
O aumento dos custos relacionados a catástrofes naturais é um fenômeno que ecoa além dos danos físicos imediatos, penetrando profundamente nas estruturas econômicas globais. Segundo dados divulgados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o custo econômico desses eventos dobrou desde os anos 1980, apresentando uma escalada preocupante.
Em uma análise abrangente do período de 2020 a 2021, as catástrofes naturais absorveram aproximadamente 0,22% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial. Uma comparação com décadas anteriores revela uma disparidade gritante; nos anos 1980 e nas duas décadas subsequentes, esse percentual mal ultrapassava 0,08%. Os números da economista-chefe da OCDE, Clare Lombardelli, pintam um quadro vívido da crescente pressão financeira imposta por desastres naturais.
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Julho registra menor área queimada em sete anos, mas especialistas alertam para riscos no CerradoA divulgação desses dados ocorreu concomitantemente ao lançamento do relatório semestral de Perspectivas da OCDE, um chamado à ação para os países membros. Lombardelli destacou a necessidade premente de preparar-se para custos que devem inflacionar no futuro, incluindo não apenas os decorrentes do envelhecimento populacional, mas também os associados às mudanças climáticas.
À medida que Lombardelli passa o bastão para seu sucessor, Álvaro Santos Pereira, as projeções se tornam ainda mais desafiadoras. Pereira alertou que os investimentos necessários para a transição energética devem quadruplicar até 2030, superando € 4 bilhões por ano. Esse aumento é vital para atender às metas estabelecidas pela Agência Internacional de Energia (AIE) e limitar o aquecimento global a 1,5 graus Celsius. Pereira enfatizou que o impacto dessas catástrofes não será uniforme, ressaltando as disparidades regionais que exigem atenção diferenciada.
À medida que o mundo enfrenta o crescente custo financeiro e humano das catástrofes naturais, a necessidade de ação decisiva e colaboração internacional torna-se mais premente do que nunca.
















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