Ossos escondidos sob pisos e em poços de casas vikings revelam violência cotidiana: um homem sobreviveu a três golpes na cabeça antes de morrer

Ossos escondidos sob pisos e em poços de casas vikings revelam violência cotidiana: um homem sobreviveu a três golpes na cabeça antes de morrer
Reconstrução de uma casa longa viking. Foto: Carroll Pierce, via Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 2.0.

Os países nórdicos têm hoje fama de pacíficos. Mil anos atrás, a Escandinávia da Idade do Ferro e da Era Viking era marcada por muita violência física. Parte das provas vem das sagas, de túmulos e de valas comuns com esqueletos feridos. Mas um estudo mostra que havia outro lugar onde procurar: dentro das casas.

Pesquisadores do projeto internacional BODY-POLITICS examinaram restos humanos encontrados em contextos pouco comuns, como casas, poços e salões de banquete, que cobrem 1.500 anos de história. O trabalho foi publicado na revista científica Journal of Archaeological Method and Theory.

Corpos fora do cemitério

Na Escandinávia antiga, nem todo morto ia para o cemitério. Corpos inteiros, ou partes deles, foram colocados sob pisos, dentro de poços e em salões. A equipe analisou ossos guardados em coleções de museus e relatórios de escavações antigas, em busca de ferimentos e sinais de cicatrização.

De quase 200 indivíduos, 12 tinham lesões traumáticas. Ao menos oito mostravam sinais de violência deliberada. E havia indícios de traumas repetidos.

Três golpes na cabeça

Quatro pessoas sofreram vários ferimentos ao longo da vida. Um homem da Era Viking sobreviveu a três golpes no crânio, além de fraturas no antebraço e na clavícula, antes de morrer. Um dos achados mais impressionantes foi um fragmento de crânio de uma criança de dois a quatro anos, encontrado sob o piso de uma casa, que pode ter sofrido um ferimento de arma por volta da morte.

Nem tudo era trauma súbito. Alguns restos tinham fraturas, problemas dentários e sinais de estresse físico crônico, indicando que essas pessoas podem ter vivido sob dificuldades e violência por boa parte da vida.

Quem eram e por que estavam ali

Os autores levantam várias explicações para os ferimentos: violência dentro de casa, brigas na própria comunidade, conflitos entre comunidades ou violência ritual, como sacrifícios humanos.

Depois da morte, essas pessoas não receberam enterros convencionais. Algumas partes de corpos mostravam marcas de corte e outras modificações feitas após a morte. Segundo os pesquisadores, qualquer que fosse a lógica, esses corpos foram processados e transformados de propósito, na morte e depois dela.

Além do mito do guerreiro

A imagem popular dos vikings é a de guerreiros que atacavam mosteiros e cidades estrangeiras. O estudo mostra um lado menos conhecido: a violência que acontecia no dia a dia, dentro das comunidades, atingindo também pessoas comuns e crianças. Mostra ainda que a casa, espaço da vida familiar, podia ser também lugar de enterro e de ritual.

Perguntas frequentes

Os vikings eram violentos?

A sociedade escandinava da época tinha muita violência, tanto em guerras quanto no dia a dia, como mostram os ossos analisados.

Por que havia ossos dentro das casas?

Partes de corpos eram colocadas sob pisos, em poços e salões, possivelmente por motivos rituais. As razões exatas ainda são estudadas.

Com informações do projeto BODY-POLITICS e do estudo publicado no Journal of Archaeological Method and Theory.

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