Tauridas cruzam o céu em 2026 com até 10 meteoros por hora e uma noite sem luar em outubro

Tauridas cruzam o céu em 2026 com até 10 meteoros por hora e uma noite sem luar em outubro
Foto: Deborah Byrd

Duas correntes ligadas ao cometa Encke estarão ativas por meses, mas a melhor chance ocorre entre outubro e novembro.

Quem procurar riscos luminosos no céu entre o fim de outubro e o início de novembro de 2026 poderá acompanhar duas chuvas de meteoros ao mesmo tempo. As Tauridas do Sul e as Tauridas do Norte surgem na direção da constelação de Touro e, somadas, podem produzir cerca de 10 meteoros por hora em condições ideais. A Lua nova de 9 de novembro deve deixar o céu mais escuro para a observação.

O fenômeno será visível de diferentes pontos do Brasil, inclusive na Amazônia, desde que o observador esteja longe de iluminação intensa e tenha uma visão aberta do céu. Não é preciso telescópio. A recomendação é olhar para a região de Touro depois da meia-noite, quando o ponto de onde os meteoros parecem sair estará mais alto.

Duas correntes, uma temporada prolongada

As Tauridas não funcionam como uma chuva concentrada em poucas horas. Elas são formadas por duas correntes de detritos espaciais que a Terra atravessa durante várias semanas. A corrente do Sul pode ser observada aproximadamente de 10 de setembro a 20 de novembro. A do Norte aparece entre cerca de 20 de outubro e 10 de dezembro.

Para o período de maior duração, as referências astronômicas também apontam a atividade das Tauridas do Sul entre 23 de setembro e 12 de novembro, e das Tauridas do Norte entre 13 de outubro e 2 de dezembro. Essa diferença ocorre porque os limites de uma chuva de meteoros dependem do critério usado para definir quando a quantidade de partículas começa ou termina de se destacar do fundo normal de meteoros.

Segundo a EarthSky, as Tauridas do Sul têm pico previsto para 19h UTC de 5 de novembro de 2026, enquanto as Tauridas do Norte devem atingir o máximo às 18h UTC de 12 de novembro. Esses horários não significam que o espetáculo estará restrito a um instante. As duas correntes têm picos pouco definidos e costumam permanecer ativas durante outubro e novembro.

Tauridas cruzam o céu em 2026 com até 10 meteoros por hora e uma noite sem luar em outubro
Foto: Deborah Byrd

Como observar a partir da Amazônia

Na prática, o melhor horário continua sendo por volta da meia-noite local, quando Touro alcança maior altitude. Os horários internacionais dos picos precisam ser convertidos para o fuso de cada cidade. No Norte do Brasil, isso inclui diferenças entre locais no Acre, Amazonas, Rondônia, Roraima, Pará, Amapá e Tocantins. A posição da constelação no céu, porém, é o fator mais importante para escolher o momento.

Em áreas urbanas de Manaus, Belém, Macapá, Rio Branco, Porto Velho, Boa Vista e Palmas, a iluminação pública pode esconder os meteoros mais fracos. Comunidades rurais, praias, campos abertos e áreas de baixa luminosidade oferecem melhores condições, desde que o local seja seguro e tenha horizonte amplo. O observador deve esperar cerca de 20 minutos para os olhos se adaptarem ao escuro.

A Lua será uma aliada em 2026. A Lua nova ocorrerá às 7h02 UTC de 9 de novembro, reduzindo a claridade natural do céu na época em que as duas correntes estarão próximas da sobreposição. Ainda assim, nuvens, fumaça de queimadas, umidade e luz artificial podem ter impacto maior do que a própria fase lunar.

O que são as bolas de fogo das Tauridas

As Tauridas costumam produzir meteoros mais lentos e, ocasionalmente, muito brilhantes. Esses eventos são chamados de bolas de fogo. Em anos comuns, cerca de 1% dos meteoros da chuva recebe essa classificação. Quando a Terra atravessa uma concentração mais densa de fragmentos, a proporção pode chegar a 7%.

Houve reaparecimentos de maior atividade em 2008, 2015 e 2022. O próximo enxame excepcional previsto é 2032, quando a Lua nova e a passagem da Terra próxima ao centro da concentração podem favorecer a ocorrência de bolas de fogo. Isso não significa que 2026 ficará sem eventos luminosos, mas a expectativa não é de um pico extraordinário como o projetado para 2032.

Tauridas cruzam o céu em 2026 com até 10 meteoros por hora e uma noite sem luar em outubro
Foto: Deborah Byrd

Para registrar um meteoro, o ideal é usar uma câmera em tripé, com exposição longa e enquadramento amplo. A maioria dos riscos aparece fora do centro da constelação de Touro, porque o meteoro pode surgir em diferentes pontos do céu. O rastro, quando fotografado, parece partir da direção do radiante, a região celeste associada à chuva.

A ligação com o cometa Encke

A corrente das Tauridas do Sul está associada ao cometa Encke, oficialmente chamado 2P/Encke. O objeto tem um período orbital de aproximadamente 3,3 anos, o menor entre os principais cometas do Sistema Solar. Em sua trajetória, ele se aproxima do Sol até uma distância comparável à órbita de Mercúrio.

A hipótese mais aceita é que o cometa tenha feito parte de um corpo muito maior, fragmentado há cerca de 20 mil anos. O conjunto de cometas, asteroides e detritos resultante é conhecido como Complexo de Encke. A próxima passagem do cometa pelo interior do Sistema Solar está prevista para julho de 2030. O documento sobre o Complexo de Encke reúne informações técnicas sobre essa relação.

Já a origem das Tauridas do Norte é atribuída a um conjunto de objetos relacionado ao asteroide 2004 TG10. Ele foi descoberto em 8 de outubro de 2004 pelo programa Spacewatch e tem uma órbita semelhante à do cometa Encke. Estudos indicam que pode haver pelo menos 10 asteroides relacionados à corrente, em vez de um único corpo responsável por todo o material.

Por que os horários de pico variam

As datas divulgadas por diferentes calendários podem não coincidir porque os pesquisadores trabalham com modelos, observações e critérios distintos. As partículas se espalham pelo espaço e sofrem alterações provocadas pela radiação solar e pela gravidade dos planetas. Por isso, a órbita observada de um meteoro pode não ser idêntica à do objeto que liberou o fragmento.

Câmeras automatizadas e computadores ajudam a calcular rapidamente as trajetórias dos meteoros e a compará-las com as órbitas conhecidas de cometas e asteroides. Esse trabalho pode esclarecer melhor a origem das Tauridas do Norte nos próximos anos.

Para acompanhar a chuva em 2026, o próximo passo é consultar a previsão do tempo, escolher um local escuro e verificar o horário de nascimento da Lua na cidade. O guia de observação da RASC para 2026 é uma das referências usadas para as previsões anuais.

Com informações de EarthSky.

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