Urubu todo branco aparece no sertão do Ceará e intriga moradores: a falta de pigmento é rara e pode atrapalhar a visão da ave

Urubu todo branco aparece no sertão do Ceará e intriga moradores: a falta de pigmento é rara e pode atrapalhar a visão da ave
Urubu-de-cabeça-preta com plumagem normal, em Belém (PA). Foto: Cayambe, via Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 3.0.

Moradores do distrito de Damião Carneiro, em Quixeramobim, no sertão do Ceará, se surpreenderam com uma ave que parecia saída de outro mundo: um urubu completamente branco. O primeiro registro foi feito no Riacho dos Bois. Minutos depois, a ave foi vista de novo na localidade de Gangorra, ainda ativa. Os vídeos, feitos por Rodrigo Carmo e Carla Sousa, circularam nas redes. Eles disseram nunca ter visto um urubu assim.

O urubu-de-cabeça-preta (Coragyps atratus) é uma das aves mais comuns do Brasil, presente em cidades, lixões, estradas e campos. Ver um deles branco é extremamente raro.

Albinismo ou leucismo?

Animais brancos na natureza podem ter duas condições genéticas diferentes. No albinismo, falta melanina no corpo inteiro: penas, bico e pés ficam claros, e os olhos costumam ser avermelhados ou muito claros, porque os vasos sanguíneos ficam visíveis. No leucismo, a perda de pigmento é parcial ou só nas penas, e os olhos mantêm a cor escura normal.

A cor dos olhos é a principal pista para diferenciar as duas condições. Sem um exame de perto, é difícil ter certeza de qual delas atinge o urubu de Quixeramobim.

Uma desvantagem na natureza

O albinismo costuma afetar também a visão, porque a melanina é importante para o desenvolvimento normal dos olhos. Para o urubu-de-cabeça-preta, que depende muito da vista para localizar carcaças do alto, isso pode ser um problema sério. Ao contrário do seu parente, o urubu-de-cabeça-vermelha, que tem olfato apurado, o de cabeça preta encontra comida principalmente olhando e seguindo outros urubus.

Penas sem pigmento também são mais frágeis e se desgastam mais rápido, e a pele exposta fica mais sensível ao sol forte do sertão. Por tudo isso, aves albinas costumam ter vida mais curta na natureza.

O lixeiro da natureza

Apesar da má fama, o urubu presta um serviço enorme. Ao comer animais mortos, limpa o ambiente e reduz a propagação de doenças. Seu sistema digestivo, muito ácido, destrói bactérias e toxinas que fariam mal a outros animais. Sem urubus, carcaças ficariam mais tempo expostas, atraindo moscas, ratos e cães.

Bichos brancos no Brasil

Casos de animais brancos aparecem de tempos em tempos no país, de onças e tamanduás a macacos, sapos e aves. Cada registro chama atenção pela raridade e, para os pesquisadores, pode ser um sinal de populações pequenas ou isoladas, onde parentes se cruzam com mais frequência.

O que fazer ao avistar

A recomendação é observar e fotografar de longe, sem tentar capturar a ave. Registros com data e local podem ser enviados a plataformas de ciência cidadã ou a universidades da região, que acompanham ocorrências raras.

Perguntas frequentes

Existe urubu branco?

Sim, mas é raríssimo. Acontece por albinismo ou leucismo, alterações genéticas que impedem a produção normal de pigmento.

Para que serve o urubu?

Ele come animais mortos e ajuda a limpar o ambiente, reduzindo a propagação de doenças.

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