
Com o focinho comprido, a cauda listrada sempre levantada e o jeito curioso, o quati é um dos animais silvestres mais fáceis de ver no Brasil. Ele aparece em trilhas, parques, áreas de camping e até em bairros perto de matas. Por isso, a pergunta é comum: quati morde? A resposta curta é que ele pode morder e arranhar, mas quase sempre isso acontece quando o animal se acostumou a receber comida das pessoas.
Quem é o quati
O quati-de-cauda-anelada (Nasua nasua) vive em quase toda a América do Sul, da Colômbia e Venezuela até o norte da Argentina e o Uruguai. No Brasil, aparece na Amazônia, no Cerrado, na Mata Atlântica, no Pantanal e em parte da Caatinga. É da família dos procionídeos, a mesma do guaxinim norte-americano e do mão-pelada brasileiro.
Um adulto costuma pesar de 3 a 7 quilos, e o corpo com a cauda pode passar de um metro. A cauda, com anéis claros e escuros, ajuda no equilíbrio quando ele sobe em árvores, coisa que faz com facilidade. As garras fortes e o tornozelo flexível permitem descer de troncos de cabeça para baixo.
O que o quati come
O quati é onívoro e oportunista. Usa o focinho, muito sensível e móvel, para revirar folhas, terra e troncos podres atrás de comida. A dieta inclui frutas, insetos, larvas, aranhas, escorpiões, ovos, pequenos lagartos, roedores e até caranguejos em áreas alagadas. Ao comer muitas frutas, ele espalha sementes e ajuda a renovar a mata.
Por que anda em bando
As fêmeas vivem em grupos que podem reunir dezenas de animais, com mães, jovens e filhotes. Andar em bando ajuda a vigiar predadores, como onças, jaguatiricas e gaviões, enquanto o grupo procura comida com o focinho no chão. Os machos adultos, ao contrário, vivem sozinhos na maior parte do ano e só se aproximam dos grupos na época de reprodução. Esses machos solitários recebem em várias regiões o nome popular de quati-mundéu.
O quati é ativo principalmente de dia e dorme em árvores, onde as fêmeas também constroem ninhos com galhos e folhas para ter os filhotes.
Quati morde gente?
Na natureza, o quati evita pessoas e foge quando se sente ameaçado. O problema aparece em lugares onde turistas e moradores oferecem comida. O animal perde o medo, aprende a associar gente a alimento e passa a abrir mochilas, invadir mesas e puxar sacolas. Quando é contrariado ou encurralado, morde e arranha. Nas cataratas do Iguaçu, por exemplo, os acidentes com turistas que alimentam quatis são frequentes, e o parque mantém avisos para que ninguém dê comida aos animais.
A mordida pode causar ferimentos profundos, porque os dentes caninos são longos, e qualquer mordida de mamífero silvestre exige atendimento médico, para limpeza do ferimento e avaliação da necessidade de vacina antirrábica.
Por que não se deve alimentar quatis
- Comida humana faz mal ao animal e pode causar obesidade, problemas nos dentes e doenças.
- Animais acostumados com pessoas ficam mais agressivos e se expõem a atropelamentos, cães e maus-tratos.
- O contato próximo aumenta o risco de transmissão de doenças entre animais e pessoas.
- Alimentar animais silvestres em unidades de conservação é proibido e pode render multa.
Quati e guaxinim são a mesma coisa?
Não. Os dois são da mesma família, mas o guaxinim, comum nos Estados Unidos, tem cara de máscara e cauda mais curta. No Brasil, o parente mais próximo dele é o mão-pelada, que vive perto de rios e manguezais e é ativo à noite. O quati se diferencia pelo focinho comprido e móvel, pela cauda longa sempre levantada e pelo hábito diurno.
Quati apareceu no quintal, e agora?
Se um quati aparecer em casa, a orientação é não tentar pegar nem encurralar o animal. Guarde comida, ração de pets e lixo em lugares fechados, mantenha cães e gatos afastados e deixe uma rota de saída livre. Em geral, ele vai embora sozinho. Se estiver ferido, preso ou não sair, chame a Polícia Ambiental, os bombeiros ou o órgão ambiental da cidade.
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