
Boletim da ONU destaca avanço das energias renováveis, riscos do calor extremo e preparação para a conferência climática de 2026.
A Organização das Nações Unidas voltou a defender a substituição acelerada do carvão, do petróleo e do gás por energias renováveis diante do avanço de ondas de calor, enchentes, tempestades e incêndios florestais registrados em diferentes regiões do mundo em julho de 2026. A recomendação foi apresentada no boletim Agenda Climática, divulgado pela Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a UNFCCC, que também informou a abertura das inscrições para a COP31, marcada para novembro, em Antália, na Turquia.
O documento reúne alertas do secretário-geral da ONU, António Guterres, e do secretário-executivo da ONU Mudança do Clima, Simon Stiell. Para os dois dirigentes, a crise climática exige medidas simultâneas de adaptação, proteção das populações vulneráveis e redução das emissões que intensificam o aquecimento global.
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Segundo Guterres, o calor extremo tem aprofundado desigualdades, agravado a insegurança alimentar, pressionado as economias e dificultado o cumprimento das metas de desenvolvimento sustentável. O secretário-geral pediu que os governos fortaleçam sistemas de alerta e adotem medidas de proteção antes que as temperaturas atinjam níveis ainda mais perigosos.
A ONU também defende condições de trabalho mais seguras para pessoas expostas ao calor, além da adaptação de edifícios, redes de infraestrutura e serviços essenciais. A orientação inclui a criação de planos locais para reduzir riscos à saúde, sobretudo entre idosos, crianças, trabalhadores ao ar livre e comunidades com menor acesso a serviços públicos.
De acordo com a organização, mais governos passaram a fortalecer sistemas de alerta precoce e mais cidades adotaram planos de ação contra o calor. A iniciativa Beat the Heat, apoiada pela ONU, já reúne mais de 250 participantes, entre governos locais e outras instituições.
Eventos extremos reforçam alerta climático
O boletim da UNFCCC descreve julho de 2026 como um período marcado por impactos severos. Incêndios florestais atingiram áreas da França, da Espanha e de outros países europeus, provocando evacuações e prejuízos econômicos. No norte da África, temperaturas chegaram a 49 graus Celsius, com efeitos sobre a saúde, os meios de subsistência e o fornecimento de eletricidade.
O material também cita tempestades mortais no Chile e recordes de temperatura no Japão, onde foi registrada a sequência mais longa de dias acima de 40 graus Celsius, segundo o boletim. Na América Latina, episódios de chuva intensa, inundações e calor têm aumentado a pressão sobre sistemas urbanos, redes de energia e serviços de emergência.
“A ciência é inequívoca sobre a causa: o aquecimento global, provocado pela queima em massa de carvão, petróleo e gás, está tornando as ondas de calor prolongadas, as inundações extremas e as tempestades violentas cada vez mais frequentes, intensas e dispendiosas”, afirmou Simon Stiell, em tradução livre.
O dirigente acrescentou que a transição energética precisa ser acelerada, com expansão das fontes renováveis e proteção às pessoas e comunidades que já sofrem os efeitos mais graves da mudança do clima. Ele também alertou que os custos dos combustíveis fósseis vão além dos danos ambientais, pois envolvem segurança energética e estabilidade geopolítica.
Entenda o caso
A mudança climática é impulsionada principalmente pela emissão de gases de efeito estufa resultante da queima de combustíveis fósseis. O aumento da temperatura média do planeta altera padrões de chuva, intensifica ondas de calor e eleva os riscos associados a incêndios, secas, enchentes e tempestades.
Para enfrentar o problema, os países precisam combinar mitigação, que reduz emissões, e adaptação, que diminui os danos provocados pelos impactos já observados. Na Amazônia, essa agenda envolve proteção das florestas, prevenção de incêndios, segurança hídrica, infraestrutura resiliente e apoio às comunidades tradicionais e urbanas.
Renováveis ganham espaço na matriz elétrica
As energias renováveis continuam avançando na geração mundial de eletricidade. Conforme as Estatísticas de Energias Renováveis 2026, da Agência Internacional de Energia Renovável, a IRENA, a geração renovável cresceu 9,8% em 2024, maior aumento registrado até então. No mesmo período, a geração de fontes não renováveis avançou 1,4%.
Segundo a IRENA, as fontes renováveis responderam por 31,7% da eletricidade produzida no mundo em 2024. A energia solar e a eólica lideram a expansão observada desde 2010, embora hidrelétrica, bioenergia e outras fontes também façam parte do conjunto renovável.
Na Amazônia Legal, o debate tem relação direta com a necessidade de ampliar o acesso à energia confiável sem aumentar a pressão sobre a floresta. Soluções descentralizadas, como sistemas solares em comunidades isoladas, podem reduzir o uso de diesel, mas dependem de planejamento, manutenção, conectividade e participação local.
COP31 será realizada na Turquia
A COP31 está prevista para ocorrer de 9 a 20 de novembro de 2026, em Antália, na Turquia. O sistema de inscrição para a conferência foi aberto pela ONU Mudança do Clima. Antes da cúpula, uma Pré-COP será realizada em Fiji, com participação da Austrália e de países do Pacífico, entre 5 e 8 de outubro.
A reunião preparatória deverá ajudar a definir prioridades para as negociações climáticas. Entre os temas esperados estão financiamento, adaptação, transição energética, proteção de populações vulneráveis e implementação dos compromissos nacionais assumidos no Acordo de Paris.
América Latina articula implementação das metas
Nos dias 26 e 27 de agosto, representantes de 17 países latino-americanos deverão participar, em Santiago, no Chile, de um fórum regional sobre a implementação das Contribuições Nacionalmente Determinadas, conhecidas como NDCs. O encontro é organizado pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe, a CEPAL, em colaboração com o Centro de Colaboração Regional da ONU Mudança do Clima.
A proposta é aproximar políticas climáticas e econômicas, compartilhar experiências e discutir mecanismos para mobilizar financiamento. Para os países amazônicos, a coordenação regional pode contribuir para transformar compromissos climáticos em investimentos em bioeconomia, restauração florestal, agricultura de baixo carbono, mobilidade e adaptação urbana.
Os próximos passos serão a Pré-COP de Fiji, o fórum latino-americano de agosto e a COP31, em novembro de 2026, quando os países deverão avaliar avanços e ampliar a implementação de suas metas climáticas.
Perguntas frequentes
Por que a ONU defende o fim dos combustíveis fósseis?
Porque a queima de carvão, petróleo e gás é uma das principais fontes de emissões de gases de efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento global e pela intensificação de eventos extremos.
Qual é a participação das renováveis na eletricidade mundial?
Segundo a IRENA, as fontes renováveis responderam por 31,7% da geração mundial de eletricidade em 2024.
Quando e onde será a COP31?
A conferência está prevista para ocorrer de 9 a 20 de novembro de 2026, em Antália, na Turquia.
Com informações de ONU Mudança do Clima.
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