Monumento de Yonaguni: a estrutura gigante debaixo do mar do Japão é obra humana ou da natureza?

Monumento de Yonaguni: a estrutura gigante debaixo do mar do Japão é obra humana ou da natureza?
Foto: Melkov/Wikimedia Commons (CC0). Mergulhador sobre o terraço principal do Monumento de Yonaguni, no Japão.

A pouco mais de 100 quilômetros de Taiwan, no extremo sul do Japão, uma formação de rocha debaixo do mar intriga mergulhadores e cientistas há quase 40 anos. O Monumento de Yonaguni, perto da ilha de mesmo nome, no arquipélago de Okinawa, tem degraus, terraços planos, paredes retas e ângulos que lembram uma construção. A estrutura principal mede cerca de 50 metros de comprimento por 20 de largura, com o topo a poucos metros da superfície e a base a cerca de 25 metros de profundidade. Desde a descoberta, em 1986, a pergunta é a mesma: foi feita por mãos humanas ou pela natureza? A maioria dos geólogos que estudaram o local aponta origem natural.

A descoberta

A formação foi encontrada em 1986 por Kihachiro Aratake, um instrutor de mergulho da ilha que procurava pontos para observar tubarões-martelo. As imagens de grandes blocos com faces lisas e degraus regulares logo atraíram pesquisadores, curiosos e defensores de teorias sobre civilizações perdidas.

A tese de que é obra humana

O principal defensor da origem humana é o geólogo marinho Masaaki Kimura, professor emérito da Universidade de Ryukyu, em Okinawa, que mergulhou dezenas de vezes no local. Para ele, a estrutura seria parte de uma construção antiga que afundou quando o nível do mar subiu depois da última era glacial. Kimura aponta o que interpreta como degraus esculpidos, canais de drenagem e marcas que seriam de ferramentas.

A explicação geológica

A maior parte dos especialistas discorda. O geólogo americano Robert Schoch, da Universidade de Boston, que também mergulhou em Yonaguni, concluiu que as formas são naturais. A rocha é um arenito em camadas, com fraturas paralelas e perpendiculares. Com a ação das ondas, das correntes e dos terremotos, frequentes na região, os blocos se partem ao longo dessas linhas e deixam degraus e faces planas.

Segundo os geólogos que defendem essa explicação, o mesmo padrão aparece em rochas da própria ilha de Yonaguni, fora d’água. Eles também observam que não foram encontrados no local vestígios que costumam acompanhar construções humanas, como restos de ferramentas, cerâmica ou estruturas associadas.

O que diz o governo japonês

A formação não é reconhecida como patrimônio cultural pelos órgãos culturais do Japão nem pelo governo de Okinawa, e não há escavação arqueológica oficial no local. Na prática, é tratada como um ponto de mergulho, um dos mais procurados da região.

Por que a dúvida continua

A natureza é capaz de produzir formas muito regulares. Rochas que se partem em ângulos retos aparecem em vários lugares do planeta, como a Calçada dos Gigantes, na Irlanda do Norte, formada por colunas de basalto. Em Yonaguni, a combinação de rocha em camadas, fraturas geométricas e água límpida cria um cenário que parece desenhado.

Para que a origem humana fosse aceita, seria preciso encontrar evidências arqueológicas claras, como objetos datados ou marcas de ferramenta confirmadas por outros pesquisadores. Até agora, isso não aconteceu.

Mares que subiram

Uma parte da tese de Kimura não está em discussão: no fim da última era glacial, há cerca de 10 mil anos, o nível do mar era bem mais baixo, e áreas hoje submersas ficavam em terra firme. Por isso, sítios arqueológicos submersos existem em vários lugares do mundo. A questão em Yonaguni não é se o mar subiu, mas se havia alguém ali construindo.

Perguntas frequentes

Onde fica o Monumento de Yonaguni?

No fundo do mar perto da ilha de Yonaguni, no extremo sul do Japão, a cerca de 100 km de Taiwan.

Quando foi descoberto?

Em 1986, pelo instrutor de mergulho Kihachiro Aratake.

É uma pirâmide?

Tem degraus e terraços que lembram uma, mas a maioria dos geólogos considera a formação natural.

Quem diz que é obra humana?

Principalmente o geólogo Masaaki Kimura, da Universidade de Ryukyu.

Enquanto o debate continua, o monumento segue atraindo mergulhadores do mundo inteiro, principalmente no inverno, quando os cardumes de tubarão-martelo passam pela região.

Com informações de estudos de Masaaki Kimura, da Universidade de Ryukyu, e de Robert Schoch, da Universidade de Boston.

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