipulado nem levado para outro ambiente. A observação à distância reduz o estresse do animal e evita interferências no ciclo natural de reprodução.
Até setembro, a expectativa é de que novos registros continuem sendo feitos em diferentes partes da Alemanha. A evolução dos avistamentos ajudará a mostrar se o episódio de 2026 é apenas uma concentração sazonal ou parte de uma mudança duradoura na distribuição da espécie.
Respostas rápidas
O louva-a-deus é perigoso?
Não. O inseto não representa perigo para as pessoas e se alimenta principalmente de outros animais pequenos.
Por que ele está aparecendo em novas regiões da Alemanha?
Segundo a NABU, o aumento das temperaturas favorece o desenvolvimento dos ovos e contribui para a expansão da espécie.
Até quando será possível encontrar o inseto?
A associação ambiental estima que os avistamentos continuem frequentes até setembro, durante o fim do verão europeu.
Com informações de NABU.
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