Astronauta fotografa do espaço uma mancha clara em Madagascar feita da mesma rocha que deixa a Lua brilhante

Astronauta fotografa do espaço uma mancha clara em Madagascar feita da mesma rocha que deixa a Lua brilhante
Amostra de anortosito de Madagascar, a mesma rocha das regiões claras da Lua. Foto: James St. John, via Wikimedia Commons, licença CC BY 2.0.

Em 28 de agosto de 2026, um astronauta a bordo da Estação Espacial Internacional fotografou uma mancha clara e quase circular no sul de Madagascar, que se destaca contra a paisagem seca ao redor. A formação, chamada maciço de Saririaky, é feita de anortosito, uma rocha que, curiosamente, é muito comum na Lua.

A rocha das partes claras da Lua

Quem olha para a Lua cheia vê áreas escuras e áreas claras. As escuras são planícies de lava basáltica. As claras, as terras altas lunares, são formadas em grande parte por anortosito, uma rocha ígnea rica em feldspato, de cor clara e muito refletiva. Foi justamente o anortosito trazido pelas missões Apollo que ajudou os cientistas a entender que a Lua já teve um oceano de magma na superfície, do qual esses cristais claros flutuaram e formaram a crosta.

Na Terra também

O anortosito não é exclusivo da Lua. Há grandes depósitos no leste do Canadá, na Escandinávia, no sul da Índia e em Madagascar. Na Terra, ele é uma rocha intrusiva: forma-se quando material derretido esfria e endurece devagar, ainda debaixo da superfície, o que dá tempo para os minerais formarem cristais grandes.

Pesquisas indicam que o maciço de Saririaky se formou no fim do Pré-Cambriano, há pelo menos 600 milhões de anos. Hoje, a rocha exposta cobre cerca de 100 quilômetros quadrados.

Rochas que se dobraram

A paisagem em volta conta outra história. O maciço fica numa zona de cisalhamento dúctil, uma região onde forças geológicas enormes deformaram as rochas nas profundezas da crosta. Sob temperatura e pressão muito altas, a rocha sólida pode dobrar, esticar e mudar de estrutura sem se quebrar, num processo chamado metamorfismo.

Estudos identificaram feições longas e quase paralelas, de norte a sul, que registram essa deformação. Os geólogos acreditam que boa parte dela aconteceu quando antigos blocos de terra colidiram para formar Gondwana, o supercontinente que reunia partes da atual África, da Índia, de Madagascar, da Austrália, da Antártida e da América do Sul.

A ligação com o Brasil

O Brasil fazia parte de Gondwana, e muitas rochas antigas do país registram as mesmas colisões continentais que moldaram Madagascar e a África. Por isso, geólogos comparam formações dos dois lados do Atlântico para reconstruir como os continentes estavam encaixados antes de se separarem.

Fotografia de geologia do espaço

Astronautas da estação espacial fotografam a Terra todos os dias, e muitas dessas imagens servem a geólogos, climatologistas e geógrafos. Formações grandes, que no chão parecem só montanhas ou planícies, ganham forma e contexto quando vistas a 400 quilômetros de altura.

Perguntas frequentes

O que é anortosito?

Uma rocha ígnea clara, rica em feldspato, que forma as terras altas da Lua e também existe em algumas regiões da Terra.

Por que a Lua tem partes claras e escuras?

As partes claras são terras altas de anortosito. As escuras são planícies de lava basáltica, chamadas mares.

Com informações da Nasa.

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