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Vale de Pernambuco reúne paredões esculpidos, pinturas rupestres e trilhas…

Dezesseis mil hectares de rochas gigantes rompem a planície do Ceará e transformam Quixadá em cenário de trilhas e voo livre

Quem se aproxima de Quixadá encontra grandes massas de granito surgindo isoladas sobre o terreno. Algumas têm contornos que lembram animais ou objetos; outras se erguem como cúpulas quase lisas. Essas formações são conhecidas como inselbergs, palavra usada para descrever elevações rochosas que permanecem destacadas após longos processos de erosão.

O Monumento Natural dos Monólitos de Quixadá protege aproximadamente 16 mil hectares no Sertão Central do Ceará. A unidade reúne paisagem, biodiversidade e locais associados à cultura regional.

A Galinha Choca virou o contorno mais famoso

A Pedra da Galinha Choca é o cartão-postal local. Dependendo do ângulo, seu perfil lembra uma ave sobre os ovos. O reconhecimento imediato ajudou a transformar a formação em símbolo da cidade, mas ela é apenas uma entre dezenas de gigantes de pedra.

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O relevo atrai praticantes de escalada, caminhada, ciclismo e voo livre. Correntes de ar e áreas de pouso fizeram Quixadá ganhar projeção entre pilotos, embora qualquer atividade aérea dependa de condições meteorológicas, operadores habilitados e regras de segurança.

Na terra, os trajetos variam de passeios simples a atividades técnicas. Rochas expostas ficam muito quentes, e a combinação de sol, baixa umidade e pouca sombra exige água e planejamento. A época do ano também altera o cenário: depois das chuvas, o verde modifica o contraste com o granito e pequenos corpos d’água ganham destaque.

A paisagem também pertence à história cultural do Ceará

Quixadá está ligada à escritora Rachel de Queiroz, que viveu parte de sua história na Fazenda Não Me Deixes. A relação entre literatura, sertão e paisagem acrescenta uma camada que não aparece em um passeio puramente esportivo.

O Açude do Cedro, obra histórica próxima à cidade, amplia as possibilidades de roteiro e revela outra tentativa humana de responder ao clima semiárido. Assim, pedras naturais, engenharia e memória literária podem ser vistas na mesma viagem.

O maior erro seria tratar os monólitos como pedras iguais espalhadas ao acaso. Cada formação produz um ponto de vista, uma história popular e um tipo de uso. Juntas, elas transformam a planície em uma paisagem reconhecível de longe, mas ainda pouco presente nas listas nacionais de viagens.

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