
Tartarugas marinhas são famosas pelas viagens longas. Orientam-se pelo campo magnético da Terra, pelo sol e pelas correntes, percorrem milhares de quilômetros atrás de comida e voltam às praias onde nasceram para desovar. Por isso, um grupo de tartarugas-verdes de Galápagos surpreendeu os pesquisadores: em três anos de rastreamento por satélite, nenhuma saiu da reserva marinha do arquipélago.
O estudo foi publicado na revista científica Frontiers in Amphibian and Reptile Science. Segundo o autor principal, John Rowe, professor do Alma College, nos Estados Unidos, a equipe esperava que os animais migrassem para praias distantes no oeste do Pacífico.
Duas tartarugas-verdes em um só lugar
Os cientistas reconhecem duas formas geneticamente distintas de tartaruga-verde no Pacífico. A forma amarela vive em áreas tropicais e subtropicais do oeste do oceano. A forma preta ocorre no Pacífico leste, perto das Américas. Galápagos é o único lugar conhecido onde as duas dividem as mesmas águas e comem o mesmo tipo de vegetação marinha. Mesmo assim, há diferenças: os jovens da forma amarela crescem mais rápido.
A tartaruga-verde é diferente das outras seis espécies de tartaruga marinha por um detalhe: os adultos são principalmente vegetarianos. Os filhotes comem plantas e animais, mas, ao amadurecer, passam a comer sobretudo algas e capim marinho.
Nove tartarugas com nome e transmissor
Em 2015, a equipe capturou nove adultos da forma amarela em águas rasas perto de quatro ilhas: sete machos e duas fêmeas. Cada um ganhou um apelido e um transmissor ligado à rede de satélites Argos. O acompanhamento durou até 418 dias, até o equipamento se soltar ou parar de funcionar.
As tartarugas preferiram águas rasas perto da costa. Às vezes se afastaram até 25 quilômetros, mas a maioria ficou bem mais perto das ilhas. Cinco das nove passaram quase todo o tempo em volta de uma única ilha. Bernardo e Sara circularam entre Isabela e San Cristóbal, e Leandro, entre Isabela e Española. A mais aventureira foi Ainoa: marcada perto de San Cristóbal, foi depois para Santa Cruz e, em seguida, para Isabela.
Houve também um padrão de estação: as viagens entre ilhas só aconteceram no período mais frio, de abril a outubro. Em média, cada tartaruga usou uma área de 1.498 quilômetros quadrados, com grande variação entre indivíduos. A reserva marinha tem 198 mil quilômetros quadrados.
As fêmeas um dia vão embora?
Os autores lembram que o estudo cobre um período curto da vida das tartarugas. Migrações longas podem ocorrer em outros momentos. Segundo o coautor Juan Pablo Muñoz Pérez, da Universidade San Francisco de Quito, no Equador, as fêmeas da forma amarela não desovam em Galápagos, por isso devem em algum momento voltar às praias natais no oeste do Pacífico. Já algumas fêmeas da forma preta desovam no arquipélago.
O que muda para a conservação
Como algumas tartarugas usam águas de várias ilhas, proteger apenas um ponto de alimentação preferido não basta. Segundo Rowe, a qualidade do habitat precisa ser mantida em todas as ilhas e nas rotas entre elas.
E no Brasil?
A tartaruga-verde é a espécie marinha mais vista no litoral brasileiro, comendo algas em costões e recifes. As principais áreas de desova no país ficam em ilhas oceânicas, como a Ilha da Trindade e o Atol das Rocas.
Perguntas frequentes
Tartaruga-verde come o quê?
Os adultos comem principalmente algas e capim marinho. Os filhotes têm dieta mista, com plantas e pequenos animais.
Todas as tartarugas marinhas migram?
Muitas fazem viagens longas, mas o estudo mostra que algumas populações passam longos períodos perto de casa.
Com informações do Alma College, da Universidade San Francisco de Quito e do estudo publicado na Frontiers in Amphibian and Reptile Science.
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