
Em mais de 15 anos guiando safáris no Pantanal, o fotógrafo Fábio Mitsuka Paschoal nunca tinha visto nada parecido. No meio do verde e do dourado dos campos, um veado-campeiro (Ozotoceros bezoarticus) completamente branco. A imagem circulou nas redes e o animal ganhou o apelido de fantasma do Pantanal.
Paschoal comparou o encontro a uma chance em um milhão. E o mais curioso: o mesmo animal, ainda jovem, já foi visto outras vezes por guias da região.
Um veado feito para não ser visto
O veado-campeiro é uma espécie de campos abertos e áreas de transição. A pelagem normal, marrom-avermelhada, ajuda o animal a sumir no capim. É exatamente o contrário do que acontece com o exemplar branco, que se destaca de longe contra a vegetação.
De acordo com a descrição do registro, o animal tem albinismo, uma alteração genética rara que impede a produção de melanina, o pigmento que dá cor à pele, aos pelos e aos olhos.
Albinismo ou leucismo?
Bichos brancos na natureza podem ter duas condições diferentes. No albinismo, falta melanina no corpo todo, inclusive nos olhos, que ficam claros ou avermelhados. No leucismo, a perda de pigmento é parcial: pelos ou penas ficam brancos, mas os olhos mantêm a cor normal. Especialistas costumam usar a cor dos olhos como pista para diferenciar as duas.
O albinismo é hereditário e recessivo: costuma aparecer quando os dois pais carregam o gene alterado. Em populações pequenas ou isoladas, onde parentes se cruzam com mais frequência, a chance aumenta um pouco, mas continua rara.
Bonito, mas arriscado
Na natureza, a falta de pigmento cobra um preço. O animal fica mais visível para predadores, como onças e pumas, e mais sensível à luz do sol, com risco maior de problemas de pele e de visão. Para uma espécie que já sofre pressão, o perigo se soma.
O veado-campeiro perdeu boa parte dos campos nativos onde vivia no Brasil, convertidos em lavouras e pastagens, e também enfrenta caça ilegal, atropelamentos e doenças transmitidas pelo gado. O Pantanal, com seus grandes campos alagáveis, é um dos refúgios mais importantes da espécie no país.
Um sinal de que a área protege
O fato de o jovem branco ter sido visto repetidas vezes sugere que, até agora, ele conseguiu escapar dos riscos que a cor impõe. Para quem acompanha a fauna da região, é um indicativo de que a combinação de áreas preservadas e turismo de observação cuidadoso funciona como escudo para animais como esse.
Como observar sem atrapalhar
Registros de animais raros atraem curiosos. A orientação para quem visita o Pantanal é manter distância, não perseguir os bichos com veículos, não usar drones sobre eles e não divulgar a localização exata de animais muito raros, para evitar caçadores e assédio.
Perguntas frequentes
Existe veado branco no Brasil?
Sim, mas é raríssimo. Casos de albinismo ou leucismo já foram registrados em diferentes espécies de veados, como o veado-campeiro fotografado no Pantanal.
Qual a diferença entre albinismo e leucismo?
No albinismo falta melanina no corpo todo, inclusive nos olhos. No leucismo, só pelos ou penas ficam brancos e os olhos mantêm a cor normal.
Com informações do registro do fotógrafo e guia Fábio Mitsuka Paschoal.
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