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Super El Niño acende alerta global para inflação de alimentos até 2028

Super El Niño acende alerta global para inflação de alimentos até 2028
Foto: climainfo.org.br

Economistas preveem aumento severo nos preços de commodities como arroz e café, potencializado por fatores geopolíticos.

A iminente chegada de um "Super El Niño" está colocando em xeque a estabilidade dos preços dos alimentos globalmente, com projeções de que o fenômeno possa desencadear um choque inflacionário severo e duradouro, estendendo-se até o segundo semestre de 2028. Economistas e consultorias financeiras, como o Goldman Sachs e o UniCredit, alertam que as repercussões nas cadeias produtivas e logísticas podem resultar em aumentos de preços que variam de 10% a mais de 100% em culturas cruciais para a alimentação mundial.

Este cenário de turbulência econômica é agravado por tensões geopolíticas, como a guerra no Irã e o bloqueio do Estreito de Ormuz, que já pressionam os custos de fertilizantes, criando uma perigosa combinação de inflação de energia e alimentos. As anomalias climáticas do El Niño já são percebidas, com a Administração Atmosférica e Oceânica Nacional dos EUA (NOAA) registrando temperaturas recordes na superfície do mar no Pacífico Equatorial, indicando um evento precoce e de grande intensidade.

Impacto nos Preços: projeções e vulnerabilidades

Analistas do Goldman Sachs projetam um aumento de 15,8% nos preços globais das commodities alimentares devido ao "Super El Niño". No entanto, o impacto não será imediato, pois as disrupções climáticas se propagam pela cadeia de suprimentos, com as consequências totais sentidas nos bolsos dos consumidores possivelmente até o segundo semestre de 2028. Essa defasagem se deve à complexidade da cadeia global de alimentos, que envolve desde a produção e colheita até o transporte e processamento.

O quadro é ainda mais sombrio para culturas específicas. O banco italiano UniCredit, em sua análise, indica que um cenário extremo de El Niño pode levar a uma queda de 14,3% na produção agrícola global, resultando em um prejuízo potencial de US$ 343 bilhões (aproximadamente R$ 1,7 trilhão). Os choques de preços podem ser de 10% a 50% nas principais commodities, mas em culturas mais expostas , como arroz, óleo de palma, açúcar e café, as altas podem ser ainda mais expressivas, de 50% a 100% ou mais.

Joseph Balagtas, da Universidade Purdue (EUA), destacou à Newsweek a importância do arroz. "O arroz é o alimento básico para bilhões de pessoas na Ásia, e sua produção depende muito das chuvas sazonais das monções. Se o El Niño interromper essas chuvas, a maior preocupação não será a disponibilidade global de alimentos, mas sim a segurança alimentar e a acessibilidade nos países onde as famílias dependem do arroz produzido localmente", afirmou Balagtas.

Amazônia em Alerta: O El Niño e seus desdobramentos regionais

Para a Amazônia, os efeitos do El Niño são particularmente preocupantes. Por ser uma região de vasta diversidade biológica e fundamental para o equilíbrio climático global, as alterações nos padrões de chuva e temperatura podem afetar diretamente a agricultura de subsistência e comercial. Períodos de seca prolongada podem comprometer a produção de lavouras essenciais, como milho e mandioca, impactando a renda de comunidades ribeirinhas e povos indígenas.

Além disso, a redução das chuvas pode levar à diminuição do nível dos rios, dificultando o transporte hidroviário, crucial para o escoamento da produção e o abastecimento de comunidades isoladas na região amazônica. A Floresta Amazônica, já sob pressão do desmatamento, pode sofrer com um aumento no risco de incêndios florestais em períodos de seca extrema, o que amplificaria os impactos negativos na biodiversidade e na qualidade do ar.

Fatores agravantes: geopolítica e fertilizantes

A crise climática se entrelaça com as tensões geopolíticas. A Bloomberg apontou que os efeitos da guerra no Oriente Médio continuam a impactar o mercado global de alimentos. O bloqueio do Estreito de Ormuz por Irã e Estados Unidos, estratégico para o comércio de ureia, fez com que os preços internacionais dos fertilizantes acompanhassem a trajetória dos preços do petróleo bruto. Desde o início do conflito em 28 de fevereiro, a alta acumulada é de mais de 30%.

David Waugh, gestor da Neuberger Berman, alertou a AgFeed sobre a conjunção desses fatores: "Se um evento forte de El Niño ocorrer junto com as interrupções no fornecimento de fertilizantes, os investidores podem enfrentar uma combinação particularmente desafiadora: inflação de preços de alimentos sobreposta à inflação de energia, criando uma pressão dupla sobre as classes de ativos tradicionais."

Entenda o caso: A força precoce do El Niño

Dados de temperatura da superfície do mar indicam que as condições no Pacífico já são de um "Super El Niño". Segundo o MetSul Meteorologia, a anomalia de temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 do Pacífico Equatorial Centro-Leste já atingiu a marca de +2,0°C, valor mínimo para classificar um El Niño como muito forte. Este registro é considerado precoce. Para contextualizar, em 2023, esse patamar foi atingido apenas em novembro. O climatologista Zeke Hausfather, citado pela Yale Climate Connections, avaliou que "tudo indica que o El Niño deste ano não só tem grandes chances de ser o evento mais forte desde o início dos registros confiáveis, como também pode acabar sendo o mais forte por uma margem verdadeiramente impressionante".

Perguntas Frequentes

O que é um "Super El Niño"?

Um "Super El Niño" é uma intensificação do fenômeno El Niño, caracterizado por um aquecimento anômalo e prolongado das águas do Oceano Pacífico Equatorial, levando a significativas alterações nos padrões climáticos globais.

Quais alimentos serão mais afetados pelos aumentos de preço?

Culturas como arroz, óleo de palma, açúcar e café são as mais vulneráveis, podendo registrar aumentos nos preços que variam de 50% a mais de 100% em um cenário extremo.

Por que o El Niño pode impactar a Amazônia?

Na Amazônia, o El Niño pode causar secas mais severas em algumas áreas e intensificar chuvas em outras, afetando a agricultura local, a navegação fluvial e aumentando o risco de incêndios florestais.

Com informações de ClimaInfo.

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