INPE revela persistência da supressão vegetal, com queda em um ano, mas desafios crescentes no monitoramento.
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), tornou públicos nesta sexta-feira, 10 de julho de 2026, os mais recentes avisos do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (DETER), referentes ao mês de junho de 2026. A divulgação, realizada na plataforma Terra Brasilis, integra a rotina mensal de transparência ativa do monitoramento por satélite da vegetação nativa brasileira. Os dados indicam uma redução nos alertas de desmatamento tanto na Amazônia quanto no Cerrado em comparação com junho de 2025, mas uma ressalva importante foi feita pelo INPE sobre a cobertura de nuvens, que pode ter influenciado os resultados, especialmente no bioma Cerrado.
Queda de alertas, mas com ressalvas
Os avisos de desmatamento na Amazônia somaram 297,26 km² em junho de 2026, representando uma queda de 35,0% em relação aos 457,61 km² registrados em junho de 2025. No acumulado do calendário de monitoramento 2025/2026, que vai de agosto a junho, a redução é ainda mais expressiva: 2.485,90 km² contra 3.959,98 km² do mesmo período anterior (agosto de 2024 a junho de 2025), indicando uma diminuição de 37,2%.
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Como os relatos de guerreiras indígenas na floresta deram o nome da mitologia grega ao grandioso rio AmazonasNo Cerrado, os avisos de supressão da vegetação nativa alcançaram 481,53 km² em junho de 2026, o que representa uma queda de 5,3% frente aos 508,69 km² de junho de 2025. Contudo, o INPE alertou para a significativa cobertura de nuvens durante o mês, um fator que pode ter dificultado o mapeamento completo em diversas regiões. O acumulado para o Cerrado, de agosto de 2025 a junho de 2026, registrou 4.689,40 km², uma redução de 7,9% em comparação com os 5.091 km² do período equivalente do calendário anterior.
A presença de nuvens é um desafio recorrente no monitoramento por satélite, especialmente em biomas como a Amazônia, que possui um regime de chuvas intenso em parte do ano. Para a região amazônica, a queda de quase 40% no acumulado é um número que, à primeira vista, pode sinalizar uma melhora na fiscalização e combate ao desmatamento. No entanto, a análise precisa ser cautelosa, considerando não apenas a cobertura de nuvens, mas também a metodologia do DETER, que foca em alertas em tempo real e não em taxas consolidadas de desmatamento.
Entenda o caso: O que é o DETER?
O Sistema DETER
O Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (DETER) é uma ferramenta crucial do INPE que emite avisos diários de supressão, desmatamento e degradação da vegetação nativa. Desenvolvido a partir de imagens dos sensores WFI, a bordo dos satélites CBERS-04, CBERS-04A e Amazônia-1, seu principal objetivo é subsidiar as ações de fiscalização e controle realizadas pelos órgãos competentes. É fundamental entender que esses avisos não constituem a taxa mensal de desmatamento consolidada, mas sim uma indicação da tendência do comportamento do desmatamento naquele período específico. Essas informações são voláteis e podem ser ajustadas ou confirmadas por sistemas mais detalhados, como o PRODES.

A relevância do DETER para a Amazônia brasileira e para a região, que abrange múltiplos estados como Pará, Amazonas, Rondônia e Mato Grosso, é inegável. Os dados, embora preliminares, servem como um termômetro para as políticas ambientais e para a atuação de órgãos de controle, como o Ibama e as Secretarias de Meio Ambiente Estaduais. A fiscalização em campo, muitas vezes, é orientada pelos alertas gerados pelos satélites do INPE.
Metodologia e próximos passos
Os dados divulgados nesta data abrangem o período de 1º de agosto de 2025 a 30 de junho de 2026, cobrindo os onze primeiros meses do calendário de monitoramento 2025/2026, além do mês de junho de 2026 separadamente. As comparações são realizadas seguindo a metodologia adotada nas divulgações mensais, que incluem o mesmo intervalo do calendário anterior e as médias das séries históricas de cada monitoramento.
É importante ressaltar que, segundo o INPE, os dados do DETER são avisos e não se equivalem ao desmatamento consolidado, que é medido anualmente pelo projeto PRODES, também do INPE. Os resultados finais para o ano de 2026 serão consolidados e divulgados após o fechamento do calendário de monitoramento, que se encerra em julho. A plataforma Terra Brasilis disponibiliza todos os dados, mapas interativos e arquivos para download, garantindo a transparência e o acesso público às informações.
Perguntas frequentes
O que significa a queda nos números do desmatamento?
A queda nos números do DETER indica uma redução nos primeiros alertas de supressão vegetal, podendo refletir uma eficácia maior nas ações de fiscalização ou uma mudança no padrão de desmatamento, embora a cobertura de nuvens possa distorcer um pouco essa percepção, especialmente no Cerrado.
Como a cobertura de nuvens afeta o monitoramento do desmatamento?
Nuvens bloqueiam a visão dos satélites, impedindo a detecção de áreas desmatadas. Isso pode resultar em subnotificação dos alertas, fazendo com que os números apresentados sejam menores do que a realidade da supressão vegetal.
Onde posso acessar os dados completos do DETER?
Todos os dados, mapas interativos e arquivos para download dos avisos de desmatamento do DETER estão disponíveis publicamente na plataforma Terra Brasilis do INPE, acessível via terrabrasilis.dpi.inpe.br.
Com informações de Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
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