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Microplásticos já atingem brânquias de peixes amazônicos

Microplásticos já atingem brânquias de peixes amazônicos
Foto: agroemcampo.ig.com.br

Partículas foram encontradas em peixes, sedimentos e igarapés urbanos, ampliando o alerta sobre biodiversidade e segurança alimentar.

Pirarucu em ambiente amazônico
Pirarucu está entre as espécies amazônicas expostas à poluição por microplásticos. Foto: Divulgação/IDSM.

Microplásticos foram encontrados nas brânquias e no sistema digestivo de peixes amazônicos em levantamentos realizados em rios, igarapés, lagos e sedimentos da região. Os dados, reunidos em reportagem da Agência Pública publicada em agosto de 2026, indicam que a poluição já alcança diferentes ambientes e espécies, incluindo peixes de importância econômica e alimentar, como o pirarucu. O alerta envolve a saúde dos animais, a conservação da biodiversidade e a segurança alimentar de comunidades que dependem da pesca.

As partículas podem ser ingeridas junto com alimentos ou ficar retidas nas brânquias, estruturas responsáveis pelas trocas gasosas. O problema não está limitado a animais que vivem no fundo dos rios. Espécies com hábitos alimentares distintos, inclusive predadores, também foram expostas, sinal de que os resíduos podem circular pela cadeia alimentar.

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Partículas chegam às brânquias e ao trato digestivo

Um dos levantamentos citados analisou peixes das bacias dos rios Guamá e Acará-Capim, no Pará. Os pesquisadores identificaram 383 partículas de plástico, com média informada de 5,6 partículas por peixe. O material foi encontrado nas brânquias e no trato digestivo de praticamente todos os animais avaliados.

A presença nas brânquias é especialmente relevante porque o contato direto pode provocar irritações, lesões físicas e alterações no funcionamento respiratório. Também há preocupação com possíveis efeitos sobre o sistema imunológico, embora a intensidade desses impactos dependa da espécie, do tipo de plástico, do tamanho das partículas e do tempo de exposição.

Segundo a Agência Pública, partículas de microplástico foram encontradas em peixes das bacias dos rios Guamá e Acará-Capim, no Pará, em levantamentos divulgados em agosto de 2026.

Pirarucu pode ter exposição adicional

O pirarucu apresenta uma característica que amplia a preocupação. A espécie consegue respirar o ar atmosférico por meio de uma bexiga natatória modificada, estrutura que funciona de forma semelhante a um pulmão. Em águas com pouco oxigênio, o animal precisa subir regularmente à superfície para respirar.

Essa adaptação pode aumentar o contato com partículas concentradas na camada superficial da água. Pesquisadores ouvidos pela reportagem levantam a possibilidade de que microplásticos alcancem o órgão respiratório aéreo e provoquem obstruções ou inflamações. Essa hipótese, porém, ainda precisa ser confirmada por estudos específicos. Não há, no material disponível, comprovação experimental de que esse mecanismo ocorra de forma recorrente em populações naturais de pirarucu.

A espécie é estratégica para a Amazônia. Além de integrar a biodiversidade dos rios e lagos da região, o pirarucu sustenta cadeias de pesca manejada e contribui para a alimentação e a renda de comunidades no Amazonas, Pará, Acre, Rondônia, Roraima, Amapá e Tocantins.

Igarapés urbanos concentram o problema

Grandes rios, como Amazonas, Negro, Tapajós e Tocantins, podem apresentar concentrações menores em determinados pontos por causa do volume de água. Isso não significa ausência de contaminação. A diluição pode esconder fontes permanentes de resíduos, sobretudo quando o monitoramento é pontual e não acompanha os ciclos de cheia e seca.

