
Em 1998, Tolentino Flores Marafiga, um aposentado que tinha trabalhado consertando geladeiras, caminhava perto de uma obra de estrada no distrito de Água Negra, em São Martinho da Serra, no centro do Rio Grande do Sul. No barranco, viu um fragmento de osso. Em vez de ignorar, procurou a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).
O achado virou um dinossauro novo para a ciência, descrito em 2004 com o nome de Unaysaurus tolentinoi. O segundo nome é uma homenagem a ele.
Lagarto da água preta
O nome do gênero vem do tupi: unay significa água preta, referência ao distrito de Água Negra, onde os ossos foram encontrados. O dinossauro viveu há cerca de 225 milhões de anos, no fim do período Triássico, nas rochas da Formação Caturrita.
Era um sauropodomorfo primitivo, da linhagem que dezenas de milhões de anos depois daria origem aos saurópodes gigantes de pescoço longo. Tinha cerca de 2,5 metros de comprimento e andava sobre duas patas, comendo plantas.
Parente de um dinossauro europeu
A análise inicial mostrou que o Unaysaurus era aparentado com o Plateosaurus, um dos dinossauros mais conhecidos da Europa, encontrado em grande quantidade na Alemanha e na Suíça. Na época, todos os continentes estavam unidos na Pangeia, e animais parecidos podiam se espalhar por regiões que hoje ficam separadas por oceanos.
Um segundo dinossauro escondido
A história teve uma reviravolta. Em um reestudo do material original publicado em 2023, pesquisadores da UFSM descobriram que, misturados aos ossos do exemplar descrito, havia restos de um segundo indivíduo, mais jovem. Com isso, o número de exemplares conhecidos de Unaysaurus dobrou. O trabalho saiu na revista científica The Anatomical Record.
O papel de quem encontra
Muitos dos fósseis mais importantes do Brasil foram achados por agricultores, operários, pescadores e moradores atentos, como seu Tolentino. A região central do Rio Grande do Sul, onde estão Santa Maria, São João do Polêsine e outros municípios, é uma das mais ricas do mundo em dinossauros do Triássico, os mais antigos de que se tem notícia. Boa parte desses achados começou com alguém que reparou num osso estranho.
O que fazer ao encontrar um fóssil
A orientação dos paleontólogos é não tentar retirar o material, porque isso pode destruí-lo e apagar informações sobre a posição dele na rocha. O ideal é fotografar, anotar o local e avisar uma universidade, um museu ou a Agência Nacional de Mineração. Fósseis são patrimônio da União e não podem ser vendidos.
Perguntas frequentes
Quem descobriu o Unaysaurus?
O aposentado Tolentino Flores Marafiga, em 1998, que levou o achado à UFSM. A espécie recebeu o nome dele.
Qual a idade do Unaysaurus?
Cerca de 225 milhões de anos, do fim do Triássico.
Com informações da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).
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