
A galaxia GS18660 pode ser o registro de uma colisão rara no universo primitivo e ajuda a testar como as primeiras galáxias se formaram.
Um anel brilhante de estrelas recém-nascidas, formado quando o universo tinha apenas 2,1 bilhões de anos, foi registrado pelo telescópio espacial James Webb (JWST). A galáxia, chamada GS18660, é a galáxia em anel mais distante já encontrada e pode ser o retrato de uma colisão entre dois sistemas estelares, segundo estudo publicado em 8 de setembro na revista Astronomy & Astrophysics.
O achado sugere que o universo primitivo pode ter sido mais caótico do que se imaginava, com encontros entre galáxias capazes de moldar estruturas hoje raras.
Uma descoberta feita por acaso
A GS18660 não foi escolhida por causa do anel. Os astrônomos a selecionaram porque ela aparecia esticada em imagens antigas do telescópio espacial Hubble.
“We therefore did not target GS18660 specifically as a ring galaxy”, disse Michele Perna, pesquisador de pós-doutorado do Centro de Astrobiologia da Espanha e primeiro autor do estudo, ao Live Science. Segundo ele, quando o objeto foi observado com o espectrógrafo de infravermelho próximo do JWST, “the much more detailed data revealed the prominent ring structure and allowed us to investigate the galaxy in three dimensions”.
Como a equipe examinou a galáxia
Com o Webb, os pesquisadores analisaram o formato da galáxia, acompanharam o movimento do gás quente, estudaram as propriedades químicas desse gás e reconstruíram o histórico de formação de estrelas.
A observação em três dimensões é o que permite ir além da imagem: ao medir como o gás se move, os cientistas conseguem testar se a estrutura em anel é compatível com um processo de colisão.
Como uma colisão cria um anel
O modelo clássico para galáxias em anel colisionais envolve um intruso. Quando uma galáxia pequena atravessa o centro de uma maior, o impacto gera uma onda de gás denso que se propaga para fora, de forma parecida com as ondulações na água quando se joga uma pedra num lago.
O gás se acumula ao longo dessa onda e dá origem a novas estrelas, desenhando o anel. Esse tipo de galáxia é raro no universo próximo, e os poucos candidatos encontrados em épocas distantes eram difíceis de confirmar.
Por que o resultado importa
Christopher Conselice, professor de astronomia extragaláctica da Universidade de Manchester, no Reino Unido, que não participou do estudo, afirmou que é raro flagrar um possível instantâneo de fusão como esse, dadas as escalas de tempo envolvidas nesses sistemas.
Embora as interações entre galáxias possam ter sido comuns no universo jovem, a formação de sistemas em anel é considerada incomum. “In this sense, the galaxy system is quite unique and may give us important information about early galaxy formation”, disse Conselice por e-mail.
O que ainda não está fechado
Os autores tratam a GS18660 como uma possível galáxia em anel resultante de colisão. A interpretação aponta para um intruso, mas ela não é uma certeza definitiva, e outros candidatos distantes já enfrentaram dificuldade de confirmação.
Também não está claro com que frequência esse tipo de evento ocorreu nos primeiros bilhões de anos. Novas observações e outros alvos semelhantes são o caminho para saber se a GS18660 é um caso isolado ou parte de uma população ainda escondida.
O que isso significa para o leitor da Amazônia
Observações como essa dependem de instrumentos que ficam no espaço, longe da interferência da atmosfera, e de dados abertos a pesquisadores de vários países. Para estudantes e cientistas da região, que convivem com céus noturnos de pouca poluição luminosa em muitas áreas, o resultado é um exemplo de como uma imagem de arquivo do Hubble pode ganhar nova vida quando revisitada com tecnologia mais sensível.
Os resultados completos estão no artigo científico publicado na Astronomy & Astrophysics, e a expectativa é que novas observações do Webb ajudem a dizer se colisões desse tipo foram mais frequentes no universo jovem.
Com informações de Live Science.
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