
Os tardígrados, animais microscópicos conhecidos como ursos-d’água, estão entre os seres mais resistentes do planeta. Um estudo publicado em 2016 na revista Nature Communications por pesquisadores japoneses mostrou que uma proteína exclusiva desses animais, chamada Dsup, também protege o DNA de células humanas. Quando o gene da Dsup foi colocado em células humanas cultivadas em laboratório, os danos ao DNA causados por raio X caíram cerca de 40%, e as células toleraram melhor a radiação.
O tema voltou a circular nas redes em outubro de 2026. Veja o que o estudo mostrou, de onde vem a proteína e o que ainda não se sabe.
O que são os tardígrados
Tardígrados são animais de oito patas, em geral com menos de um milímetro, que vivem em musgos, líquens, solo e água doce ou salgada. Algumas espécies sobrevivem a uma desidratação quase completa: entram em um estado de vida suspensa e voltam à atividade quando reidratadas. Nesse estado, toleram condições extremas.
O estudo
O trabalho, assinado por Takuma Hashimoto e colegas, com coordenação de Takekazu Kunieda, da Universidade de Tóquio, sequenciou o genoma do Ramazzottius varieornatus, uma das espécies de tardígrado mais tolerantes ao estresse. Segundo os autores, o genoma mostra:
- uma fração pequena de genes de origem estranha, 1,2% ou menos;
- perda de vias genéticas que favorecem danos por estresse;
- expansão de famílias de genes ligadas à redução de danos;
- proteínas exclusivas dos tardígrados, muito ativas.
A proteína Dsup
Uma dessas proteínas exclusivas se liga ao DNA. Os pesquisadores a chamaram de Dsup, de “damage suppressor”, supressora de danos. Ao inserir o gene da Dsup em células humanas cultivadas, eles mediram uma redução de cerca de 40% nos danos ao DNA provocados por raio X e uma melhora na tolerância das células à radiação.
Segundo os autores, os resultados indicam que as proteínas exclusivas dos tardígrados são relevantes para a sua resistência e que esses animais podem ser uma fonte de novos genes e mecanismos de proteção.
O que o estudo não mostra
O experimento foi feito em células humanas em laboratório, e não em pessoas. Ele não mostra que alguém possa se tornar resistente à radiação, nem que a proteína seja segura para uso em tratamentos. A ideia de usar a Dsup para proteger tecidos saudáveis durante a radioterapia ou astronautas no espaço é uma linha de pesquisa, não uma aplicação disponível.
Entenda
Genoma é o conjunto completo de genes de um ser vivo. Proteína é a molécula produzida a partir das instruções de um gene e que cumpre funções no organismo. Raio X é uma radiação capaz de quebrar o DNA. Células cultivadas são células mantidas vivas em laboratório, fora de um organismo.
Perguntas frequentes
O que é a proteína Dsup?
Uma proteína exclusiva dos tardígrados que se liga ao DNA e, segundo o estudo, reduz danos causados por radiação.
Quanto a proteína protegeu o DNA humano?
Os danos causados por raio X caíram cerca de 40% em células humanas cultivadas em laboratório.
Isso funciona em pessoas?
Não há evidência disso. O experimento foi feito em células em laboratório.
Onde o estudo foi publicado?
Na revista Nature Communications, em setembro de 2016, por pesquisadores da Universidade de Tóquio e de outras instituições japonesas.
Com informações do estudo “Extremotolerant tardigrade genome and improved radiotolerance of human cultured cells by tardigrade-unique protein”, publicado na Nature Communications.
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