Cientistas descobrem um RG químico na urina dos gatos: 13 ácidos graxos formam uma assinatura única que outros gatos reconhecem por meses

Cientistas descobrem um RG químico na urina dos gatos: 13 ácidos graxos formam uma assinatura única que outros gatos reconhecem por meses
Dois gatos se cheirando, no Azerbaijão. Foto: Khagani Hasanov, via Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 3.0.

Gatos aprendem muito uns sobre os outros pelo cheiro, especialmente pela urina e por outras marcas de odor deixadas no ambiente. Essas mensagens químicas continuam falando muito depois que o dono foi embora. Mas há um problema: muitos cheiros evaporam ou mudam com o tempo. Como um gato sabe quem deixou a marca?

Pesquisadores do Japão, da Alemanha e da Espanha, liderados pela Universidade de Iwate, encontraram parte da resposta: um grupo de ácidos graxos incomuns que funciona como uma assinatura química duradoura na urina. O estudo foi publicado na revista científica Current Biology.

Primeiro, o gato tinha de reconhecer

Antes de procurar as moléculas, a equipe precisava confirmar que os gatos distinguiam a urina de indivíduos diferentes. Quando um gato encontrava a mesma amostra várias vezes, passava cada vez menos tempo cheirando. Quando aparecia a urina de outro gato, o interesse voltava.

Mais impressionante: a reação reduzida a cheiros já conhecidos se manteve mesmo depois de intervalos de meses. Isso sugere que os gatos guardam memórias de longo prazo de cheiros de urina específicos.

A careta do gato

Os pesquisadores também observaram a reação de Flehmen, aquela careta de boca entreaberta que os gatos fazem ao cheirar certas coisas. Ela ajuda a levar as moléculas até um órgão sensorial especial no céu da boca. Os gatos faziam a careta com mais frequência ao cheirar urina desconhecida do que a própria. Segundo o professor Masao Miyazaki, que liderou o projeto, a reação serviu de pista para identificar as moléculas envolvidas.

13 ácidos graxos

Guiados pelo comportamento dos gatos, os cientistas chegaram a uma fração de gorduras da urina com 13 ácidos graxos de cadeia ramificada. Não havia registro anterior desses compostos em excreções ou secreções de mamíferos.

O que importa não é só a presença deles, mas o padrão. Cada gato tem um perfil definido pela combinação e pela proporção dos ácidos. Os perfis variam muito de um gato para outro e ficam relativamente estáveis no mesmo animal em datas diferentes. Gatos aparentados têm padrões mais parecidos, mas cada um mantém o seu.

Os compostos também são resistentes. Enquanto muitas moléculas do cheiro da urina mudam rápido, esses ácidos evaporam devagar, e os perfis individuais ficaram estáveis por pelo menos 24 horas a 25 °C. Em testes, os gatos perceberam a troca de perfis, sinal de que reconhecem a diferença.

O mistério das gordurinhas dos rins

O estudo trouxe uma pista inesperada. Os ácidos graxos apareceram nos rins e em gotículas de gordura guardadas no córtex renal. Os gatos têm muitas dessas gotículas, e a função delas intriga cientistas há mais de um século. A nova hipótese é que funcionem como um estoque, mantendo a assinatura química estável mesmo quando a dieta ou o organismo mudam por um tempo.

O que isso explica no dia a dia

A descoberta ajuda a entender por que gatos dão tanta importância a marcar território com urina e por que um gato estranho no bairro pode deixar o seu bichano agitado. Também explica por que a limpeza de marcas de urina precisa ser bem feita: se sobrar a assinatura, o gato pode voltar a marcar o mesmo lugar. Produtos com enzimas, próprios para urina de animais, costumam funcionar melhor que desinfetantes comuns.

Perguntas frequentes

Gatos reconhecem outros gatos pela urina?

Sim. O estudo mostra que eles distinguem a urina de indivíduos diferentes e lembram desses cheiros por meses.

O que é a careta que o gato faz ao cheirar?

É a reação de Flehmen, que ajuda a levar odores a um órgão sensorial no céu da boca.

Com informações da Universidade de Iwate e do estudo publicado na Current Biology.

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