
O Sol ainda tem bilhões de anos pela frente. Com cerca de 4,57 bilhões de anos, ele está na meia-idade e segue transformando hidrogênio em hélio no núcleo. Segundo uma análise da Agência Espacial Europeia (ESA) feita com dados do satélite Gaia, o Sol vai atingir sua temperatura máxima por volta dos 8 bilhões de anos de idade. Depois disso, vai esfriar na superfície, inchar e se tornar uma gigante vermelha entre os 10 e os 11 bilhões de anos. No fim, restará uma anã branca, pequena, densa e de brilho fraco. O Sol não vai explodir como supernova: ele não tem massa suficiente para isso.
Como os astrônomos sabem o futuro do Sol
Não dá para esperar bilhões de anos e observar. O que os astrônomos fazem é olhar para outras estrelas parecidas com o Sol em idades diferentes, como quem entende o envelhecimento humano observando pessoas de várias idades ao mesmo tempo.
Foi o que fez a equipe liderada pela astrônoma Orlagh Creevey, do Observatório da Côte d’Azur, na França, com dados da terceira grande divulgação do satélite Gaia, publicada em junho de 2022. Os pesquisadores selecionaram estrelas com a mesma massa e a mesma composição química do Sol, mas com idades diferentes. Também identificaram 5.863 “análogas solares”, estrelas muito parecidas com o Sol de hoje em temperatura, gravidade na superfície, composição, massa e raio. Juntas, essas estrelas desenham o caminho que o Sol já percorreu e o que ainda vai percorrer.
As fases que faltam
- Hoje: o Sol queima hidrogênio no núcleo, com temperatura na superfície de cerca de 6.000 graus kelvin.
- Por volta dos 8 bilhões de anos: atinge a temperatura máxima na superfície.
- Entre 10 e 11 bilhões de anos: com o hidrogênio do núcleo acabando, a estrela incha, a superfície esfria e ela se torna uma gigante vermelha.
- Depois: o Sol solta suas camadas externas para o espaço e sobra apenas o núcleo, uma anã branca.
As camadas expelidas por estrelas como o Sol formam as chamadas nebulosas planetárias, como a Nebulosa do Anel, fotografada pelo telescópio espacial James Webb. O nome é antigo e enganoso: elas não têm nada a ver com planetas. No centro de uma nebulosa dessas fica a anã branca, o que restou da estrela.
O Sol vai explodir?
Não. Explosões de supernova acontecem com estrelas muito mais pesadas do que o Sol. Uma estrela do porte do nosso termina a vida de forma mais lenta: incha, perde as camadas de fora e se apaga aos poucos como anã branca.
E a Terra?
Quando virar gigante vermelha, o Sol vai crescer tanto que deve engolir os planetas mais próximos. Se a Terra também será engolida ainda é tema de debate entre os astrônomos, porque, ao perder massa, o Sol diminui a força com que segura os planetas e as órbitas se afastam. De qualquer forma, muito antes disso o aumento do brilho do Sol deve tornar o planeta inabitável.
E os planetas gigantes?
Um estudo publicado em setembro de 2026 na revista The Astrophysical Journal Letters, por Konstantin Batygin, do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), Jim Fuller, do Instituto Walter Burke de Física Teórica, e Fred Adams, da Universidade de Michigan, indica que Júpiter, Saturno, Urano e Netuno também não estão a salvo. Se o Sol perder massa de forma irregular no fim da vida, as órbitas dos planetas gigantes podem se desorganizar. Nas simulações, cerca de 90% dos cenários terminam com o Sistema Solar exterior desfeito em até 3 bilhões de anos. A Revista Amazônia contou os detalhes nesta reportagem sobre o fim do Sistema Solar.
Por que estudar o futuro do Sol
Entender a vida do Sol ajuda a entender todas as estrelas parecidas com ele, e muitas delas têm planetas. Segundo a ESA, conhecer bem a nossa própria estrela é o ponto de partida para interpretar o que os telescópios veem em outros sistemas da galáxia.
Perguntas frequentes
Quantos anos o Sol tem?
Cerca de 4,57 bilhões de anos, segundo a ESA.
Quando o Sol vai virar gigante vermelha?
Entre os 10 e os 11 bilhões de anos de idade, ou seja, daqui a mais de 5 bilhões de anos.
O Sol vai explodir?
Não. Ele não tem massa suficiente para virar supernova. Vai terminar como anã branca.
O que é uma anã branca?
É o núcleo quente, pequeno e muito denso que sobra quando uma estrela como o Sol perde as camadas externas.
Isso ameaça a Terra hoje?
Não. Todas essas mudanças acontecem em escalas de bilhões de anos.
Com informações da Agência Espacial Europeia (ESA), da missão Gaia, do telescópio espacial James Webb e do estudo publicado em The Astrophysical Journal Letters.
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