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Revoltosos tomam Belém em 6 de janeiro de 1835, capturam e executam governador no dia seguinte

Revoltosos tomam Belém em 6 de janeiro de 1835, capturam e executam governador no dia seguinte
Ilustração: IA

A sequência dos dois primeiros dias da Cabanagem expôs a fragilidade do poder provincial e levou a revolta amazônica ao centro da história do Brasil.

A tomada de Belém em 6 de janeiro

Na manhã de 6 de janeiro de 1835, a Cabanagem deixou de ser apenas uma tensão política e social na província do Grão-Pará. Revoltosos tomaram Belém, então centro administrativo e político da região, e alteraram de forma imediata o controle sobre o governo provincial. A ação colocou a capital nas mãos dos cabanos e abriu uma sequência de acontecimentos que, em apenas dois dias, atingiria o comando máximo da província. A data é o primeiro marco da revolta porque registra a ocupação da cidade pelos insurgentes, em vez de uma simples manifestação ou disputa entre grupos locais. O episódio também mostra como a crise amazônica alcançou diretamente as instituições instaladas na capital. A Cabanagem, que posteriormente se tornaria uma das maiores revoltas do período regencial, começou com uma mudança concreta no poder: os revoltosos passaram a controlar Belém.

A tomada da cidade não encerrou o conflito nem produziu uma solução imediata. Pelo contrário, criou uma situação de instabilidade em que as autoridades precisaram reagir enquanto os cabanos consolidavam sua presença na capital. O governador Lobo de Sousa tornou-se o principal personagem dos acontecimentos seguintes porque tentou escapar depois da ocupação. A cronologia conhecida para os primeiros dias é curta e precisa: em 6 de janeiro, os revoltosos tomaram Belém; em 7 de janeiro, o governador foi capturado e executado. A proximidade entre os dois fatos ajuda a entender a velocidade da ruptura. Não houve um intervalo prolongado entre a perda da capital e a queda do governante provincial. Em vez disso, a tomada da cidade foi seguida pela perseguição ao responsável pelo governo e por sua retirada violenta da cena política.

Lobo de Sousa tenta fugir e é capturado

Depois da tomada de Belém, Lobo de Sousa tentou fugir. O movimento revela a transformação imediata de sua posição: de governador responsável pela administração provincial, ele passou a ser um alvo dos revoltosos. A tentativa de fuga ocorreu após a entrada dos insurgentes na capital e terminou com a captura do governador no dia seguinte. Esse encadeamento é fundamental para não confundir os momentos da revolta. A captura não antecedeu a tomada de Belém, nem ocorreu semanas depois. Ela foi consequência direta da crise aberta em 6 de janeiro e se completou em 7 de janeiro de 1835. A cidade havia sido ocupada, o governante tentou deixar o local e os revoltosos conseguiram alcançá-lo.

A captura de Lobo de Sousa teve um peso político que ultrapassou a trajetória individual do governador. Ao prender o chefe do governo provincial, os cabanos demonstraram que a autoridade instalada em Belém já não conseguia garantir sua própria segurança. A fuga fracassada se transformou, assim, em um símbolo da inversão de poder produzida pela revolta. O episódio também ajuda a explicar por que os primeiros dias da Cabanagem são lembrados por sua intensidade. Em um intervalo de 24 horas, a capital foi tomada e o governador foi capturado. A execução veio logo depois, no próprio dia 7 de janeiro, encerrando de maneira violenta a tentativa de Lobo de Sousa de escapar.

A execução no dia seguinte mudou o alcance do conflito

Lobo de Sousa foi executado em 7 de janeiro de 1835, um dia depois da tomada de Belém. A morte do governador transformou a ocupação da capital em um golpe ainda mais profundo contra a ordem provincial. A Cabanagem não havia apenas expulsado ou afastado temporariamente uma autoridade: os revoltosos capturaram o governante depois de uma tentativa de fuga e o executaram. Essa sequência explica por que o início da revolta aparece como uma sucessão de acontecimentos concentrados. Primeiro, a capital caiu; depois, o representante máximo do governo foi localizado; por fim, sua execução confirmou que a antiga autoridade não havia recuperado o controle da situação. O fato também estabeleceu um ponto de não retorno para o conflito, pois tornou mais difícil qualquer recomposição imediata entre os revoltosos e o governo provincial.

É importante separar o que a cronologia comprova das interpretações posteriores sobre a Cabanagem. Os fatos centrais dos dois primeiros dias são a tomada de Belém em 6 de janeiro, a tentativa de fuga de Lobo de Sousa, sua captura e sua execução em 7 de janeiro. A sequência permite observar a fragilidade do poder político na capital amazônica. Quando o governador foi capturado, a autoridade provincial já havia sido desorganizada pela ocupação da cidade. Quando foi executado, a ruptura ganhou uma dimensão irreversível. A partir dali, a Cabanagem seria lembrada não apenas como uma contestação, mas como uma revolta capaz de tomar a capital e eliminar seu principal representante em dois dias.

O que os dois primeiros dias revelam sobre a Cabanagem

A cronologia de 6 e 7 de janeiro de 1835 concentra, em poucas horas, os elementos que tornaram a Cabanagem um episódio decisivo da história amazônica. O primeiro é a capacidade dos revoltosos de tomar Belém, o centro do governo provincial. O segundo é a rapidez com que a mudança institucional atingiu o governador Lobo de Sousa. O terceiro é a passagem da captura para a execução no dia seguinte. Esses três momentos devem ser lidos em ordem, porque cada um altera o significado do anterior. A ocupação mostra a perda do controle da capital; a tentativa de fuga mostra a reação do governante; a captura expõe o fracasso dessa reação; e a execução confirma a radicalização do confronto. A revolta, portanto, começou com uma ação sobre o espaço urbano e avançou imediatamente contra a autoridade que o administrava.

O episódio continua ligado à memória da Amazônia porque demonstra que a história política da região não foi feita apenas por decisões tomadas longe de Belém. Em 6 de janeiro de 1835, os revoltosos tomaram a capital; em 7 de janeiro, capturaram e executaram o governador. A notícia dos 190 anos publicada pelo Vermelho recupera justamente essa passagem inicial, cuja força está na precisão da sequência e das datas. A tomada de Belém e a morte de Lobo de Sousa já registram uma transformação completa em apenas dois dias. Ao olhar para essa cronologia, a cidade aparece como cenário e agente da ruptura, enquanto a fuga frustrada do governador mostra como uma revolta regional conseguiu atingir diretamente o centro do poder no Grão-Pará.

Com informações da matéria dos 190 anos do Vermelho.

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