Estrela-do-mar de até 24 braços quase sumiu do Pacífico e levou junto as florestas de algas; agora mergulhadores a soltam de volta para comer ouriços

Estrela-do-mar de até 24 braços quase sumiu do Pacífico e levou junto as florestas de algas; agora mergulhadores a soltam de volta para comer ouriços
Estrela-do-mar-girassol (Pycnopodia helianthoides) na costa de Washington, EUA. Foto: Ed Bowlby/NOAA, via Wikimedia Commons, domínio público.

Na costa de Monterey, na Califórnia, mergulhadores descem ao fundo do mar levando sacos plásticos com uma carga especial: estrelas-do-mar que podem ter até 24 braços. No fundo, colocam os animais em gaiolas e deixam as portas abertas. A ideia é que eles saiam andando e voltem a ocupar o lugar que tinham no ecossistema.

O trabalho é do Sunflower Star Laboratory, uma organização sem fins lucrativos que tenta recuperar a estrela-do-mar-girassol (Pycnopodia helianthoides), hoje criticamente ameaçada de extinção.

Seis bilhões de estrelas e uma doença

A estrela-do-mar-girassol é uma das maiores do mundo. Diferente da estrela comum de cinco braços, pode ter mais de 20, e já foi abundante do Alasca à Baixa Califórnia. Segundo os fundadores do laboratório, havia cerca de 6 bilhões delas ao longo dessa costa.

A partir de 2013, uma onda de calor marinha associada à mudança do clima esquentou as águas da costa oeste da América do Norte. O calor acelerou a propagação da síndrome do definhamento das estrelas-do-mar, uma doença que literalmente desfaz o corpo dos animais. Mais de 90% da população de estrelas-do-mar-girassol do Pacífico morreu. Em 2020, a espécie foi classificada pela IUCN como criticamente ameaçada.

O efeito dominó no fundo do mar

A estrela-do-mar-girassol é uma predadora voraz de ouriços-do-mar. Sem ela, os ouriços se multiplicaram e passaram a devorar as florestas de kelp, algas gigantes que crescem até 60 centímetros por dia e podem passar da altura de um prédio de dez andares. Em várias áreas, o fundo do mar virou o que os cientistas chamam de deserto de ouriços: pedras peladas cobertas de ouriços famintos.

No norte da Califórnia, a maior parte das florestas de kelp desapareceu na última década. A perda atinge milhares de espécies que vivem entre as algas, além da pesca e do turismo.

Por que as florestas de algas importam

As florestas de kelp são comparadas às sequoias do mar. Abrigam peixes, crustáceos, lontras-marinhas e muitos outros animais. Também absorvem grandes quantidades de dióxido de carbono para crescer e participam da produção de oxigênio pelo oceano, que responde por cerca de metade do oxigênio da Terra.

Como funciona a restauração

As estrelas soltas em Monterey foram criadas em laboratório. Nos primeiros mergulhos do dia, a equipe as coloca no fundo e acompanha o comportamento: quanto se movem, se ficam perto das gaiolas, se começam a caçar ouriços. Algumas saem para passear logo no primeiro dia.

A meta é que, com o tempo, populações de estrelas-do-mar-girassol voltem a controlar os ouriços, permitindo que o kelp cresça de novo. É uma corrida contra o relógio, porque as ondas de calor marinhas tendem a ficar mais frequentes.

E no Brasil?

A estrela-do-mar-girassol não ocorre no Brasil, mas o litoral brasileiro também tem estrelas-do-mar ameaçadas, como a estrela-do-mar-almofada (Oreaster reticulatus), muitas vezes retirada da água por turistas. A orientação é nunca tirar estrelas-do-mar da água: elas morrem rapidamente fora dela.

Perguntas frequentes

Quantos braços tem a estrela-do-mar-girassol?

Pode ter até 24 braços, muito mais do que os cinco das estrelas-do-mar comuns.

Por que o kelp desapareceu na Califórnia?

Porque a morte das estrelas-do-mar-girassol, predadoras de ouriços, permitiu que os ouriços se multiplicassem e devorassem as algas.

Com informações do Sunflower Star Laboratory e da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

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