
Uma árvore aparentemente comum chamou a atenção dos moradores de Hurdegaryp, um vilarejo localizado na província da Frísia, no norte da Holanda. Entre os galhos e as folhas, estavam escondidas 14 corujas que praticamente desapareciam na paisagem.
A descoberta foi divulgada pelo portal regional Waldnet.nl e revelou uma característica impressionante dessas aves: a capacidade de permanecer imóveis e se confundir com a vegetação, dificultando sua identificação até mesmo a poucos metros de distância.
O detalhe que ajudou a revelar o grupo foram os olhos alaranjados. Depois que os primeiros animais foram percebidos, tornou-se possível identificar outras corujas distribuídas pela mesma árvore.
Moradores encontraram 14 corujas em uma única árvore
O registro aconteceu em uma região residencial da Holanda, onde moradores perceberam algo diferente entre os galhos. Inicialmente, a árvore parecia abrigar apenas folhas e pequenos ramos.
Ao observar com mais atenção, os visitantes notaram os olhos de uma coruja. Em seguida, descobriram que havia outras aves escondidas no mesmo local, totalizando 14 indivíduos.
A quantidade chamou atenção porque normalmente associamos corujas à imagem de animais solitários, pousados em árvores durante o dia e ativos principalmente à noite.
Entretanto, determinadas espécies podem formar agrupamentos durante períodos específicos do ano, especialmente fora da época reprodutiva.
Plumagem faz as corujas desaparecerem na paisagem
As aves identificadas pertencem à espécie Asio otus, conhecida como coruja-de-orelhas-longas. Sua plumagem apresenta uma combinação de tons marrons, acinzentados e bege, com marcas que lembram a textura da madeira.
Quando permanecem paradas entre os galhos, essas cores ajudam a esconder o contorno do corpo. A camuflagem fica ainda mais eficiente quando a ave mantém uma postura alongada e próxima ao tronco.
Esse mecanismo de proteção é importante porque permite descansar durante o dia com menor exposição a possíveis ameaças.
As falsas orelhas também ajudam no disfarce
Uma das características mais marcantes da espécie são as penas alongadas no alto da cabeça, que lembram pequenas orelhas.
Apesar da aparência, essas estruturas não são os órgãos responsáveis pela audição. São tufos de penas que participam da expressão corporal e modificam a silhueta da cabeça.
Em determinadas posições, os tufos ajudam a quebrar o formato arredondado da ave, tornando sua aparência mais semelhante à de partes da vegetação.
É uma adaptação que contribui para o disfarce e torna a identificação mais difícil para observadores desatentos.
Por que tantas corujas ficam juntas no inverno?
A coruja-de-orelhas-longas apresenta um comportamento conhecido como dormitório coletivo. Durante o inverno europeu, vários indivíduos podem utilizar a mesma árvore para descansar durante o dia.
Esses agrupamentos são encontrados principalmente fora do período de reprodução, quando as aves toleram melhor a proximidade de outros indivíduos da mesma espécie.
Alguns dormitórios podem reunir dezenas de corujas, dependendo da disponibilidade de locais protegidos e das condições ambientais.
As vantagens exatas desses agrupamentos ainda são estudadas, mas a escolha de árvores com cobertura densa ajuda a oferecer abrigo durante as horas de descanso.
Olhos alaranjados foram o detalhe mais impressionante
Enquanto o corpo das aves se confundia com a madeira, os olhos alaranjados criavam um contraste marcante com a vegetação.
Essa característica facilitou a identificação dos animais, especialmente depois que os observadores perceberam onde estavam posicionados.
As corujas possuem adaptações visuais importantes para atividades em condições de baixa luminosidade. Entretanto, a coloração da íris não determina, sozinha, a capacidade de enxergar no escuro.
No episódio holandês, os olhos tiveram principalmente um papel visual: revelaram a presença de aves que estavam praticamente invisíveis entre os galhos.
Corujas descansam de dia e caçam à noite
A espécie costuma realizar grande parte de suas atividades de caça durante a noite, quando procura pequenos animais em campos e áreas abertas.
Roedores estão entre suas principais presas, o que torna essas aves importantes para o equilíbrio de determinados ecossistemas.
Durante o dia, procuram locais protegidos para descansar, evitando movimentos desnecessários e exposição prolongada.
Por isso, uma árvore com boa cobertura vegetal pode funcionar como abrigo para vários indivíduos que passaram a noite procurando alimento.
A presença de muitas corujas no mesmo poleiro não significa que todas estejam caçando juntas.
Aproximação de curiosos pode prejudicar as aves
Apesar de despertar interesse, encontrar um dormitório coletivo exige cuidado. Aproximações excessivas podem assustar as corujas e provocar a saída repentina dos animais.
Esse comportamento interrompe o descanso e pode aumentar o gasto de energia durante um período em que as aves procuram permanecer protegidas.
Por isso, a recomendação é observar de longe, utilizando binóculos ou equipamentos fotográficos que permitam registrar imagens sem perturbar o grupo.
Também é importante evitar barulhos, flashes direcionados aos animais e tentativas de fazê-los abrir as asas para fotografias.
Brasil também possui corujas muito bem camufladas
Embora a espécie encontrada na Holanda não seja típica do Brasil, diversas corujas brasileiras também possuem características que ajudam a esconder sua presença.
A coruja-orelhuda, por exemplo, apresenta tufos de penas na cabeça e uma plumagem que favorece o disfarce em ambientes arborizados.
Outras espécies podem permanecer imóveis durante o dia, aproveitando a coloração das penas para se confundir com troncos e galhos.
Já a coruja-buraqueira utiliza principalmente áreas abertas e costuma ser encontrada próxima ao solo, onde sua coloração também contribui para a camuflagem.
Como perceber uma coruja escondida na árvore?
Para observadores de aves, identificar uma coruja camuflada exige paciência. Em vez de procurar apenas o corpo inteiro do animal, vale observar diferenças sutis na textura dos galhos.
A presença de um contorno incomum, uma cabeça arredondada ou olhos destacados pode indicar que existe uma ave descansando entre as folhas.
Entretanto, é importante não se aproximar excessivamente para confirmar a descoberta. O uso de binóculos permite observar com maior segurança e menor interferência.
Também não se deve tocar em ninhos, remover galhos ou tentar alimentar animais silvestres.
Descoberta mostra como a natureza consegue surpreender
O encontro das 14 corujas em Hurdegaryp demonstra como animais relativamente grandes podem passar despercebidos mesmo em locais frequentados por pessoas.
A combinação entre plumagem camuflada, postura imóvel e escolha de árvores protegidas permite que essas aves encontrem abrigo durante o dia.
O agrupamento também revela um comportamento pouco conhecido de determinadas espécies, que podem compartilhar dormitórios durante o inverno.
O detalhe mais impressionante é que as 14 corujas estavam à vista de todos, mas quase ninguém conseguiria identificá-las imediatamente. Bastou perceber os primeiros olhos alaranjados para que uma árvore aparentemente comum revelasse um grupo inteiro de aves escondidas entre seus galhos.
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