
Segundo avistamento em pouco mais de uma semana esclarece a diferença entre dois gigantes do oceano.

O que parece uma cena de filme de mistério é, na verdade, um comportamento conhecido da vida marinha: um peixe-lua voltou a ser avistado nas águas de Ilhabela, no litoral norte de São Paulo, na terça-feira (4), pouco mais de uma semana depois de outro registro na mesma região. As imagens despertaram curiosidade e também uma dúvida nas redes sociais: afinal, o animal seria o chamado “peixe do apocalipse”? A resposta é não. O peixe-lua, da espécie Mola mola, é diferente do peixe-remo, Regalecus glesne, associado a antigas lendas sobre terremotos e tsunamis.
O que apareceu em Ilhabela?
O animal observado próximo à superfície tem corpo arredondado, achatado lateralmente e nadadeiras dorsal e anal bastante desenvolvidas. Essas características dão ao peixe-lua uma aparência incomum, especialmente quando ele é visto ao lado de embarcações, mergulhadores ou pessoas na praia.
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O peixe amazônico que precisa “tomar ar” também constrói um ninho e pode deixar o pai responsável pelos filhotesApesar da aparência imponente, o peixe-lua é considerado um animal pacífico e não representa ameaça às pessoas. A espécie se alimenta principalmente de águas-vivas e de outros organismos gelatinosos encontrados no oceano.
Segundo o registro divulgado pela Costa Norte, o avistamento de 4 de agosto de 2026 ocorreu em Ilhabela, no litoral norte de São Paulo, poucos dias após outro aparecimento do peixe-lua na mesma área.
Por que o peixe-lua sobe à superfície?
A presença do peixe-lua perto da superfície não significa, por si só, que exista algum perigo no mar. A espécie costuma realizar mergulhos em águas mais profundas e pode subir posteriormente para ajudar a regular a temperatura corporal.
Esse comportamento também permite que aves marinhas e pequenos peixes removam parasitas presentes em sua pele. O processo é conhecido como limpeza natural e faz parte da relação do peixe-lua com outros animais do ambiente marinho.
O gigante oceânico pode ultrapassar duas toneladas, o que faz dele o maior peixe ósseo conhecido. O tamanho, no entanto, não deve ser confundido com agressividade. Seu modo de vida é marcado por deslocamentos pelo oceano e pela busca de organismos gelatinosos para alimentação.
Entenda o caso
O apelido “peixe do apocalipse” não se refere ao peixe-lua. A expressão é usada popularmente para mencionar o peixe-remo, uma espécie de águas profundas que possui corpo longo, estreito e semelhante a uma fita.
O peixe-remo raramente é observado vivo perto da costa. Essa dificuldade de encontrar o animal, somada ao seu formato incomum, contribuiu para o surgimento de histórias e crenças em diferentes países.
No Japão, uma antiga tradição popular relaciona aparições do peixe-remo a terremotos e tsunamis. Não há comprovação científica de que a presença desses animais seja capaz de prever desastres naturais.
Peixe-remo e peixe-lua são a mesma espécie?
Não. Embora os dois sejam peixes marinhos de grande porte e possam causar surpresa quando aparecem em regiões próximas da costa, eles pertencem a espécies completamente diferentes.
O peixe-lua tem formato arredondado e achatado, enquanto o peixe-remo apresenta corpo muito comprido e estreito. O primeiro pode subir à superfície por razões ligadas à termorregulação e à limpeza natural. O segundo vive em regiões profundas do oceano e é raramente visto em condições naturais.
A confusão aumentou depois que imagens do peixe-lua foram compartilhadas com a expressão “peixe do apocalipse”. A correção é importante porque apelidos populares podem misturar animais distintos e criar uma impressão equivocada sobre o comportamento da fauna marinha.
O que fazer ao encontrar um peixe-lua?
Ao avistar um animal desse porte, a recomendação mais segura é manter distância, evitar tocar nele e não tentar puxá-lo para a praia ou para uma embarcação. Também é importante não bloquear sua passagem nem cercá-lo com muitas pessoas ou barcos.
Registros feitos de longe, sem perseguição ou interferência, ajudam pesquisadores e órgãos ambientais a acompanhar a ocorrência da espécie. Em áreas costeiras da Amazônia, incluindo os estados do Pará, Amapá, Amazonas, Roraima, Rondônia, Acre, Tocantins e Mato Grosso, a observação responsável também é essencial para proteger a fauna marinha e estuarina durante atividades de turismo e pesca.
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Perguntas frequentes
O peixe-lua oferece risco às pessoas?
Não. O peixe-lua tem comportamento pacífico e não é considerado uma ameaça aos banhistas, mergulhadores ou pescadores. Mesmo assim, é recomendável manter distância e não tocar no animal.
Qual peixe é conhecido como peixe do apocalipse?
O apelido é atribuído popularmente ao peixe-remo, espécie de corpo longo que vive em águas profundas. A associação com terremotos e tsunamis faz parte de uma crença sem comprovação científica.
Por que o peixe-lua aparece perto da superfície?
Ele pode subir depois de mergulhos profundos para regular a temperatura corporal e permitir a remoção de parasitas por aves marinhas e pequenos peixes.
Novos registros em Ilhabela devem continuar sendo acompanhados para ampliar o conhecimento sobre a ocorrência do peixe-lua no litoral brasileiro, sempre sem interferência no comportamento do animal.
Com informações de Costa Norte.
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