
Empresa dinamarquesa reduziu 98% das emissões desde 2006 e encerrou última usina a carvão em 2024.
A Ørsted, antiga empresa estatal de petróleo e gás da Dinamarca, concluiu em 2025 uma das transformações corporativas mais radicais do setor energético global. Segundo dados oficiais divulgados pela companhia, 99% da geração de energia da empresa vem agora de fontes renováveis, com redução de 98% nas emissões diretas (escopo 1 e 2) desde 2006. A mudança consolida a Ørsted como líder mundial em capacidade instalada de energia eólica offshore, com 10,2 GW já em operação e 8,1 GW em construção.
O fechamento da última termelétrica a carvão da Ørsted, localizada em Esbjerg (Dinamarca), em 2024, marcou o fim definitivo do legado fóssil da companhia. Fundada em 2006 como DONG Energy, sigla de Dansk Olie og Naturgas (Petróleo e Gás Natural Dinamarquês), a empresa era então uma das mais intensivas em carvão da Europa, responsável por um terço das emissões de carbono da Dinamarca.
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A DONG havia sido criada pelo governo dinamarquês em 1973, em resposta à crise do petróleo, com o objetivo de explorar reservas de óleo e gás no Mar do Norte e reduzir a dependência de importações. Em 2006, a fusão com outras cinco empresas dinamarquesas de energia formou a DONG Energy, que herdou tanto a operação fóssil quanto o primeiro parque eólico offshore do mundo: Vindeby, inaugurado em 1991 com 11 turbinas.
Em 2008, 85% da geração de calor e eletricidade da DONG Energy ainda vinha de combustíveis fósseis. A empresa assumiu então o compromisso de inverter essa proporção em 40 anos. A meta foi atingida em apenas dez. A companhia abandonou novos projetos de carvão, fechou usinas existentes e apostou na viabilidade financeira da eólica offshore, à medida que a tecnologia amadurecia e os projetos ganhavam escala.
Redução de custos e expansão global
Em 2009, a DONG Energy fez uma encomenda estratégica de 500 turbinas eólicas de 3,6 MW à Siemens, mais do que toda a capacidade offshore instalada no mundo na época. A decisão criou economia de escala e garantiu cadeia de fornecimento estável, permitindo reduzir custos de construção e operação.
Em 2016, a empresa conseguiu tornar a eólica offshore competitiva com termelétricas a carvão e gás pela primeira vez, igualando o custo por MWh de energia gerada. Naquele ano, a DONG Energy abriu capital na segunda maior oferta pública inicial (IPO) do mundo, atraindo investidores com foco em energia renovável.
Em 2017, a companhia concluiu a venda de todo o negócio de petróleo e gás e mudou o nome para Ørsted, em homenagem ao físico dinamarquês Hans Christian Ørsted, descobridor do eletromagnetismo. A nova identidade refletia a visão corporativa de “um mundo movido inteiramente por energia verde”.

Entenda a transformação
Entre 2006 e 2025, a Ørsted passou de empresa fóssil para líder global em eólica offshore. A mudança envolveu fechamento e conversão de usinas a carvão para biomassa sustentável, desinvestimento total em óleo e gás, e expansão geográfica para América do Norte e Ásia-Pacífico. A empresa foi a primeira do setor energético a definir meta líquida zero validada pela iniciativa Science Based Targets para toda a cadeia de valor (escopos 1, 2 e 3), a ser atingida até 2040.
Nova estratégia focada em mercados centrais
Em 2025, a Ørsted anunciou priorização de projetos eólicos offshore de fundo fixo em cinco mercados principais: Reino Unido, Países Baixos, Alemanha, Polônia e Dinamarca. A companhia seguirá crescendo em Taiwan, Coreia do Sul e Austrália, e manterá presença nos Estados Unidos, onde também opera parques eólicos onshore e solares lucrativos. A empresa desinvestiu de operações eólicas terrestres na Europa.
Com sede na Dinamarca e cerca de 7.700 funcionários, a Ørsted possui capacidade total instalada de mais de 18 GW em renováveis, incluindo eólica onshore, solar, armazenamento de energia e bioenergética. Em 2025, o lucro operacional da companhia (excluindo novas parcerias e taxas de cancelamento) foi de 25,1 bilhões de coroas dinamarquesas (3,4 bilhões de euros).
Perguntas frequentes
Por que a DONG Energy mudou de nome para Ørsted?
A mudança ocorreu em 2017, após a empresa vender toda a operação de petróleo e gás. O novo nome homenageia o físico dinamarquês Hans Christian Ørsted, que descobriu o eletromagnetismo, e reflete o foco exclusivo em energia verde.
Qual a capacidade instalada de eólica offshore da Ørsted?
A Ørsted possui 10,2 GW de capacidade eólica offshore já em operação e 8,1 GW em construção, liderando o mercado global em capacidade instalada nessa tecnologia.
Quando a Ørsted pretende atingir emissões líquidas zero?
A empresa estabeleceu meta de emissões líquidas zero para toda a cadeia de valor (escopos 1, 2 e 3) até 2040, validada pela iniciativa Science Based Targets. Até 2025, já reduziu 98% das emissões diretas em comparação com 2006.
A meta para 2028 inclui manter liderança global em eólica offshore, consolidar-se como melhor empregador do setor e ser reconhecida mundialmente como referência em sustentabilidade.
Com informações da Ørsted.
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