
Iniciativa pioneira transforma Festival de Parintins em polo de logística reversa e economia circular para comunidades ribeirinhas.
Um projeto-piloto ambicioso está transformando a gestão de resíduos na Amazônia, navegando pelos rios para promover a reciclagem e a economia circular em comunidades ribeirinhas. A iniciativa, fruto da colaboração entre Coca-Cola Brasil, Green Mining e a Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas (Sema), capitaliza sobre o Festival de Parintins, um dos maiores eventos culturais do país, para demonstrar o valor econômico dos resíduos e incentivar a destinação correta.
Lançado em julho de 2026, o projeto Estação Preço de Fábrica Itinerante percorre o trajeto entre Manaus e Parintins, com foco prioritário na educação ambiental. Seu principal objetivo é evidenciar que os resíduos possuem valor e que sua correta separação e destinação podem gerar renda significativa para os moradores locais. Esta abordagem busca não só a conscientização, mas também o engajamento das comunidades, fortalecendo a cadeia de reciclagem regional.
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A recuperação de embalagens PET é o cerne desta iniciativa, que busca compreender e superar os desafios logísticos da reciclagem em um ambiente tão singular como o amazônico. Ao testar novos formatos de coleta e destinação com parceiros especializados, o projeto pretende consolidar aprendizados cruciais para o desenvolvimento de soluções adaptadas à complexa realidade da região.
Katielle Haffner, diretora de Sustentabilidade da Coca-Cola, enfatiza a importância das parcerias para projetos de tal envergadura: “As parcerias são fundamentais porque nenhum desafio complexo se resolve de forma isolada. Trabalhar ao lado de organizações locais, poder público, instituições da sociedade civil e comunidades nos permite compreender melhor as necessidades de cada território e construir soluções mais aderentes à realidade local.” Segundo Haffner, este projeto piloto nasceu de uma construção coletiva, visando a levar uma experiência adaptada às características únicas da Amazônia.
Rios como Veias da Economia Circular
A dinâmica da reciclagem na Amazônia é fundamentalmente diferente do resto do Brasil, como destaca Rodrigo Oliveira, CEO da Green Mining. “Se na maior parte do Brasil a logística da reciclagem acontece pelas estradas, na Amazônia ela acontece pelos rios, e é justamente por isso que precisamos desenvolver modelos inovadores, adaptados à realidade da região, capazes de transformar resíduos em oportunidade e conservação ambiental.” Segundo Oliveira, a iniciativa visa capacitar as comunidades ribeirinhas para se tornarem protagonistas de uma nova economia circular, garantindo rastreabilidade, pagamento justo pelos materiais recicláveis e dignidade para catadores e moradores.
Esta abordagem é vital para a região, onde o transporte fluvial é a principal via de comunicação e comércio. A adaptação da logística reversa, considerando as peculiaridades geográficas e culturais da Amazônia, representa um passo importante para a preservação ambiental e o desenvolvimento socioeconômico local. Em 2023, a Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet) registrou que a taxa de reciclagem de PET pós-consumo no Brasil atingiu 58,1%, dados que o projeto busca ampliar significativamente nas comunidades ribeirinhas.
Entenda o caso
O Festival de Parintins, conhecido por sua grandiosidade cultural e intensa movimentação de pessoas, gera um volume considerável de resíduos. Historicamente, a gestão desses detritos tem sido um desafio. O projeto Recicla, Galera, existente dentro do festival, agora se integra à iniciativa Estação Preço de Fábrica Itinerante, ampliando seu escopo e alcance para as comunidades vizinhas, numa sinergia entre evento cultural e sustentabilidade.
Educação e Geração de Renda
O caráter educativo vai além da simples coleta. Ao demonstrar, na prática, que cada embalagem PET tem um valor, o projeto busca desmistificar a percepção de “lixo”, incentivando a população a ver os resíduos como uma fonte de renda potencial. A proposta é estimular um diálogo contínuo sobre a gestão adequada de materiais recicláveis, evidenciando como um preço justo pelos resíduos pode engajar as comunidades e fortalecer a economia local.
A sustentabilidade na Amazônia é um tema de crescente urgência, e a inovação em logística reversa, como este projeto, é crucial. Os resultados e aprendizados dessa iniciativa-piloto serão fundamentais para a criação de modelos perenes e escaláveis de economia circular em toda a bacia amazônica, servindo como um laboratório para futuras políticas ambientais e empreendimentos sociais. A expectativa é que os dados coletados e as metodologias desenvolvidas possam informar outras ações similares não só no Brasil, mas em outras regiões de geografia complexa globalmente.
Perguntas Frequentes
Qual o objetivo principal do projeto Estação Preço de Fábrica Itinerante?
O objetivo principal é mostrar o valor dos resíduos e ampliar o diálogo sobre sua destinação correta, transformando-os em fonte de renda para comunidades ribeirinhas da Amazônia.
Quais as instituições envolvidas na parceria?
O projeto é uma parceria entre Coca-Cola Brasil, Green Mining e a Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas (Sema), além de organizações locais.
Como o projeto se conecta com o Festival de Parintins?
Ele se conecta à agenda de gestão de resíduos já realizada durante o Festival de Parintins por meio do projeto Recicla, Galera, ampliando seu alcance para as comunidades do entorno.
A continuidade e a expansão do projeto estão condicionadas aos resultados dessa fase piloto, que serão monitorados nos próximos meses para validar sua eficácia e adaptabilidade às complexidades da região amazônica. Os dados preliminares indicarão os próximos passos para a efetivação de uma economia circular sustentável no coração da Amazônia.
Com informações de Conecta Verde.
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