Morte do Sol pode desmontar o Sistema Solar muito antes do previsto, mostram simulações

Morte do Sol pode desmontar o Sistema Solar muito antes do previsto, mostram simulações
Imagem: NASA/GSFC/Solar Dynamics Observatory (domínio público). O Sol fotografado pelo observatório SDO em 10 de setembro de 2025.

Quando o Sol morrer, os planetas gigantes do Sistema Solar podem sair de suas órbitas muito antes do que se calculava. Um estudo publicado em 21 de setembro de 2026 na revista The Astrophysical Journal Letters mostra que, se o Sol perder massa de forma irregular no fim da vida, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno passam a ter órbitas instáveis. Nas simulações dos autores, cerca de 40% dos cenários terminam em desorganização ou em encontros violentos entre os planetas antes mesmo de o Sol virar uma anã branca, e cerca de 90% se desfazem em até 3 bilhões de anos.

O trabalho é assinado por Konstantin Batygin, do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), Jim Fuller, do Instituto Walter Burke de Física Teórica, e Fred Adams, da Universidade de Michigan.

O que se pensava antes

Segundo os autores, a estabilidade do Sistema Solar é uma questão estudada desde o início da mecânica celeste. Para os planetas internos, a resposta já é conhecida em termos estatísticos: a órbita de Mercúrio tem cerca de 1% de chance de se desestabilizar antes que o Sol deixe a fase atual de sua vida.

O Sistema Solar exterior parecia muito mais seguro. Os cálculos davam a ele uma duração de cerca de 10 elevado a 18 anos, um número com 18 zeros. Mesmo levando em conta a perda de massa do Sol e a passagem de outras estrelas por perto, a arrumação dos planetas gigantes deveria durar cerca de 100 bilhões de anos.

O que muda com o novo estudo

Segundo o artigo, essas estimativas partiam de uma suposição: a de que o Sol perderia massa de forma suave e uniforme. Medições recentes de anãs brancas, porém, indicam que essas estrelas recebem um “empurrão” ao morrer, sinal de que a perda de massa é assimétrica, feita em ejeções separadas, cada uma numa direção.

Quando o Sol soltar suas camadas externas dessa forma, aos pedaços, cada ejeção dará um pequeno solavanco no movimento da estrela. Os autores mostram que, com isso, as órbitas dos planetas passam a variar de forma aleatória, e a desorganização acontece ao mesmo tempo em que o Sol morre.

O que dizem as simulações

Nos experimentos numéricos dos pesquisadores:

  • os cruzamentos de órbitas podem começar já na fase de gigante vermelha do Sol;
  • cerca de 40% das simulações terminam em desorganização ou dispersão violenta dos planetas antes da formação da anã branca;
  • cerca de 90% se autodestroem em até 3 bilhões de anos.

Com isso, segundo os autores, o tempo de vida do Sistema Solar exterior cai de 10 elevado a 18 anos para cerca de 1 bilhão de anos depois que o Sol se tornar uma anã branca.

A Terra corre algum risco agora?

Não. O estudo trata do fim da vida do Sol, um processo que só deve começar daqui a bilhões de anos. A mudança está na escala: o fim da arrumação atual dos planetas gigantes passa de um prazo praticamente infinito para um prazo comparável à idade das próprias estrelas.

Entenda

Gigante vermelha é a fase em que uma estrela como o Sol esgota o hidrogênio do núcleo, incha e perde suas camadas externas. Anã branca é o núcleo pequeno e denso que sobra depois disso. Sistema Solar exterior é a região dos planetas gigantes: Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. Simulação numérica é o cálculo feito em computador para prever o movimento dos planetas ao longo do tempo.

Perguntas frequentes

O Sistema Solar vai se desfazer quando o Sol morrer?

Segundo as simulações do estudo, em cerca de 90% dos cenários os planetas gigantes se desorganizam em até 3 bilhões de anos.

Por que a perda de massa do Sol importa?

Porque, se ela acontecer aos pedaços e em direções diferentes, cada ejeção empurra a estrela e altera aos poucos as órbitas dos planetas.

Quem fez o estudo?

Konstantin Batygin (Caltech), Jim Fuller (Instituto Walter Burke de Física Teórica) e Fred Adams (Universidade de Michigan).

Onde foi publicado?

Na revista The Astrophysical Journal Letters, em 21 de setembro de 2026.

Com informações do estudo “Terminal Instability of the Solar System Triggered by Stochastic Solar Mass Loss”, publicado em The Astrophysical Journal Letters.

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