
Um coral branco como osso parece estar morrendo. Em um laboratório na Califórnia, corais nesse estado recuperaram toda a cor em apenas quatro semanas depois de encostar em um pedaço saudável da mesma colônia. Os fragmentos mantidos a pouco mais de meio centímetro do vizinho saudável não tiveram ajuda nenhuma, e a maioria morreu.
O estudo foi liderado por Danny Collins, doutorando da Escola Doerr de Sustentabilidade da Universidade Stanford, na Estação Marinha Hopkins, e publicado na revista científica Science Advances.
Por que o coral fica branco
Corais vivem em parceria com algas microscópicas que moram dentro do tecido deles e produzem alimento por fotossíntese. Quando a água esquenta demais, como nas ondas de calor marinhas, o coral expulsa essas algas. Sem elas, fica branco: é o branqueamento.
Um coral branqueado não está morto, mas está passando fome. Se sobreviver, recuperar as algas costuma levar meses ou anos. Por isso, a maior parte dos esforços para salvar recifes tenta evitar o branqueamento, com cruzamentos seletivos, sombreamento ou bactérias benéficas. Poucos tratam o coral que já branqueou.
Uma descoberta por acaso
Em 2025, o professor Stephen Palumbi, da Estação Hopkins, notou algo curioso: dois fragmentos da mesma colônia tinham tombado em um aquário e ficaram encostados. Um estava branqueado e o outro, saudável. O branqueado começou a recuperar a cor justamente no ponto de contato.
Collins, que estudava como bactérias nocivas de lixo plástico entram nos corais por contato, se perguntou se o toque poderia transmitir algo bom.
O experimento
Ele aqueceu a água a cerca de 34,5 °C por quatro horas ao dia até os ramos de coral perderem toda a cor, o que levou umas duas semanas. Depois cortou os ramos em fragmentos de pouco mais de um centímetro e colou cada pedaço branqueado ao lado de um saudável da mesma colônia, da espécie Pocillopora damicornis.
Cinco pares ficaram encostados e cinco, separados por pouco mais de meio centímetro. Todos os cinco corais encostados se recuperaram totalmente em até oito semanas, um deles em quatro. Na vigésima semana, já cresciam ramos novos. Dos cinco separados, dois morreram cobertos por algas comuns, e os outros três ficaram com pelo menos 87% da superfície tomada.
Uma semana de contato basta
A equipe também separou pares depois de diferentes tempos de contato. Todos os corais que ficaram encostados por uma semana ou mais se recuperaram completamente em até sete semanas. Três dias não foram suficientes, e um dia não produziu recuperação.
A contagem ao microscópio mostrou a dimensão do resgate. Os pólipos branqueados tinham cerca de sete células de alga por milímetro quadrado no início. Os saudáveis tinham mais de 6.700. Ou seja, os branqueados haviam perdido 99,9% ou mais de suas algas. Depois do contato, as algas transferidas se multiplicaram até dez vezes mais rápido do que em corais que se recuperam sozinhos no recife.
Os limites
O método só funcionou entre pedaços geneticamente idênticos, da mesma colônia, e só foi testado em pequenos fragmentos criados em aquário. Os pesquisadores ainda não sabem se funciona em recifes reais, com outras espécies e no mar aberto. Mesmo assim, a descoberta abre uma linha nova: em vez de só prevenir, tratar o coral depois do branqueamento.
Por que isso importa no Brasil
Os recifes brasileiros também sofreram com o quarto evento global de branqueamento, iniciado em 2023, com registros de branqueamento intenso no Nordeste e em Abrolhos. Técnicas de restauração que aceleram a recuperação dos corais interessam diretamente a quem cuida desses recifes.
Perguntas frequentes
Coral branqueado está morto?
Não necessariamente. Ele perdeu as algas que o alimentam e está enfraquecido, mas pode se recuperar se a água esfriar e as algas voltarem.
Como o contato ajuda o coral?
Segundo o estudo, o pedaço saudável transfere algas ao branqueado, que depois se multiplicam dentro dele.
Com informações da Universidade Stanford e do estudo publicado na Science Advances.
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