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Dirigíveis cruzavam o Atlântico e pousavam no Rio até 1937; quase 90 anos depois, hangar de 270 metros ainda permanece de pé

Antes de aviões comerciais ligarem continentes todos os dias, enormes dirigíveis realizavam uma viagem que parecia pertencer ao futuro. Eles atravessavam o Atlântico e chegavam ao Rio de Janeiro, onde uma estrutura com cerca de 270 metros de comprimento havia sido construída especialmente para recebê-los.

O Hangar do Zeppelin fica em Santa Cruz, na Zona Oeste carioca. Inaugurado em 1936, ele foi usado nas operações dos dirigíveis alemães que conectavam a Europa à América do Sul. O tamanho fazia sentido: o LZ 129 Hindenburg tinha 245 metros de comprimento, muito mais do que a fuselagem de qualquer avião de passageiros atual.

A porta precisava abrir para uma aeronave do tamanho de um prédio

Um dirigível não entrava no hangar como um avião comum. Equipes em terra precisavam controlar a aeronave, sujeita ao vento por causa de seu enorme volume. As portas e a estrutura foram pensadas para permitir a entrada e a saída daquele corpo leve e gigantesco sem provocar danos.

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Santa Cruz oferecia uma ampla área afastada do centro densamente ocupado. Passageiros desembarcavam ali e seguiam viagem até outras partes da cidade. Para quem observava do solo, o pouso transformava o céu em espetáculo: uma aeronave maior do que muitos quarteirões se aproximava lentamente e era conduzida por dezenas de pessoas.

A fase durou pouco. O desastre do Hindenburg, ocorrido em maio de 1937 nos Estados Unidos, acelerou o fim dos grandes dirigíveis de passageiros. A evolução dos aviões também tornou a operação menos competitiva. O hangar carioca, praticamente novo, perdeu a finalidade original.

A estrutura foi incorporada à Base Aérea de Santa Cruz

O edifício não desapareceu. Ele passou a integrar a Base Aérea de Santa Cruz e ganhou usos militares. Essa continuidade ajudou a preservar uma estrutura que poderia ter sido desmontada depois do fim das rotas comerciais.

Hoje, o hangar é um dos raros remanescentes materiais da era dos grandes zepelins. Sua presença revela como uma inovação pode mobilizar investimentos gigantescos e se tornar obsoleta em poucos anos. O prédio foi projetado para um meio de transporte que parecia inaugurar uma nova época, mas acabou sobrevivendo muito mais do que a própria tecnologia que justificou sua construção.

A visitação é condicionada às regras da área militar e não funciona como a de um museu aberto permanentemente. Ainda assim, a silhueta metálica continua visível como parte da paisagem de Santa Cruz. Dentro dela, cabe uma história em que o Rio de Janeiro foi terminal de uma das viagens aéreas mais extraordinárias do século XX.

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