
Espécie foi novamente classificada como criticamente em perigo após revisão da lista oficial do governo federal.
O peixe-boi-marinho voltou à categoria Criticamente em Perigo, o nível máximo de risco de extinção previsto na lista oficial brasileira. A mudança foi publicada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima em junho de 2026, por meio da Portaria nº 1.704, e afeta a espécie Trichechus manatus, encontrada principalmente no litoral do Nordeste.
A população brasileira é estimada em cerca de 1.100 indivíduos. Segundo o Projeto Viva o Peixe-Boi-Marinho, da Fundação Mamíferos Aquáticos, a nova classificação representa uma correção científica da avaliação feita em 2014, quando a espécie havia sido rebaixada para a categoria Em Perigo.
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A alteração não significa, necessariamente, que tenha ocorrido uma queda repentina no número de animais nos últimos meses. A interpretação dos especialistas é que o peixe-boi-marinho já apresentava, em 2014, condições compatíveis com o grau mais grave de ameaça.
Estudos conduzidos por diferentes pesquisadores chegaram a conclusões semelhantes sobre a vulnerabilidade da espécie. O retorno à categoria Criticamente em Perigo atualiza o reconhecimento oficial da situação enfrentada pelo mamífero aquático em águas brasileiras.
Segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, o peixe-boi-marinho está classificado como Criticamente em Perigo na lista nacional oficial de espécies ameaçadas desde a publicação da Portaria nº 1.704, em junho de 2026.
Entenda o caso
O peixe-boi-marinho ocupava uma área mais ampla da costa brasileira no passado. Hoje, a população está concentrada sobretudo em trechos do litoral nordestino, onde depende de estuários, manguezais, rios e áreas costeiras rasas para alimentação, reprodução e abrigo.
Em 2014, a espécie passou para a categoria Em Perigo. Doze anos depois, a revisão oficial devolveu o animal ao nível Criticamente em Perigo, considerado o maior alerta antes da extinção na natureza.
Ameaças estão dentro e fora da água
A perda e a degradação dos habitats são alguns dos principais problemas para a sobrevivência da espécie. A ocupação desordenada do litoral, a redução de áreas de manguezal e a alteração de rios e estuários diminuem os espaços usados pelos animais.
A pesca também representa risco. Peixes-bois podem ficar presos acidentalmente em redes e outros equipamentos. Como precisam subir à superfície para respirar, o emaranhamento pode provocar afogamento, ferimentos graves ou morte.
A poluição marinha agrava o cenário. Resíduos sólidos, contaminação da água e redução da qualidade ambiental afetam a alimentação e a saúde dos animais. Colisões com embarcações também estão entre as ameaças registradas no litoral brasileiro.
Para uma população pequena e fragmentada, cada morte tem impacto relevante. A baixa quantidade de indivíduos aumenta a vulnerabilidade a doenças, acidentes, perda de diversidade genética e dificuldades de reprodução.

O que acontece na Amazônia
Embora o peixe-boi-marinho esteja associado principalmente ao Nordeste, o alerta também interessa à Amazônia. A região concentra extensos ambientes costeiros, estuarinos e de manguezal no Amapá, Pará e Maranhão, além de áreas conectadas à dinâmica do oceano Atlântico.
O peixe-boi amazônico, Trichechus inunguis, é outra espécie, adaptada à vida em rios e lagos da bacia amazônica. Já o peixe-boi-marinho ocupa ambientes costeiros e pode utilizar áreas próximas a desembocaduras de rios. As duas espécies enfrentam ameaças relacionadas à degradação ambiental, captura acidental e pressão humana.
A conservação dos manguezais e dos estuários amazônicos contribui para a proteção de toda a cadeia ecológica costeira. Esses ambientes funcionam como áreas de alimentação, abrigo e reprodução para diferentes espécies, além de reduzirem a erosão e ajudarem na proteção da costa.
O caso de Sergipe
No fim dos anos 1990, o peixe-boi-marinho chegou a ser considerado extinto no litoral de Sergipe. A situação mudou com a reintrodução do macho Astro, acompanhado pelo Projeto Viva o Peixe-Boi-Marinho.
Desde então, Astro passou a circular entre o Rio Vaza-Barris, em Sergipe, e Mangue Seco, na Bahia. O deslocamento mostra que ações de reintrodução e monitoramento podem recuperar a presença da espécie em áreas onde ela havia desaparecido.
O caso, porém, não elimina os riscos. A existência de pouco mais de mil animais em toda a costa brasileira revela que a recuperação ainda é frágil e exige acompanhamento permanente, proteção dos habitats e redução dos acidentes com embarcações e equipamentos de pesca.
O que a nova classificação muda
A inclusão na categoria Criticamente em Perigo reforça a necessidade de políticas públicas específicas para a espécie. A classificação também orienta ações de fiscalização, pesquisa, monitoramento, educação ambiental e proteção de áreas importantes para a sobrevivência dos animais.
Projetos de conservação dependem da identificação dos locais de ocorrência, do acompanhamento dos indivíduos e da participação das comunidades costeiras. Pescadores, moradores, turistas e operadores de embarcações podem ajudar ao comunicar avistamentos e reduzir a velocidade em áreas de presença conhecida.
A proteção do peixe-boi-marinho exige ainda integração entre órgãos ambientais, universidades, organizações de conservação e comunidades locais. Os próximos passos devem envolver a aplicação das medidas previstas para espécies criticamente ameaçadas e a continuidade das pesquisas populacionais no litoral brasileiro.
Perguntas frequentes
O que significa Criticamente em Perigo?
É a categoria de maior risco de extinção na natureza dentro da lista oficial brasileira de espécies ameaçadas. Ela indica que a espécie enfrenta risco extremamente elevado e precisa de ações urgentes de conservação.
Quantos peixes-bois-marinhos existem no Brasil?
As estimativas citadas pelo Projeto Viva o Peixe-Boi-Marinho indicam cerca de 1.100 indivíduos no litoral nordestino.
Como ajudar na proteção do peixe-boi-marinho?
É possível evitar o descarte de resíduos no mar, respeitar áreas protegidas, reduzir a velocidade de embarcações em zonas de ocorrência e comunicar encalhes ou animais feridos às autoridades ambientais.
Com informações do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e da Fundação Mamíferos Aquáticos.
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