
Durante o sobrevoo do lado oculto da Lua, em 6 de abril de 2026, os quatro astronautas da missão Artemis II viram a olho nu cinco clarões minúsculos, provocados por pedaços de rocha que se chocaram contra a superfície lunar. Eles estavam a cerca de 74 mil quilômetros da Lua. A confirmação está no relatório científico preliminar da missão, que a Nasa divulgou em 7 de outubro de 2026, junto com os áudios da tripulação, anotações e fotos.
Segundo a agência, é provável que esses tenham sido os clarões de impacto mais fracos já vistos sem instrumentos.
O que foi a Artemis II
A Artemis II levou os astronautas da Nasa Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch e o canadense Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense, numa volta ao redor da Lua a bordo da nave Orion. Foi o primeiro voo tripulado à Lua desde a Apollo 17, em 1972.
No dia do sobrevoo, a tripulação bateu o recorde de distância da Terra alcançada por seres humanos, superando a marca da Apollo 13. A máxima chegou a 252.756 milhas, cerca de 406,8 mil quilômetros. A maior aproximação da Lua foi de cerca de 6,5 mil quilômetros da superfície, durante um período planejado de 40 minutos sem comunicação com a Terra, enquanto a nave passava atrás da Lua.
Os clarões no escuro
Os cientistas tinham pedido à tripulação que observasse pequenos clarões causados por fragmentos de rocha que atingem a Lua. A oportunidade veio durante um eclipse solar de quase uma hora, quando a nave, a Lua e o Sol se alinharam e deixaram a face lunar escura, condição ideal para enxergar luzes muito fracas.
Wiseman, Glover e Hansen relataram os clarões e marcaram a posição de cada um em tablets. Depois de descartar outras explicações, como raios cósmicos ou reflexos na própria nave, a equipe científica confirmou cinco deles. Pelo brilho, os cientistas estimam que as rochas tinham no máximo alguns centímetros de diâmetro, mas viajavam a milhares de quilômetros por hora.
Como a Lua não tem atmosfera para frear ou queimar esses fragmentos, eles atingem o solo diretamente. Segundo a Nasa, as observações ajudam a calcular com que frequência esses pequenos impactos acontecem, informação essencial para avaliar riscos a futuras bases e equipamentos na superfície lunar.
Uma Lua colorida
A tripulação também descreveu tons de cinza, preto, marrom, bege, branco, verde e azul na superfície. Para os cientistas, esse arco-íris discreto dá pistas sobre as rochas e minerais de cada região:
- tons azulados indicam rochas vulcânicas ricas em titânio;
- tons marrons refletem diferentes quantidades de ferro;
- tons esverdeados sinalizam vidro formado em erupções vulcânicas ou impactos de asteroides.
As observações serão comparadas com dados da sonda Lunar Reconnaissance Orbiter, da Nasa. A agência destaca que treinar o olhar dos astronautas para separar efeitos de iluminação de características reais do terreno será essencial nas próximas missões, que devem pousar nas regiões polares, onde a luz do Sol chega muito inclinada.
Terra se pondo atrás da Lua
Ao passar atrás da Lua, a tripulação viu um pôr da Terra, quando o planeta desaparece atrás do horizonte lunar, e depois um nascer da Terra, quando a nave saiu do outro lado. Os astronautas fotografaram crateras, antigos derrames de lava e rachaduras formadas ao longo da evolução da Lua.
Perguntas frequentes
Quando foi o sobrevoo da Artemis II?
Em 6 de abril de 2026, durante cerca de sete horas de observação do lado oculto da Lua.
O que a Nasa divulgou em outubro?
O relatório científico preliminar da missão, com áudios da tripulação, anotações e imagens, em 7 de outubro de 2026.
O que são os clarões de impacto?
Flashes de luz produzidos quando pequenas rochas espaciais atingem a superfície da Lua em alta velocidade.
Quem estava na missão?
Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch, da Nasa, e Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense.
Os dados ficam disponíveis para a comunidade científica e para o público e devem orientar as próximas missões do programa Artemis, que preveem a volta de astronautas à superfície lunar.
Com informações da Nasa e do relatório científico preliminar da missão Artemis II.
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