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El Niño pode ser o mais forte desde 1950, elevar o calor global e fazer de 2027 o ano mais quente

El Niño pode ser o mais forte desde 1950, elevar o calor global e fazer de 2027 o ano mais quente
Foto: www1.folha.uol.com.br

Serviço meteorológico britânico prevê um evento sem precedentes, com efeitos sobre chuvas, secas e incêndios no Brasil.

O El Niño que está se formando no oceano Pacífico pode ser o mais forte da história recente e elevar o risco de eventos climáticos extremos em várias partes do mundo. O Met Office, serviço meteorológico nacional do Reino Unido, afirma que o fenômeno pode atingir o pico entre outubro e novembro de 2026, continuar ativo até o início de 2027 e contribuir para que 2027 se torne o ano mais quente já registrado.

Um aquecimento excepcional no Pacífico

A previsão chama atenção pela intensidade. As temperaturas da superfície do mar em uma área-chave do Pacífico já estão mais de 2°C acima da média. Projeções do Met Office indicam que essa anomalia pode superar 3°C ainda neste ano.

O professor Adam Scaife, chefe de previsão de longo prazo do serviço britânico, classificou o cenário como “um evento sem precedentes”. Segundo ele, não havia sido observado, nas previsões analisadas, um sinal de El Niño tão intenso.

As medições também apontam calor acumulado nas profundezas do oceano. Em alguns pontos, a água estaria cerca de 8°C acima do normal a 100 metros de profundidade. Essa reserva de calor pode reforçar o fenômeno à medida que ele evolui.

O que já mudou no clima mundial

O El Niño altera a distribuição de calor no oceano e modifica os padrões de vento na atmosfera. Por isso, seus efeitos não ficam restritos ao Pacífico tropical. Eles podem aparecer em regimes de chuva, temperaturas, secas, incêndios e tempestades a milhares de quilômetros de distância.

Na Índia, as chuvas de monção do sudoeste estão abaixo da média em 2026. Na Austrália, o fenômeno aumenta o risco de seca e incêndios florestais. Já no Peru, no Equador e no sul dos Estados Unidos, a tendência pode ser de maior risco de inundações.

No Atlântico tropical e no Caribe, mudanças nos ventos podem reduzir a atividade de furacões. Até o momento citado no levantamento, a temporada tinha registrado apenas três tempestades nomeadas. A quantidade, porém, não determina sozinha o comportamento de toda a temporada.

Como o fenômeno pode afetar o Brasil

No Brasil, os efeitos do El Niño variam conforme a região. A tendência indicada para o Sul é de chuva acima da média. No Norte e no Nordeste, o cenário projetado é de precipitações abaixo do normal, condição que pode favorecer o avanço das queimadas e pressionar a disponibilidade de água.

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, as previsões para agosto de 2026 indicavam temperaturas acima da média histórica em grande parte do país, com intensidades diferentes entre as regiões. O quadro reforça a necessidade de monitoramento contínuo durante a primavera e o verão.

Na Amazônia, a combinação entre calor, estiagem e vegetação mais seca pode dificultar o controle de incêndios florestais. A situação exige atenção de órgãos ambientais, municípios, defesas civis e comunidades em todos os estados da região, especialmente onde a redução das chuvas afeta rios, transporte, produção rural e abastecimento.

Segundo o CPTEC, ligado ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o El Niño se configurou em junho de 2026, deve permanecer ativo até o início de 2027 e alcançar seu pico entre outubro e novembro.

Por que 2027 pode quebrar o recorde de calor

Durante um El Niño, o oceano libera uma quantidade significativa de calor para a atmosfera. Esse processo costuma elevar a temperatura média global, sobretudo no ano seguinte ao pico do inverno associado ao fenômeno.

Nick Dunstone, climatologista do Met Office, afirmou que é “muito provável” que 2027 supere 2024 e se torne o ano mais quente já registrado. A previsão considera a combinação entre o calor liberado pelo Pacífico e o aquecimento provocado pelas emissões humanas de gases de efeito estufa.

A previsão não significa que todos os dias de 2027 serão mais quentes em todos os lugares. O recorde se refere à média global anual. Ondas de frio e períodos de chuva ainda podem ocorrer, mas dentro de um cenário geral de temperaturas elevadas.

O que os dados ainda não permitem afirmar

Embora as projeções sejam consideradas excepcionais, o evento ainda está em desenvolvimento. As previsões podem mudar conforme as temperaturas do oceano e os ventos se comportem nos próximos meses. Além disso, não existem dois episódios de El Niño exatamente iguais.

Algumas equipes de pesquisa projetam anomalias de até 4°C acima da média. Zeke Hausfather, cientista climático do Berkeley Earth, afirmou que, caso esse nível se confirme, não seria impossível considerar a possibilidade de um evento mais forte em séculos ou até milênios. O próprio pesquisador ressalvou que não há como afirmar com certeza o que ocorreu em períodos tão remotos.

O critério de comparação mais seguro continua sendo a série instrumental moderna, com registros que remontam a 1950. Por essa base, o Met Office considera que o fenômeno em formação pode ser o mais intenso da história recente.

Preparação diante de extremos simultâneos

Os impactos não dependem apenas da força do El Niño. A ocupação das cidades, o desmatamento, a capacidade de drenagem, a situação dos reservatórios e a estrutura de prevenção de incêndios também determinam o tamanho dos danos.

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura alertou que o fenômeno pode ameaçar dezenas de milhões de pessoas em países vulneráveis com insegurança alimentar aguda. Secas prolongadas e chuvas intensas podem afetar colheitas, preços e acesso à água.

Para o Brasil, a prioridade será acompanhar as atualizações meteorológicas, reforçar alertas e preparar ações específicas para cada região. A evolução do Pacífico entre outubro e novembro de 2026 deverá definir a intensidade do evento e seus próximos efeitos sobre o clima global.

Dúvidas comuns sobre o fenômeno

O que é o El Niño?
É um fenômeno climático natural associado ao aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico equatorial. Ele ocorre, em geral, a cada dois a sete anos e costuma durar cerca de um ano.

O El Niño causa todos os eventos extremos?
Não. O fenômeno aumenta ou reduz a probabilidade de determinados padrões de chuva e temperatura, mas os eventos dependem também de outros fatores atmosféricos, oceânicos e das mudanças climáticas.

Quando os efeitos mais fortes podem aparecer?
As previsões citadas apontam pico entre outubro e novembro de 2026, com influência que pode continuar até o início de 2027. A intensidade regional ainda pode mudar conforme novas medições forem divulgadas.

Com informações de Met Office.

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