Pescadores de Porto Seguro recebem R$ 10 por peixe-leão capturado e já tiraram 440 invasores do mar da Bahia

Pescadores de Porto Seguro recebem R$ 10 por peixe-leão capturado e já tiraram 440 invasores do mar da Bahia
Foto: 851150225]Espécie é venenosa, mas pode ser consumidaAinda de

Espécie venenosa do Indo-Pacífico já foi registrada em 10 municípios baianos e chegou ao Parque Nacional Marinho dos Abrolhos.

Um peixe de listras vermelhas e brancas, nadadeiras que parecem leques e 18 espinhos com veneno virou, ao mesmo tempo, problema ambiental e fonte de renda extra no litoral sul da Bahia. Em Porto Seguro, pescadores recebem R$ 10 por cada peixe-leão capturado, e mais de 400 já foram retirados da água desde a segunda quinzena de setembro. O total chega a 440 exemplares.

O bicho é uma espécie exótica invasora, ou seja, veio de fora e não deveria estar ali. Sua origem é o Indo-Pacífico, e sua presença no Atlântico brasileiro preocupa pesquisadores, pescadores e o setor de turismo.

Uma pesca que paga por peixe

A prefeitura de Porto Seguro iniciou o plano de contenção ainda em agosto, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Causa Animal (Semac), com apoio do Instituto Nautilus. Os pescadores locais são peças centrais: capturam os animais e recebem pelo trabalho.

Dos 440 peixes, 430 seguiram congelados para a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), onde serão feitas análises científicas. O Laboratório de Ecologia e Conservação Marinha (Lecomar), da UFSB, atua diretamente na contenção.

Segundo a UFSB, o primeiro avistamento na região ocorreu em junho. A confirmação da espécie no Parque Nacional Marinho dos Abrolhos acelerou a criação do Plano Municipal de Enfrentamento contra a bioinvasão. A captura e o monitoramento constante são as principais estratégias.

Por que ele preocupa tanto

O problema está no comportamento do peixe. Segundo o Lecomar, ele é voraz e muito adaptável. No Atlântico, não tem predadores naturais, então se reproduz livremente enquanto devora filhotes de outras espécies e crustáceos.

Isso pode abrir caminho para um desequilíbrio ecológico que atinja a pesca e o turismo no estado. Há ainda o risco de a espécie se espalhar por boa parte do litoral brasileiro, incluindo São Paulo, Paraná e o norte de Santa Catarina, cobrindo praticamente toda a Costa Leste.

Segundo a Secretaria Estadual do Meio Ambiente da Bahia (SEMA), o peixe-leão já foi registrado em 10 municípios, do Litoral Norte ao Extremo Sul do estado.

A viagem de um invasor

O peixe-leão (Pterois volitans) foi introduzido na Flórida, nos Estados Unidos, na década de 1980. De lá, avançou rapidamente pelo Caribe, onde se estabeleceu, e depois seguiu em nova expansão até alcançar o Brasil.

Ele pode chegar a 47 centímetros. As listras brancas e vermelhas e as nadadeiras longas e abertas o diferenciam da maioria das espécies marinhas.

O que fazer se encontrar um

Os espinhos são venenosos e podem causar ferimentos. Por isso, somente pessoas capacitadas atuam no manejo. A orientação da SEMA é que o animal seja colocado em recipiente resistente a furos e entregue a um órgão ambiental ou de pesquisa, como UFBA ou UFSB.

Avistamentos devem ser comunicados ao governo estadual por meio de formulário da SEMA, disponível para a população em geral.

Veneno nos espinhos, não na carne

Há uma curiosidade para a mesa: de acordo com a SEMA, com o preparo adequado, a carne do peixe-leão pode ser consumida. O veneno está somente nos espinhos, que devem ser retirados com cuidado. O consumo da carne crua é contraindicado.

O que isso significa para a Amazônia

O caso é na Bahia, mas dialoga com a costa amazônica, que também depende de ecossistemas marinhos e estuarinos para a pesca artesanal. A expansão do peixe-leão pela Costa Leste é um alerta de como uma espécie sem predadores pode avançar ao longo do litoral. Os materiais disponíveis não registram a presença do animal na região amazônica, mas o monitoramento é a principal arma usada pelos pesquisadores baianos.

Os próximos passos seguem com as análises da UFSB sobre os 430 exemplares e com a continuidade das capturas e do monitoramento no litoral de Porto Seguro.

Com informações de Secretaria Estadual do Meio Ambiente da Bahia (SEMA), Lecomar/UFSB e Prefeitura de Porto Seguro.

Gostou desta reportagem?

Marque Revista Amazônia como fonte preferencial e veja mais conteúdo nosso no Google.

Gostou desta reportagem?
Siga a Revista Amazônia no Google News

⭐ SEGUIR AGORA