Satélites que medem o nível do mar há 35 anos mostram El Niño de 2026 com padrão parecido ao de 1997, e ele pode ser ainda maior

Satélites que medem o nível do mar há 35 anos mostram El Niño de 2026 com padrão parecido ao de 1997, e ele pode ser ainda maior
Foto: Divulgação

Comparação feita pela NASA com dados de altimetria ajuda a entender o que esperar de um fenômeno que já alterou o clima da Amazônia.

O mar mais alto no meio e no leste do Pacífico equatorial é a assinatura que satélites da NASA enxergam em outubro de 2026, e ela lembra muito a de outubro de 1997. Em ambos os casos, a água aquecida se estendeu até a costa da América do Sul, característica de um El Niño forte. Para Josh Willis, cientista do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da NASA, o evento atual está “on track to be even bigger”, ou seja, no caminho de ser ainda maior.

A comparação foi publicada em 23 de outubro de 2026 pelo Observatório da Terra da NASA, com mapas elaborados por Lauren Dauphin a partir de dados de altimetria fornecidos pela NASA/JPL-Caltech.

Como um satélite enxerga o calor do oceano

Satélites altimétricos medem a altura da superfície do mar. Como a água se expande ao esquentar, um nível mais alto que o normal no Pacífico central e leste indica acúmulo de calor ligado ao El Niño.

Os mapas de 13 de outubro de 1997 e de 12 de outubro de 2026 usam dados dos satélites TOPEX/Poseidon e Sentinel-6 Michael Freilich, respectivamente, processados no JPL. O vermelho marca áreas acima da média, o branco indica nível normal e o azul, áreas mais baixas. Sinais de ciclos sazonais e de tendências de longo prazo foram removidos, para destacar as anomalias associadas ao El Niño e a outros fenômenos naturais de curta duração.

Satélites que medem o nível do mar há 35 anos mostram El Niño de 2026 com padrão parecido ao de 1997, e ele pode ser ainda maior
Foto: Divulgação

“What’s unique about altimetry is that we have a 35-year record from nearly identical satellites flying almost the same ground track, with each mission overlapping the next”, disse Willis. Segundo ele, isso permite olhar para trás e comparar o evento atual ao de 1997.

O ciclo que alimenta o fenômeno

Segundo a NASA, o El Niño faz parte de um padrão climático natural que ocorre, em geral, a cada dois a sete anos e traz águas mais quentes que o normal a trechos do Pacífico equatorial.

Todo evento nasce de uma retroalimentação entre atmosfera e oceano. Normalmente, os ventos alísios mantêm a água quente acumulada no Pacífico oeste, onde o nível do mar fica mais alto que no leste. Quando esses ventos enfraquecem, a água quente começa a se deslocar para leste, o que enfraquece ainda mais os ventos, e às vezes os inverte, empurrando mais água quente na mesma direção.

Parecidos, mas não iguais

Em relação ao de 1997-98, o El Niño de 2026 surgiu de forma bem mais repentina. Até outubro, porém, os dois eventos têm caráter semelhante: o nível do mar é baixo no oeste e alto no leste, com água quente e elevada chegando à América do Sul. Por isso, Willis acredita que os impactos também possam ser parecidos. Em 1997-98, isso significou muita chuva na Califórnia e no sul dos Estados Unidos.

Satélites que medem o nível do mar há 35 anos mostram El Niño de 2026 com padrão parecido ao de 1997, e ele pode ser ainda maior
Foto: Divulgação

O El Niño de 2015-16 também foi muito forte, mas teve outro padrão: menos água elevada alcançou a costa sul-americana, o que contribuiu para um tempo diferente naquele ano. “The search for the ‘typical’ El Niño is very elusive”, afirmou Willis. “They’re all different in terms of where they land and how their impacts play out.”

O que isso significa para a Amazônia

Segundo a NASA, os El Niños muito fortes de 1997-98 e 2015-16 bagunçaram padrões de tempo pelo planeta, com incêndios na Indonésia e na Amazônia, perda de lavouras por seca no sul da África e chuva intensa com inundações costeiras no sul da Califórnia.

Para o leitor da região, o registro é um lembrete de que a Amazônia já esteve entre as áreas afetadas por eventos dessa magnitude. A NASA não faz, nessa análise, uma previsão específica de impactos sobre a floresta em 2026. A semelhança com 1997 é um indício, não uma garantia, e o próprio Willis ressalta que cada El Niño se comporta de um jeito.

O acompanhamento do nível do mar seguirá com as missões de altimetria nos próximos meses, e é a evolução do padrão de calor no Pacífico que indicará se o evento de 2026 de fato superará o de 1997. Notícias e atualizações da agência estão disponíveis em News & Events, no site da NASA.

Com informações de NASA Earth Observatory.

Gostou desta reportagem?

Marque Revista Amazônia como fonte preferencial e veja mais conteúdo nosso no Google.

Gostou desta reportagem?
Siga a Revista Amazônia no Google News

⭐ SEGUIR AGORA