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Desmatamento na Amazônia não gera desenvolvimento, aponta IPS 2026

Desmatamento na Amazônia não gera desenvolvimento, aponta IPS 2026
Foto: umsoplaneta.globo.com

Estudo recente desmistifica a ideia de que derrubar floresta promove prosperidade, revelando baixo progresso social em municípios desmatadores.

A antiga premissa de que a expansão agropecuária e a ocupação territorial na Amazônia, marcadas pelo desmatamento, trariam prosperidade e desenvolvimento para a região é desmentida por um novo levantamento. Segundo o Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2026, os municípios que mais derrubaram floresta nos últimos anos estão entre os piores do país em termos de qualidade de vida, evidenciando uma desconexão entre a destruição ambiental e o verdadeiro bem-estar social.

O Índice de Progresso Social Brasil 2026, que avalia a qualidade de vida nos 5.570 municípios brasileiros com base em 57 indicadores sociais e ambientais, fornece uma base robusta para essa análise. Os resultados são claros: os municípios amazônicos com os maiores índices de desmatamento recente estão longe de serem exemplos de desenvolvimento, figurando, na verdade, entre os locais com as piores condições de vida no país.

Contraste entre desmatamento e progresso social

A análise dos dados revela um cenário contrastante. Dos 20 municípios que mais desmataram a Amazônia entre 2023 e 2025, nenhum deles alcança sequer a metade superior do ranking nacional do IPS Brasil 2026. O município com a melhor posição, entre os maiores desmatadores, é Porto Velho (RO), que ocupa a 3.718ª posição entre os 5.570 municípios avaliados. Adicionalmente, a capital rondoniense foi classificada como a pior capital brasileira para se viver, conforme o mesmo índice.

Os quatro maiores desmatadores da Amazônia se encontram entre os 400 piores municípios do Brasil em qualidade de vida. São Félix do Xingu (PA), líder em desmatamento recente, está na 5.558ª posição nacional. Altamira (PA), a segunda colocada em destruição florestal, aparece na 5.454ª posição. Apuí (AM), o terceiro maior desmatador, ocupa o 5.518º lugar. Portel (PA), que figura como o sétimo município mais desmatador, é o 5.567º, a quarta pior colocação do Brasil no ranking do IPS.

O paradoxo amazônico: riqueza sem qualidade de vida

Esses números provocam uma reflexão profunda sobre a narrativa que dominou grande parte do debate amazônico nas últimas décadas. Se o desmatamento fosse, de fato, um caminho para o desenvolvimento, seria lógico esperar que os municípios que mais converteram floresta em pasto e outras atividades apresentassem bons resultados em educação, saúde, saneamento, segurança e oportunidades. Contudo, o que se observa é uma espécie de paradoxo amazônico: municípios que geram riqueza por meio da destruição das florestas continuam incapazes de transformar essa riqueza em qualidade de vida para sua população.

Entenda o caso

O IPS não mede riqueza, arrecadação ou Produto Interno Bruto (PIB). Ele foi concebido para verificar se a riqueza produzida em um território se traduz em melhores condições de vida para as pessoas, observando indicadores concretos como cobertura vacinal, mortalidade infantil, acesso à água tratada, saneamento, qualidade da moradia, segurança, educação, inclusão social, meio ambiente e oportunidades. Em resumo, o IPS mede aquilo que realmente importa para quem vive nos municípios, e os resultados sugerem que o desmatamento pode até movimentar a economia, mas está longe de garantir progresso social.

Desmatamento na Amazônia não gera desenvolvimento, aponta IPS 2026
Foto: umsoplaneta.globo.com

O caso de São Félix do Xingu é particularmente emblemático. O município abriga um dos maiores rebanhos bovinos do país e é central na expansão da fronteira agropecuária amazônica. Contudo, figura entre os últimos colocados do Brasil em qualidade de vida. O mesmo padrão se repete em Altamira, Itaituba, Novo Progresso, Pacajá, Uruará, Colniza, Nova Maringá e outros municípios associados à dinâmica recente de abertura de áreas e avanço do desmatamento.

A distribuição geográfica dos 20 maiores desmatadores da Amazônia é reveladora: oito estão no Pará, seis no Amazonas, cinco em Mato Grosso e um em Rondônia. A maioria se concentra justamente nas regiões que simbolizam a expansão recente da fronteira econômica amazônica. E, ainda assim, quase todos aparecem nas últimas posições do ranking nacional de progresso social.

Desmascarando uma falsa dicotomia

Durante muito tempo, o debate sobre a Amazônia foi apresentado como uma escolha binária: floresta ou desenvolvimento. Como se preservar ou conservar significasse permanecer pobre e desmatar fosse uma etapa inevitável rumo à prosperidade. Entretanto, os dados disponíveis agora indicam que essa dicotomia é falsa. A evidência não sugere que a floresta esteja impedindo o desenvolvimento. Pelo contrário, o que ela demonstra é que o desmatamento não está, de fato, produzindo o desenvolvimento prometido.

Segundo Gustavo Nascimento, coordenador de projetos em O Mundo que Queremos, em 10 de junho de 2026, os municípios que mais desmataram a Amazônia nos três anos anteriores figuram entre os piores em qualidade de vida no Brasil. Talvez seja o momento de abandonar a ideia de que a Amazônia precisa escolher entre conservar ou prosperar. O verdadeiro desafio, como apontam os dados mais recentes, é encontrar formas de gerar prosperidade mantendo a floresta em pé. Até porque, a conta do desmatamento se mostra clara: a floresta perdeu e a população também. Os próximos anos serão cruciais para redefinir as estratégias de desenvolvimento na região, alinhando-as com a sustentabilidade e o progresso social verdadeiro.

Com informações de O Mundo que Queremos.

Perguntas Frequentes

P: O que é o Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2026?
R: É um índice que avalia a qualidade de vida nos 5.570 municípios brasileiros, utilizando 57 indicadores sociais e ambientais, como saúde, educação, saneamento e inclusão social, sem considerar fatores econômicos como PIB.

P: Qual a relação entre desmatamento e qualidade de vida na Amazônia?
R: Os dados do IPS 2026 mostram uma correlação inversa. Municípios com altos índices de desmatamento na Amazônia possuem baixos índices de progresso social e qualidade de vida para seus habitantes.

P: Quais municípios da Amazônia exemplificam essa relação?
R: São Félix do Xingu (PA), Altamira (PA), Apuí (AM) e Portel (PA), que são líderes em desmatamento recente, estão entre os piores colocados no ranking nacional de qualidade de vida do IPS Brasil 2026.

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