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Relatório da ONU projeta 75 bilhões de toneladas de emissões em 2050 e alerta para crise que pode mudar a vida

Relatório da ONU projeta 75 bilhões de toneladas de emissões em 2050 e alerta para crise que pode mudar a vida
Foto: theclimatewatch.com

O GEO-7 aponta que calor extremo, escassez de água, pobreza e perda da Amazônia podem avançar juntos se governos não mudarem a economia.

O planeta pode chegar a 2050 emitindo 75 bilhões de toneladas de gases de efeito estufa por ano, enquanto cerca de 9,2 bilhões de pessoas estarão expostas a ondas de calor. A projeção faz parte do sétimo Global Environment Outlook, o GEO-7, relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, lançado em dezembro de 2025 e republicado em 18 de agosto de 2026. O documento reúne modelos produzidos por quase 300 cientistas e alerta que clima, biodiversidade, poluição, fome e escassez de água podem se reforçar mutuamente.

A cena descrita pelo estudo não é a de uma única emergência, mas a de várias crises ocorrendo ao mesmo tempo. Se os países mantiverem padrões elevados de extração, emissão e destruição de áreas naturais, o resultado poderá ser uma transformação profunda das condições de vida, sobretudo para populações pobres e regiões dependentes diretamente da agricultura, das florestas e dos rios.

Mais calor, mais pressão sobre água e alimentos

Segundo o GEO-7, as emissões anuais de gases que aquecem o planeta podem ficar quase 50% acima do nível atual em 2050. O aumento tende a ampliar a frequência e a intensidade das ondas de calor, atingindo praticamente toda a população mundial. O relatório não trata essa projeção como destino inevitável, mas como resultado de uma continuidade das práticas atuais.

A mudança climática também pode expor 1,1 bilhão de pessoas adicionais a chuvas intensas e outros 900 milhões a secas severas até 2050. Os efeitos econômicos começariam antes. Até 2040, a combinação de eventos extremos, perda de produtividade e encarecimento dos alimentos poderia empurrar até 132 milhões de pessoas para a pobreza e colocar outras 24 milhões sob risco de fome.

Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, o GEO-7 projeta que 3,3 bilhões de pessoas enfrentarão estresse hídrico em 2050. Esse número equivale a aproximadamente um terço da população mundial e ajuda a explicar por que a disputa por água tende a ocupar espaço central nas políticas públicas das próximas décadas.

A conta material de uma economia que continua crescendo

O problema não está apenas no combustível usado para gerar energia. O relatório estima que a extração anual de matérias-primas chegará a 165 bilhões de toneladas em 2050, mais de 60% acima do volume registrado em 2020. Metais, minerais, combustíveis fósseis e outros recursos são necessários para cidades, infraestrutura e tecnologia, mas a expansão sem planejamento destrói habitats e aumenta as emissões.

A conta econômica também tende a crescer. Apenas a mudança climática pode reduzir o Produto Interno Bruto global em 4% ao ano até 2050. Se o aquecimento continuar avançando, a perda anual pode chegar a 20% em 2100. A comparação apresentada pelo documento é expressiva: o impacto projetado se aproximaria da contração sofrida pelos Estados Unidos durante a Grande Depressão, entre as décadas de 1920 e 1930.

A poluição atmosférica apresenta uma contradição importante. A concentração média de poluentes pode cair ligeiramente até 2050, mas o número absoluto de pessoas expostas deve aumentar com a urbanização. O GEO-7 estima que 4,2 bilhões de pessoas respirarão regularmente níveis perigosos de partículas finas PM2,5. As mortes associadas à poluição do ar poderão gerar um custo de US$ 18 trilhões a US$ 25 trilhões para a economia global até 2060.

Florestas perdidas e a ameaça sobre a Amazônia

A expansão de áreas agrícolas para alimentar uma população maior, com consumo crescente de carne, pode eliminar 1 milhão de quilômetros quadrados de florestas, turfeiras e outros ambientes naturais até 2050. O documento prevê ainda queda de 3% na abundância média de espécies, indicador que combina diversidade e distribuição da vida.

É nesse ponto que a Amazônia aparece como uma das áreas mais sensíveis do cenário global. O relatório alerta que o avanço sem controle do desmatamento, do aquecimento e da degradação pode fazer a floresta perder características de floresta tropical e se aproximar de uma savana. Trata-se de uma possibilidade associada a múltiplas pressões, não de uma previsão de que toda a região desaparecerá até 2050.

Para os estados amazônicos brasileiros, incluindo Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins, o alerta envolve mais do que conservação ambiental. A alteração do regime de chuvas pode afetar agricultura, geração hidrelétrica, transporte fluvial, abastecimento e saúde. A floresta também funciona como importante estoque e regulador de carbono, o que conecta decisões locais ao equilíbrio climático internacional.

Limites que podem alterar o sistema climático

O GEO-7 chama atenção para pontos de inflexão que podem produzir mudanças difíceis ou impossíveis de reverter em escala humana. Entre eles estão o colapso das camadas de gelo da Groenlândia e da Antártida Ocidental, com possibilidade de elevação do nível do mar em até 10 metros, além do descongelamento do permafrost e da liberação de grandes quantidades de metano.

O documento também cita o risco de desaparecimento de quase todos os corais de águas quentes, com impactos sobre ecossistemas marinhos, pesca e comunidades costeiras. Alterações nas correntes oceânicas e na corrente de jato podem desorganizar padrões climáticos, mas a intensidade e o momento desses efeitos dependem da evolução das emissões e das respostas adotadas pelos governos.

O que ainda pode mudar antes de 2050

Apesar do tom crítico, o relatório não afirma que os cenários mais graves são inevitáveis. A saída proposta passa por uma transformação conjunta de sistemas de energia, produção de alimentos, uso de matérias-primas, gestão de resíduos e proteção da natureza. A dificuldade está na escala: ações isoladas podem reduzir danos locais, mas não substituem políticas coordenadas e de longo prazo.

O histórico do Global Environment Outlook começou em 1997, como uma avaliação periódica do estado do planeta e uma referência para formuladores de políticas. O acesso ao GEO-7 e aos materiais do Global Environment Outlook permite consultar a íntegra das projeções e das recomendações.

Respostas rápidas sobre o relatório

Quando as projeções principais podem ocorrer?

A maior parte dos números apresentados se refere a 2050, embora alguns impactos econômicos e sociais sejam estimados para 2040, 2060 e 2100.

O relatório prevê exatamente o futuro?

Não. O GEO-7 modela um cenário baseado na continuidade de práticas consideradas ambientalmente destrutivas. Os resultados podem mudar conforme as emissões, o desmatamento, o consumo de recursos e as políticas públicas evoluírem.

Por que a Amazônia é central nesse debate?

Porque a floresta influencia o ciclo de carbono, a circulação de umidade e a biodiversidade. Sua degradação pode produzir impactos regionais e também ampliar a instabilidade climática global.

O próximo desdobramento da série do GEO-7 está previsto para 22 de dezembro, quando o PNUMA deverá detalhar as mudanças necessárias para reduzir os riscos apontados no relatório.

Com informações de Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.

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