
Antes de aviões comerciais ligarem continentes todos os dias, enormes dirigíveis realizavam uma viagem que parecia pertencer ao futuro. Eles atravessavam o Atlântico e chegavam ao Rio de Janeiro, onde uma estrutura com cerca de 270 metros de comprimento havia sido construída especialmente para recebê-los.
O Hangar do Zeppelin fica em Santa Cruz, na Zona Oeste carioca. Inaugurado em 1936, ele foi usado nas operações dos dirigíveis alemães que conectavam a Europa à América do Sul. O tamanho fazia sentido: o LZ 129 Hindenburg tinha 245 metros de comprimento, muito mais do que a fuselagem de qualquer avião de passageiros atual.
A porta precisava abrir para uma aeronave do tamanho de um prédio
Um dirigível não entrava no hangar como um avião comum. Equipes em terra precisavam controlar a aeronave, sujeita ao vento por causa de seu enorme volume. As portas e a estrutura foram pensadas para permitir a entrada e a saída daquele corpo leve e gigantesco sem provocar danos.
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Ele viu as cerejas vermelhas pendendo sobre o próprio jardim e pensou que já eram suas; na França colher o fruto ainda preso ao galho do vizinho é proibido e só o que cai sozinho no chão passa a ser seuSanta Cruz oferecia uma ampla área afastada do centro densamente ocupado. Passageiros desembarcavam ali e seguiam viagem até outras partes da cidade. Para quem observava do solo, o pouso transformava o céu em espetáculo: uma aeronave maior do que muitos quarteirões se aproximava lentamente e era conduzida por dezenas de pessoas.
A fase durou pouco. O desastre do Hindenburg, ocorrido em maio de 1937 nos Estados Unidos, acelerou o fim dos grandes dirigíveis de passageiros. A evolução dos aviões também tornou a operação menos competitiva. O hangar carioca, praticamente novo, perdeu a finalidade original.
A estrutura foi incorporada à Base Aérea de Santa Cruz
O edifício não desapareceu. Ele passou a integrar a Base Aérea de Santa Cruz e ganhou usos militares. Essa continuidade ajudou a preservar uma estrutura que poderia ter sido desmontada depois do fim das rotas comerciais.
Hoje, o hangar é um dos raros remanescentes materiais da era dos grandes zepelins. Sua presença revela como uma inovação pode mobilizar investimentos gigantescos e se tornar obsoleta em poucos anos. O prédio foi projetado para um meio de transporte que parecia inaugurar uma nova época, mas acabou sobrevivendo muito mais do que a própria tecnologia que justificou sua construção.
A visitação é condicionada às regras da área militar e não funciona como a de um museu aberto permanentemente. Ainda assim, a silhueta metálica continua visível como parte da paisagem de Santa Cruz. Dentro dela, cabe uma história em que o Rio de Janeiro foi terminal de uma das viagens aéreas mais extraordinárias do século XX.
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