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Super El Niño: Rio de Janeiro antecipa defesa contra calor extremo e chuvas

Super El Niño: Rio de Janeiro antecipa defesa contra calor extremo e chuvas
Foto: infomoney.com.br

Fenômeno climático forçou prefeitura carioca a mobilizar mais de 50 órgãos para mitigar impactos de temperaturas e tempestades intensas que se avizinham.

A Prefeitura do Rio de Janeiro anunciou a antecipação de seus protocolos de ação para lidar com os efeitos do Super El Niño, fenômeno climático que promete intensificar o calor e as chuvas na cidade. Com mais de 50 órgãos e secretarias mobilizados, a cidade se prepara para um cenário atípico que pode trazer temperaturas acima da média e tempestades severas já a partir do fim do inverno.

Os protocolos, normalmente ativados no verão, foram adiantados devido à previsão de um El Niño de forte intensidade, com probabilidade de 81% de ser ‘muito forte, principalmente no fim da primavera e no início do verão’, conforme Juliana Hermsdorff, meteorologista do Sistema Alerta Rio. A medida reflete a urgência de adaptação diante das mudanças climáticas e da crescente frequência de eventos extremos.

Preparação Antecipada e Mobilização de Órgãos

O prefeito Eduardo Cavaliere destacou que a iniciativa é fundamental para a segurança da população. Ele explicou que é como se houvesse uma antecipação dos efeitos do verão, com as águas de março podendo chegar antes do esperado. A mobilização envolve equipes de secretarias como Saúde, Infraestrutura, Conservação e Meio Ambiente, além de órgãos de Defesa Civil.

Rodrigo Gonçalves, subsecretário de Defesa Civil, ressaltou que a prefeitura está ‘colocando em alerta máximo todas as secretarias e órgãos que trabalham com prevenção e resposta na cidade do Rio de Janeiro justamente por conta do El Niño’. O acompanhamento será feito de perto pelo Centro de Operações e Resiliência (COR).

Segundo a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA), a previsão de um El Niño se formaria com 82% de chance até julho, informação confirmada no mês passado. Isso reforça a necessidade de ações preventivas robustas na capital fluminense, especialmente em um cenário de vulnerabilidade ambiental como a Amazônia Legal, onde estados como o Pará e o Amazonas também enfrentam desafios hídricos e de temperatura.

Infraestrutura e Resiliência Urbana

O Rio de Janeiro tem intensificado investimentos em infraestrutura para combater alagamentos e ampliar áreas verdes, visando à resiliência urbana. Intervenções do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) estão em andamento em diversas regiões, como Realengo, Acari e Jardim Maravilha, com previsão de entrega de fases importantes ainda este ano.

Wanderson Santos, secretário de Infraestrutura, reconheceu que, embora as obras não sejam concluídas antes da chegada do Super El Niño, haverá mobilização para ‘atender e mitigar os eventuais danos dessas chuvas intensas’. Ele frisou que a estratégia de prevenção é vital para salvar vidas, embora as obras de infraestrutura ‘não signifiquem que a cidade vá deixar de viver momentos extremos de chuva’.

Além das grandes obras, a prefeitura tem focado em soluções mais pontuais, como a instalação de ‘mega ralos’. Ao menos 70 dessas unidades já foram implementadas na Avenida Brasil, uma das vias mais afetadas por alagamentos. A Operação Moto Ralo, com dez motocicletas, também busca agilizar a desobstrução de pontos críticos, complementando a remoção de 257 mil toneladas de resíduos em rios e canais este ano.

Entenda o caso

O El Niño é um fenômeno climático natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico equatorial, o que impacta os padrões climáticos globais. Um ‘Super El Niño’ indica uma intensidade maior do que o usual, resultando em eventos extremos como secas prolongadas em algumas regiões e chuvas intensas e calor excessivo em outras, como o Rio de Janeiro. A antecipação dos alertas e planos de ação é crucial para a gestão de riscos e proteção da população.

Impactos na Saúde e Protocolos de Calor

A preocupação com o calor extremo levou à implementação de um protocolo específico na cidade após a morte de uma jovem durante um show em novembro de 2023. Este protocolo de calor, com cinco níveis, é acionado a partir de uma combinação de temperatura e umidade. No nível 4, ativado quando os termômetros registram índices de calor acima de 40ºC por pelo menos três dias consecutivos, medidas como a abertura de pontos de resfriamento, a realocação de aulas de educação física e pausas para hidratação de trabalhadores expostos ao sol são implementadas. Segundo Rodrigo Prado, secretário municipal de Saúde, ‘40% do nosso território sofre alto impacto do calor’, o que gera mais problemas para crianças, idosos e pessoas em situação de rua, demandando atenção redobrada.

Parques urbanos, como os de Madureira e Realengo, além de futuros projetos como o Parque Terra Prometida e o Parque Linear da Maré, são vistos como essenciais para ampliar a vegetação e proporcionar conforto térmico. A ampliação dessas áreas verdes contrasta com a realidade de desmatamento em outras partes da Amazônia, onde a ausência de cobertura florestal amplifica os efeitos do calor.

Perguntas Frequentes

O que é um Super El Niño?

É uma versão mais intensa do El Niño, caracterizada por um aquecimento ainda mais pronunciado das águas do Oceano Pacífico equatorial, o que potencializa os impactos climáticos globais e locais.

Quais os principais riscos para o Rio de Janeiro?

Os principais riscos incluem ondas de calor extremo, chuvas torrenciais com potencial para alagamentos e deslizamentos, e possíveis ressacas marítimas intensas.

Quais medidas preventivas estão sendo tomadas?

A prefeitura antecipou os protocolos operacionais de verão, mobilizou mais de 50 órgãos, acelerou obras de infraestrutura de drenagem, instalou mega ralos e reforçou a Operação Moto Ralo e desassoreamento de rios.

A monitoração contínua dos próximos meses será crucial para avaliar a eficácia das medidas e ajustar as estratégias frente aos desafios climáticos impostos pelo Super El Niño.

Com informações de Agência O Globo.

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