Em igarapés próximos a áreas urbanas, a situação tende a ser mais crítica. Esses cursos d’água recebem lixo descartado irregularmente, esgoto e resíduos transportados pela drenagem das cidades. Em Manaus, pesquisas citadas pela Agência Pública registraram até 74.550 partículas de microplástico por metro cúbico em igarapés urbanos. A metodologia, a data da coleta e a distribuição dos pontos de amostragem precisam ser consultadas no estudo original para permitir comparação direta com outras áreas.

Durante a cheia, a conexão entre rios, lagos, áreas de várzea e florestas inundáveis facilita o transporte dos poluentes. Na seca, a redução do volume de água pode concentrar partículas em canais, sedimentos e ambientes isolados. Essa dinâmica torna insuficiente uma fotografia única da contaminação amazônica.

Entenda o caso

Microplásticos são partículas plásticas geralmente menores que cinco milímetros, originadas da fragmentação de objetos maiores ou de produtos e materiais que já chegam ao ambiente em dimensões reduzidas.

Na Amazônia, esses resíduos podem ser transportados por rios, acumular-se em sedimentos e ser ingeridos por peixes. O risco varia conforme o habitat, o comportamento alimentar e as características físicas de cada espécie.

Os dados disponíveis mostram exposição ambiental, mas ainda não permitem concluir qual é o impacto do consumo desses peixes sobre a saúde humana. A relação entre contaminação, dose ingerida e efeitos no organismo continua em investigação.

Fundo dos rios também funciona como reservatório

A contaminação não está restrita à superfície. O tamoatá, peixe associado ao fundo de lagos e áreas de várzea, alimenta-se de detritos presentes nos sedimentos, ambiente onde partículas podem se acumular. No sedimento do rio Negro, a concentração estimada chegou a aproximadamente 13 milhões de partículas por metro cúbico.

Experimentos citados na reportagem indicaram que pequenas quantidades de microplásticos na alimentação do tamoatá podem estar associadas ao aumento do estresse e à perda de peso. O resultado não deve ser generalizado para todas as espécies. Ainda faltam pesquisas que reproduzam diferentes condições de temperatura, alimentação, qualidade da água e duração da exposição.

Alerta alcança a segurança alimentar

A contaminação ganha dimensão social porque o pescado é um dos principais alimentos da população amazônica. O material informa que o consumo médio no Amazonas é de cerca de 14 quilos de peixe por pessoa ao ano, aproximadamente cinco vezes a média nacional de 2,8 quilos. Esses números devem ser [CHECAR] no estudo ou levantamento estatístico original antes da publicação definitiva.

Em comunidades ribeirinhas, o consumo pode ser ainda maior, mas a ausência de dados padronizados dificulta estimar a exposição real. Também não há evidência suficiente para afirmar que a presença de microplásticos em peixes represente, por si só, risco comprovado à saúde humana. A possibilidade de ingestão existe, mas depende da quantidade, do preparo, da parte consumida e da composição das partículas.

A Amazônia abriga mais de 3 mil espécies de peixes, segundo a estimativa apresentada no material. O número exato e a abrangência taxonômica também precisam ser [CHECAR], já que novas espécies são descritas continuamente e diferentes bases adotam critérios distintos.

Os próximos passos incluem ampliar a coleta nos estados amazônicos, padronizar métodos de análise e acompanhar a variação entre cheia e seca, enquanto estudos específicos devem avaliar os efeitos fisiológicos e os riscos para a pesca regional.

Perguntas frequentes

O que são microplásticos?

São partículas plásticas menores que cinco milímetros. Podem resultar da degradação de embalagens e objetos ou chegar ao ambiente já em tamanho reduzido.

Os microplásticos fazem mal aos peixes?

Há evidências de ingestão e contato com brânquias, além de possíveis efeitos como estresse e perda de peso em experimentos. A intensidade do dano varia entre espécies e ainda está sendo estudada.

Comer peixe amazônico contaminado oferece risco comprovado?

Não há dados suficientes para estabelecer esse risco de forma conclusiva. A exposição pela alimentação é possível, mas depende da concentração e das características das partículas.

Com informações de Agência Pública.

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