
Série gratuita da NASA transforma dados reais de telescópios em pôsteres de terror cósmico, com planetas, buracos negros e galáxias mortas.
Imagine um planeta onde chove vidro na horizontal, a cerca de 2 quilômetros por segundo. Não é cenário de filme de terror: é HD 189733 b, um dos mundos reunidos na coleção Galaxy of Horrors, da NASA, uma série de pôsteres e experiências interativas gratuitas inspirada em ciência real sobre o universo.
A proposta é simples e esperta: usar o clima de Halloween e de filmes de monstros para apresentar ao público descobertas sobre exoplanetas (planetas fora do Sistema Solar), buracos negros e os grandes mistérios do cosmos. Os pôsteres podem ser baixados no site de exoplanetas da agência espacial americana.
Um planeta onde o vento carrega vidro
Em HD 189733 b, segundo a NASA, os ventos lançam vidro em tempestade de lado a 5.400 mph (2 km/s), em espiral. A agência o apelidou de planeta “assassino”, numa brincadeira com os filmes de terror: é a morte “por mil cortes”.
Outro destino é HD 80606 b, que se aproxima da estrela por uma órbita muito alongada. A cada passagem rente ao astro, o planeta sofre ventos supersônicos e tempestades de ondas de choque.

Do mais quente ao mais escuro
Kepler-70b, também chamado KOI-55 b, tem temperatura média de cerca de 12.000 graus Fahrenheit (6.800 °C). Segundo a NASA, ele já teve o tamanho de Júpiter, mas passou um período dentro da própria estrela, hoje morta, uma jornada que destrói a maioria dos planetas.
No extremo oposto da luz está TrES-2 b, o “planeta da noite eterna”. É o mais escuro já descoberto orbitando uma estrela, menos reflexivo que carvão, com atmosfera tão quente quanto lava.
Já WASP-12 b é puxado por uma estrela gigante, que rouba pedaços do planeta. A gravidade extrema estica o gigante gasoso quente até lhe dar formato de ovo.
Estrelas jovens, mortas e planetas zumbis
AU Microscopii é um dos sistemas planetários mais jovens já observados. Nele, a estrela castiga o planeta AU Mic b com rajadas de raios X e outras radiações, dentro de um disco de poeira.

Os “mundos zumbis” orbitam um pulsar, tipo de estrela morta. Entre eles estão Poltergeist e seus vizinhos Phobetor e Draugr, banhados por radiação constante. Estão entre os primeiros planetas já descobertos.
Buracos negros, galáxias e forças invisíveis
A coleção vai além dos planetas. Cygnus X-1, buraco negro a cerca de 6.000 anos-luz da Terra, é o “devorador” do catálogo. Há ainda a explosão de raios gama de duas estrelas colapsadas que se fundem, com brilho um milhão de trilhões de vezes maior que o do Sol.
O pôster “Galactic Graveyard” mostra uma galáxia que parou de fazer estrelas poucos bilhões de anos após o Big Bang e virou um cemitério cósmico, iluminado pelo brilho vermelho de estrelas em declínio.
Fecham o pacote dois mistérios: a matéria escura, espalhada numa teia que forma o esqueleto do universo e só revelada pela gravidade, e a energia escura, pressão que acelera a expansão do cosmos. A NASA ressalta que as duas são coisas diferentes.
O que isso tem a ver com a Amazônia
Para quem vive na região, o material é uma porta de entrada para a astronomia. A Amazônia tem céu escuro em muitas comunidades, e o conteúdo pode servir a professores, estudantes e curiosos que queiram transformar uma aula de ciências em um passeio por mundos extremos. Os pôsteres em alta resolução podem ser impressos para uso em salas de aula, feiras de ciência e projetos de divulgação científica.
Os interativos de Kepler’s Inferno, Monster Mash e Eternal Darkness levam a visitas virtuais a KOI-55 b, WASP-12 b e TrES-2 b. Novos pôsteres, como Roasted Planet e Dark Energy, foram adicionados recentemente, e a NASA indica que a coleção segue em expansão. Vale acompanhar as notícias da agência para saber das próximas atualizações.
Com informações de NASA.
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