NASA acompanha por satélites o El Niño histórico de 2026, fenômeno de 2 a 7 anos que costuma mexer com a chuva na Amazônia

NASA acompanha por satélites o El Niño histórico de 2026, fenômeno de 2 a 7 anos que costuma mexer com a chuva na Amazônia
Foto: Divulgação

Águas mais quentes no Pacífico equatorial colocam a região em alerta para possíveis alterações no regime de chuvas e nos rios.

Quem vive às margens dos rios amazônicos aprendeu a olhar para um oceano distante antes de olhar para o céu. É no Pacífico equatorial que se forma o El Niño, e a NASA informou, em 15 de outubro de 2026, que seus cientistas acompanham de perto um episódio descrito pela agência como histórico. O monitoramento é feito por satélites, e o fenômeno, que se repete a cada dois a sete anos, tem potencial de alterar a chuva e a temperatura em várias partes do mundo, inclusive na Amazônia.

O que é o El Niño

Segundo a NASA, o El Niño é um padrão climático natural que surge aproximadamente a cada dois a sete anos. Ele é marcado por temperaturas da água acima do normal em partes do Pacífico equatorial.

Esse aquecimento não fica restrito ao mar. Quando a superfície do oceano esquenta numa área tão grande, muda a troca de calor e de umidade com a atmosfera, e isso pode deslocar a circulação dos ventos e das chuvas em escala continental.

O intervalo irregular entre um evento e outro é parte da natureza do fenômeno. Por isso, não existe um calendário fixo: os cientistas dependem de observação contínua para saber quando ele começa, quão intenso fica e quanto tempo dura.

Por que os satélites importam

Medir o Pacífico equatorial com navios e boias é possível, mas cobre pouco espaço diante de um oceano tão vasto. Os satélites de observação da Terra completam o quadro ao registrar, de forma contínua, variáveis como a temperatura da superfície do mar e o nível do oceano.

É com esse tipo de dado que a agência espacial norte-americana acompanha a evolução do episódio de 2026. A NASA trata o evento como histórico, e os detalhes da análise estão no texto completo publicado pela agência.

O que isso significa para a Amazônia

O Brasil já conhece o impacto de eventos fortes de El Niño. Na Amazônia, o fenômeno é frequentemente associado a menos chuva e mais calor, sobretudo no norte e no centro da região, o que reduz a vazão dos rios e aumenta o risco de queimadas.

O caso mais recente ainda está na memória. Em outubro de 2023, durante um El Niño, o Rio Negro chegou a 12,70 metros em Manaus, a menor cota da série histórica iniciada em 1902, segundo o Serviço Geológico do Brasil. Comunidades ficaram isoladas, e o transporte fluvial, principal via de acesso em muitos municípios, foi prejudicado.

NASA acompanha por satélites o El Niño histórico de 2026, fenômeno de 2 a 7 anos que costuma mexer com a chuva na Amazônia
Foto: Divulgação

Não há, no material divulgado pela NASA, uma previsão específica para os rios ou para as chuvas da região em 2026. Por isso, vale separar o que é comprovado do que é possibilidade: o aquecimento do Pacífico está sendo observado, e a relação histórica entre El Niño e estiagens amazônicas é conhecida, mas o efeito local de cada episódio depende de outros fatores, como a temperatura do Atlântico tropical.

Quem sente primeiro

Em tempos de águas baixas, o impacto se espalha em cadeia. Ribeirinhos dependem dos rios para ir à escola, ao posto de saúde e ao mercado. Pescadores veem mudar a dinâmica dos peixes, e a navegação de cargas encontra bancos de areia onde antes havia canal.

Do lado do clima urbano, o calor mais intenso pesa em cidades como Manaus, Belém, Porto Velho e Rio Branco. Em áreas rurais, a combinação de seca e vegetação ressecada favorece a propagação do fogo, o que torna a prevenção e o monitoramento ainda mais relevantes.

O que ainda não se sabe

A principal pergunta é por quanto tempo o episódio vai durar e qual será sua intensidade ao longo dos próximos meses. Fenômenos desse tipo costumam evoluir de forma gradual, e as projeções são atualizadas à medida que novos dados chegam.

Outra incógnita é como o El Niño de 2026 vai se somar à tendência de aquecimento global, que eleva a temperatura de base e pode acentuar extremos. Esse é um ponto em que os pesquisadores costumam falar em probabilidades, não em certezas.

Para a Amazônia, o que se pode fazer agora é acompanhar os boletins de órgãos de monitoramento hidrológico e climático e os alertas das defesas civis estaduais. A NASA segue observando o Pacífico, e as próximas atualizações devem mostrar se o evento ganha força ou perde fôlego nos meses seguintes.

Tire suas dúvidas

Quando o El Niño acontece?

Segundo a NASA, ele surge aproximadamente a cada dois a sete anos, sem intervalo fixo.

O El Niño causa seca em toda a Amazônia?

Não necessariamente. Ele é associado a menos chuva em parte da região, mas o efeito varia conforme o local e a influência de outros fatores climáticos.

Com informações de NASA.

Gostou desta reportagem?

Marque Revista Amazônia como fonte preferencial e veja mais conteúdo nosso no Google.

Gostou desta reportagem?
Siga a Revista Amazônia no Google News

⭐ SEGUIR AGORA