Quem nada com tubarões vira defensor deles: dois anos depois do passeio, turistas tinham 40% mais chance de agir pela conservação

Quem nada com tubarões vira defensor deles: dois anos depois do passeio, turistas tinham 40% mais chance de agir pela conservação
Mergulhador observa um tubarão-galha-preta-de-recife. Foto: Janderk68, via Wikimedia Commons, domínio público (CC0).

Nadar ao lado de tubarões pode mudar a forma como as pessoas veem esses animais, e o efeito dura. Um estudo da Universidade de Sydney, na Austrália, mostrou que turistas que participaram de passeios de mergulho com tubarões no Havaí tinham, dois anos depois, 40% mais chance de se envolver em ações de conservação do que o esperado se não tivessem feito o passeio.

É a primeira pesquisa a demonstrar um compromisso com a conservação de pelo menos dois anos entre ecoturistas de tubarões. O trabalho foi publicado na revista científica npj Ocean Sustainability.

Como foi o estudo

A pesquisa, liderada pela doutoranda Carmen Dobszewicz, comparou dois grupos no Havaí. O primeiro era de turistas que fizeram um passeio de snorkel ou mergulho livre com tubarões em Oahu, acompanhados de um biólogo marinho que coletava dados sobre os animais e explicava a importância de protegê-los. O segundo era de pessoas abordadas na praia de Waikiki, sem participação no passeio.

Os dois grupos responderam a questionários no momento do passeio e de novo dois anos depois, dizendo se tinham participado de atividades de conservação de tubarões.

O que mudou

A atividade de conservação cresceu nos dois grupos, mas muito mais entre quem nadou com os tubarões, mesmo levando em conta diferenças de perfil, envolvimento anterior com a causa e desistências na segunda pesquisa. Os maiores aumentos foram em publicações nas redes sociais, assinatura de petições, doações e defesa de leis de proteção.

Tubarões em queda

O resultado importa porque os tubarões vivem uma crise. As populações de tubarões e raias oceânicos caíram cerca de 71% em 50 anos, e um terço das espécies está ameaçado de extinção. Ao mesmo tempo, o ecoturismo cresce: estima-se que mais de 500 mil pessoas por ano participem de atividades com tubarões e raias, em pelo menos 20 países, como Bahamas, Austrália, África do Sul, Fiji e Polinésia Francesa.

Para os autores, somado à mudança recente no tom de notícias e conversas na internet sobre tubarões, o estudo indica que os benefícios do ecoturismo vão além do dinheiro: podem ajudar a proteger as próprias espécies.

E no Brasil?

O Brasil tem destinos de mergulho com tubarões, como Fernando de Noronha, onde tubarões-limão e tubarões-lixa são vistos com frequência. Ao mesmo tempo, o país está entre os grandes consumidores de carne de tubarão do mundo, muitas vezes vendida com o nome genérico de cação, o que esconde espécies ameaçadas. Conhecer os animais de perto pode ajudar a mudar essa relação.

Perguntas frequentes

Nadar com tubarões é seguro?

Em passeios organizados, com operadores licenciados e regras de conduta, os acidentes são muito raros. É essencial seguir as orientações dos guias.

Cação é tubarão?

Sim. Cação é o nome comercial usado no Brasil para a carne de várias espécies de tubarão, algumas delas ameaçadas.

Com informações da Universidade de Sydney e do estudo publicado na npj Ocean Sustainability.

Gostou desta reportagem?

Marque Revista Amazônia como fonte preferencial e veja mais conteúdo nosso no Google.

Gostou desta reportagem?
Siga a Revista Amazônia no Google News

⭐ SEGUIR AGORA