Peixe de linhagem com centenas de milhões de anos, dado como extinto, reapareceu num rio da Geórgia; agora uma leva recorde de filhotes renova a esperança

Peixe de linhagem com centenas de milhões de anos, dado como extinto, reapareceu num rio da Geórgia; agora uma leva recorde de filhotes renova a esperança
Esturjão-russo (Acipenser gueldenstaedtii) em aquário. Foto: Daniel Döhne, via Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 3.0.

Os esturjões são peixes de uma linhagem com centenas de milhões de anos, contemporânea dos dinossauros. Hoje, são o grupo de seres vivos mais ameaçado da Terra. Das 27 espécies, apenas quatro não estão perto da extinção, segundo a Lista Vermelha da IUCN. Num rio da Geórgia, porém, eles dão sinais de que ainda resistem.

No rio Rioni, um dos três últimos refúgios de esturjões na Europa, a organização de conservação Fauna & Flora registrou uma leva recorde de filhotes, prova de que a reprodução continua.

Um rio, quatro ou cinco espécies

Os esturjões já foram comuns nos grandes rios europeus. A pesca excessiva, a caça ilegal, sobretudo para produzir caviar, e a perda dos locais de desova, bloqueados por barragens, praticamente acabaram com eles. No Rioni, sobrevivem quatro, talvez cinco espécies criticamente ameaçadas.

Desde 2017, a Fauna & Flora trabalha no rio. Em 2018, fez os primeiros estudos sobre os esturjões da Geórgia e passou a combater a caça e o comércio ilegal. Na época, nem se sabia se os peixes ainda se reproduziam ali.

A agulha no palheiro

A primeira prova veio ainda no projeto piloto, com a captura de um minúsculo juvenil de esturjão-estrelado, espécie criticamente ameaçada que tem marcas em forma de estrela nas laterais quando adulta. Encontrá-lo foi como achar uma agulha num palheiro.

Em 2020, em menos de um mês, dois exemplares de esturjão-de-barco foram capturados no Rioni. Até então, a espécie era amplamente considerada extinta e não era vista viva na natureza havia muitos anos. Os dois eram jovens, com menos de três anos, sinal de que ainda havia reprodução.

Por que os filhotes importam

Esturjões vivem muito e demoram anos, às vezes mais de uma década, para se reproduzir pela primeira vez. Uma população pode parecer viva por muito tempo só com adultos velhos, mesmo sem futuro. Encontrar filhotes em quantidade é a prova de que o ciclo continua e de que proteger os locais de desova e combater a pesca ilegal funciona.

O preço do caviar

O caviar, ovas de esturjão, está entre os alimentos mais caros do mundo. A demanda estimulou por décadas a captura de fêmeas antes da desova, o que derrubou as populações. Hoje, o comércio internacional é controlado pela convenção Cites, e boa parte do caviar legal vem de criações. O caviar ilegal de esturjões selvagens continua sendo uma das maiores ameaças.

Perguntas frequentes

Por que os esturjões estão ameaçados?

Pela pesca excessiva, pela caça ilegal para caviar e pelas barragens que bloqueiam o acesso aos locais de desova.

Existe esturjão no Brasil?

Não. Os esturjões são nativos do Hemisfério Norte. Peixes brasileiros antigos e de grande porte, como o pirarucu, têm outra história evolutiva.

Com informações da organização Fauna & Flora e da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

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