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Uma ave do tamanho de um pombo avançou contra um…

Dois jovens falcões-peregrinos foram flagrados alimentando um ao outro e o comportamento era conhecido em apenas 2 de mais de 500 espécies de aves de rapina

O alimento estava disponível, mas algo inesperado aconteceu antes que fosse consumido.

Um jovem falcão-peregrino aproximou-se do irmão e ofereceu comida.

Em outro momento, os papéis se inverteram.

Fotografias feitas pelo professor Dave Brandes, do Lafayette College, ajudaram a documentar um comportamento chamado “allofeeding” entre irmãos, no qual um indivíduo alimenta outro que não é seu filhote. Segundo a instituição, esse tipo específico de alimentação entre irmãos havia sido documentado anteriormente em apenas duas das mais de 500 espécies de aves de rapina.

Para um dos predadores aéreos mais famosos do planeta, a descoberta mostra um lado pouco conhecido.

O falcão que conhecemos é construído em torno da velocidade

O falcão-peregrino costuma aparecer em livros e documentários por outro motivo.

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Durante mergulhos de caça, ele alcança velocidades extraordinárias.

Seu corpo é adaptado a perseguições no ar, e sua reputação está ligada a precisão, velocidade e capacidade de capturar outras aves.

É fácil imaginar esses animais como competidores.

Cada jovem precisa aprender a voar, encontrar alimento e sobreviver fora da proteção dos adultos.

Por isso, a cena de um irmão entregando alimento ao outro é especialmente interessante.

Ela não combina com a imagem simplificada de predadores permanentemente disputando recursos.

Alimentar outro indivíduo tem um custo

Comida é energia.

Para um jovem falcão, entregar parte de uma refeição significa abrir mão de algo que poderia consumir.

Isso torna o comportamento evolutivamente intrigante.

Em muitas espécies, alimentar parentes próximos pode ter benefícios indiretos porque irmãos compartilham parte de seus genes.

Mas essa explicação não resolve automaticamente o caso dos falcões.

Os pesquisadores precisam entender em que contexto ocorre a transferência, quem inicia a interação, se existe reciprocidade e se determinados indivíduos recebem mais alimento do que oferecem.

O registro abre essas perguntas em vez de encerrá-las.

Não era simplesmente um adulto alimentando um filhote

Esse detalhe é essencial.

Pais oferecendo alimento aos jovens é um comportamento esperado entre muitas aves.

O que chamou a atenção foi a interação entre irmãos já em fase de saída do ninho.

O termo usado para o fenômeno é “sibling allofeeding”.

“Allo” indica outro indivíduo.

Em outras palavras, um animal transfere alimento diretamente a outro em uma relação que não é simplesmente a alimentação parental típica.

O fenômeno existe em diferentes grupos de aves, mas aparentemente é muito raro entre aves de rapina.

A descoberta começou com fotografias

Alguns comportamentos científicos importantes não são descobertos em laboratórios.

Eles aparecem porque alguém estava fotografando no momento certo.

Brandes acompanhava os falcões quando conseguiu imagens suficientemente claras para mostrar a transferência de alimento.

A documentação permitiu analisar a sequência e compará-la com registros conhecidos de outras espécies.

Posteriormente, o comportamento foi discutido cientificamente por Brandes e Mike Butler em trabalho relacionado ao Journal of Raptor Research.

A câmera transformou uma cena que poderia parecer apenas curiosa em evidência comportamental.

Os irmãos poderiam estar praticando comportamentos adultos?

Essa é uma das possibilidades que torna a observação ainda mais interessante.

Jovens aves estão aprendendo constantemente.

Eles testam maneiras de manipular presas, voar, perseguir outros animais e interagir socialmente.

Transferir alimento pode possuir uma função social ainda pouco compreendida.

Também poderia representar comportamento derivado de outros contextos, como as transferências de alimento observadas entre parceiros reprodutivos.

Mas não é possível escolher uma dessas explicações apenas olhando as fotografias.

Seriam necessárias observações repetidas.

A raridade pode ser parcialmente uma ilusão

Existe outra limitação.

Talvez o comportamento seja realmente excepcional.

Ou talvez aconteça mais vezes do que os registros sugerem.

Jovens falcões passam por uma fase relativamente curta entre permanecer dependentes dos pais e dispersar-se.

Observar continuamente vários irmãos nesse período exige acesso, tempo e equipamentos.

Uma interação que dura segundos pode passar despercebida.

Agora que existe um registro publicado, outros pesquisadores e observadores podem saber exatamente o que procurar.

É assim que uma observação rara pode desencadear novos registros.

A cooperação não transforma o falcão em um animal “generoso”

É tentador interpretar o comportamento utilizando sentimentos humanos.

Um irmão estaria “cuidando” do outro.

Outro estaria “dividindo por amor”.

Essas frases são atraentes, mas ultrapassam aquilo que a observação consegue demonstrar.

O comportamento mostra transferência de alimento.

A motivação interna é muito mais difícil de determinar.

Animais podem realizar ações sociais por mecanismos evolutivos, aprendizado, contexto familiar ou respostas imediatas que não correspondem aos conceitos humanos de solidariedade.

A cena continua extraordinária mesmo sem antropomorfismo.

Um predador famoso revelou um comportamento quase invisível

A velocidade do falcão-peregrino é fácil de mostrar.

Uma ave mergulhando pelo céu produz imagens espetaculares.

A interação entre dois jovens, ao contrário, poderia acontecer discretamente sobre uma estrutura ou próximo do ninho.

Talvez por isso saibamos tanto sobre como falcões perseguem presas e comparativamente pouco sobre determinadas relações sociais entre irmãos.

As fotografias mostram que ainda existem comportamentos básicos esperando documentação até mesmo em espécies extremamente conhecidas.

E, neste caso, a surpresa não veio de uma nova arma de caça.

Veio de um pedaço de comida passando de um irmão para outro.

Limitação do achado

O número extremamente pequeno de registros impede afirmar com que frequência o comportamento ocorre ou qual é sua função evolutiva. A descoberta documenta a existência do fenômeno em falcões-peregrinos.

Fonte

Lafayette College, divulgação da pesquisa de Dave Brandes e Mike Butler sobre alimentação entre irmãos em falcões-peregrinos.

Link interno contextual sugerido: “O macaco brasileiro cujo grito atravessa até 5 quilômetros usa a própria cauda como um quinto membro”.

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