
Escola imersiva reúne alunos de Brasil, França e Guiana Francesa em seminários, oficinas e visitas a comunidades amazônicas até 29 de setembro.
Em vez de discutir a economia da floresta apenas em sala de aula, estudantes brasileiros, franceses e franco-guianenses estão levando o tema para os próprios territórios amazônicos. A Escola Imersiva Internacional em Sociobioeconomia Amazônica acontece em Belém e em Santarém, no Pará, de 18 a 29 de setembro de 2026, e reúne alunos da Universidade Federal do Pará (UFPA), da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), da Université Paris-Est Créteil (UPEC) e da Université de Guyane (UG).
A proposta é promover o intercâmbio entre o conhecimento produzido nas universidades e aquele construído nas comunidades, cooperativas e organizações da região. Os participantes foram previamente selecionados pelas instituições parceiras.
Uma cooperação entre instituições de três territórios
A Escola foi idealizada pela UFPA e pela UPEC. Conta com apoio do Programa Amabio, financiado pela Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) e implementado pela Expertise France, em parceria com as quatro universidades.
Segundo a UFPA, a programação foi pensada como ação de cooperação científica e universitária entre instituições brasileiras e da França continental e da Guiana Francesa, território que divide fronteira com o Amapá e compartilha com a Amazônia brasileira desafios ligados à floresta.
Os temas em debate
Ao longo de 12 dias, os estudantes discutirão cadeias de valor, agroecologia, conservação, governança territorial e modelos econômicos associados ao uso sustentável da biodiversidade.
Em termos práticos, a sociobioeconomia trata de como gerar renda a partir de produtos e serviços da floresta em pé, com participação de quem vive nos territórios. É um assunto central para estados amazônicos que buscam alternativas ao desmatamento e que têm no extrativismo, na agricultura familiar e nas cooperativas uma base econômica importante.
Seminários, oficinas e visitas aproximarão perspectivas acadêmicas e experiências conduzidas por comunidades e iniciativas locais.
Etapa de Belém
A programação começa em 18 de setembro, com a recepção dos estudantes e pesquisadores internacionais. Entre os dias 19 e 23, as atividades ocorrem na UFPA e incluem seminários, aulas, oficinas, debates e visitas institucionais e culturais.
Essa fase também abre espaços de integração entre os estudantes dos três territórios, para que a troca ocorra além das salas de aula.
Etapa de Santarém
No dia 24 de setembro, o grupo segue para Santarém, onde começa a segunda etapa, organizada em parceria com a UFOPA. Em 25 de setembro, a universidade recebe a delegação na abertura institucional e promove uma visita técnica à Aldeia de Ipaupixuna.
Segundo a organização, nos dias 26 e 27 o grupo seguirá de barco para atividades em campo, com contato direto com comunidades e organizações amazônicas. A escola se encerra em 29 de setembro.
O que isso significa para a região
Iniciativas desse tipo aproximam a formação universitária da realidade dos territórios e ampliam redes de cooperação entre a Amazônia brasileira e a francesa, em um momento em que a bioeconomia ganha espaço na agenda internacional. Para os estudantes paraenses, a experiência permite comparar modelos e levar à discussão acadêmica o conhecimento de quem produz na floresta.
Com a conclusão da imersão em 29 de setembro, as instituições parceiras devem seguir com a cooperação no âmbito do Programa Amabio.
Com informações de Universidade Federal do Pará (UFPA).
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