Revisão com quase 30 mil fumantes aponta qual método ajudou mais gente a largar o cigarro, mas no Brasil o produto continua proibido

Revisão com quase 30 mil fumantes aponta qual método ajudou mais gente a largar o cigarro, mas no Brasil o produto continua proibido
Cinzeiro com bitucas de cigarro. Foto: Santeri Viinamäki, via Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 4.0.

O cigarro continua sendo a principal causa evitável de doença e morte no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o tabaco mata mais de 7 milhões de pessoas por ano, incluindo 1,6 milhão de não fumantes expostos à fumaça. Uma revisão científica que reúne quase 30 mil participantes comparou os métodos para parar de fumar, e o resultado reacende um debate delicado.

O que a revisão encontrou

A revisão, da rede Cochrane, é atualizada continuamente à medida que surgem novos estudos. A versão mais recente inclui 80 ensaios clínicos com 29.861 participantes. Os pesquisadores encontraram evidência de alta certeza de que cigarros eletrônicos regulados, com nicotina, ajudaram mais pessoas a parar de fumar do que a reposição de nicotina com adesivos e gomas: cerca de 4 pessoas a mais a cada 100.

Eles também tiveram resultado melhor que cigarros eletrônicos sem nicotina e que o apoio comportamental ou a tentativa sem ajuda, embora a confiança nessa última comparação seja menor.

As ressalvas

As conclusões valem apenas para produtos regulados e testados. Segundo a pesquisadora Jamie Hartmann-Boyce, da Universidade de Massachusetts Amherst, muitos produtos no mercado não seguem esses padrões, e os não licenciados podem ser perigosos, com baterias instáveis e substâncias nocivas. Produtos ilegais e os que contêm outras substâncias, como THC, têm riscos diferentes.

Os autores não encontraram aumento de danos graves no uso para parar de fumar, mas dizem que faltam estudos de longo prazo. A OMS e outras organizações alertam que esses produtos expõem o usuário à nicotina e a outras substâncias e que o uso entre jovens pode levar à dependência e ao cigarro comum.

Para a pesquisadora Nicola Lindson, da Universidade de Oxford, autora principal, parar de fumar é difícil, e ter várias opções ajuda as pessoas a continuarem tentando.

No Brasil, é proibido

No Brasil, a situação é diferente. A Anvisa proíbe a venda, a importação e a propaganda de cigarros eletrônicos desde 2009 e manteve a proibição em 2024, citando os riscos à saúde e o avanço do uso entre adolescentes. Os produtos vendidos de forma irregular no país não passam por nenhum controle de qualidade, exatamente o tipo de produto que os próprios autores da revisão consideram perigoso.

Ajuda gratuita no SUS

Quem quer parar de fumar no Brasil pode procurar o tratamento oferecido de graça pelo SUS nas unidades básicas de saúde. Ele inclui acompanhamento com profissionais de saúde, grupos de apoio e, quando indicado, medicamentos como adesivos, gomas e pastilhas de nicotina e a bupropiona. Informações também estão disponíveis pelo Disque Saúde, no número 136.

O Brasil é considerado referência mundial no controle do tabaco e foi um dos países que mais reduziram o número de fumantes nas últimas décadas.

Perguntas frequentes

Cigarro eletrônico é permitido no Brasil?

Não. A Anvisa proíbe venda, importação e propaganda desde 2009.

Onde buscar ajuda para parar de fumar?

Nas unidades básicas de saúde do SUS, que oferecem tratamento gratuito, ou pelo Disque Saúde 136.

Com informações da revisão Cochrane e da Organização Mundial da Saúde.

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