
Um peixinho de pedra com menos de 5 centímetros, colocado num túmulo às margens do Lago Baikal, na Sibéria, há cerca de 7.600 anos, é a isca de pesca em pedra mais antiga já registrada na região de Olkhon. A peça foi descrita pelos arqueólogos D. E. Kichigin, da Universidade Técnica Nacional de Pesquisa de Irkutsk, e A. V. Kharinsky, da mesma universidade e da Universidade Estadual de Irkutsk, na revista Archaeology, Ethnology and Anthropology of Eurasia. Ela foi encontrada no sepultamento número 3 do sítio Khuzhir-Nuge-9 e pertence à cultura Kitoi, do início do Neolítico.
A peça
A miniatura foi esculpida em xisto cinzento e mede 4,85 centímetros de comprimento, 1,3 centímetro de altura e 0,6 centímetro de espessura. Tem o dorso definido, a boca marcada e pequenos detalhes que representam os olhos. Um sulco circular profundo contorna o meio do corpo. Segundo os autores, ele servia para amarrar a peça a uma linha ou a outras partes do equipamento de pesca.
Objetos parecidos encontrados no Baikal são interpretados como iscas artificiais para atrair peixes predadores. A isca de pedra afundava na água e, movimentada pela linha, imitava um peixe pequeno. Ela podia ser usada a partir de barcos ou em buracos abertos no gelo, uma técnica de pesca no inverno que ainda existe na região.
O túmulo
Segundo o artigo, a cova tinha forma oval e até 37 centímetros de profundidade. Por cima, havia uma estrutura plana e arredondada de pedras, com cerca de 3,5 metros de diâmetro. A pessoa foi enterrada deitada sobre o lado direito, com as pernas dobradas e a cabeça voltada para o norte, e a cova foi coberta com ocre, um pigmento mineral avermelhado comum em rituais funerários pré-históricos.
Os ossos estavam mal preservados, e não foi possível saber o sexo nem a idade da pessoa. Junto com o peixe de pedra, os arqueólogos encontraram um instrumento grande feito de osso, um raspador, microlâminas e lascas de jaspe, calcedônia e sílex, entre outros objetos. A datação por radiocarbono, feita em dentes do sepultamento, indicou cerca de 7.600 anos.
A mais antiga da região
Até agora, as iscas de pedra mais antigas conhecidas na área de Olkhon tinham cerca de 7.400 anos. A peça de Khuzhir-Nuge-9 é de 150 a 200 anos mais velha. Com base nessa datação e em coleções de outros pontos do litoral do Baikal, os autores concluem que as iscas em miniatura feitas de pedra já eram usadas no início do Neolítico e provavelmente continuaram em uso até o Neolítico médio, entre o sexto e o quinto milênio antes de Cristo.
O achado também mostra que objetos ligados à pesca faziam parte dos rituais funerários da cultura Kitoi há 7.600 anos. Os pesquisadores dizem que a peça pode refletir a identidade ou as atividades da pessoa enterrada, mas que não é possível afirmar se ela tinha um significado simbólico ou religioso.
Quem eram os Kitoi
A cultura Kitoi reunia grupos de caçadores, coletores e pescadores que viveram em volta do Lago Baikal no início do Neolítico. Seus cemitérios estão entre os mais estudados da Sibéria. Nos túmulos, são comuns anzóis compostos, feitos de pedra e osso, e figuras em miniatura. Estudos sobre a escultura portátil do Baikal mostram que a maior parte das figuras antigas representa peixes, muitas com furos para pendurar, o que reforça a ideia de que eram usadas como isca.
O lago
O Baikal é o lago mais profundo e mais antigo do mundo e guarda cerca de 20% da água doce não congelada da superfície do planeta, segundo a Unesco, que o declarou Patrimônio Mundial. Seus peixes alimentaram os povos da região por milhares de anos, e a pesca continua sendo parte da vida das comunidades locais.
Perguntas frequentes
O que foi encontrado?
Uma miniatura de peixe esculpida em xisto, usada como isca de pesca, dentro de um túmulo.
Qual a idade da peça?
Cerca de 7.600 anos, segundo datação por radiocarbono feita em dentes do sepultamento.
Onde fica o sítio?
Em Khuzhir-Nuge-9, na região de Olkhon, às margens do Lago Baikal, na Sibéria.
Por que a descoberta é importante?
Porque a peça é a isca de pedra mais antiga já registrada na região e mostra que a pesca fazia parte dos rituais funerários da cultura Kitoi.
Para os autores, o achado ajuda a datar com mais precisão quando os pescadores do Baikal passaram a fabricar iscas de pedra, uma tecnologia que atravessou pelo menos dois milênios na região.
Com informações do artigo de D. E. Kichigin e A. V. Kharinsky publicado na revista Archaeology, Ethnology and Anthropology of Eurasia e da Unesco.
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